Comunidade Servos da Rainha
Apresentação
A Comunidade
SERVOS DA RAINHA é uma entidade católica mariana, sem fins
lucrativos, que tem por objetivo ajudar as famílias carentes no tocante
a Moradia, Alimentação, Vestuário, Trabalho e Saúde,
oferecendo especial apoio a crianças nas áreas de Educação,
Esporte, Lazer e Ensino religioso.
Origem
Em junho de
1997, impulsionados pela mensagem de Mediugórie, iniciamos um trabalho
de ajuda às famílias carentes, no Jardim Céu Azul, Valparaíso
de Goiás (a 30 km do centro de Brasília - região do
entorno). Depois de um ano, com a chegada de novos colaboradores e com o
aumento das atividades e das famílias assistidas, a evolução
natural dessa obra requeria uma organização. Por isso, no segundo
semestre de 1998, fundamos a Comunidade Servos da Rainha. Frei Francisco,
em outubro de 1998, abençoou a capelinha e demais áreas da Comunidade.
O novo pároco, Pe. Simão, celebrou a primeira Missa na Comunidade
no dia 25 de novembro de 1998.
História
da fundação
Como sabemos, é comum encontrar nas ruas e estacionamentos
de nossas cidades, crianças e adultos pedindo para "vigiar"
os carros.
Em início de 1997, diante do
escritório da Associação Servos da Rainha, em Brasília,
despertou minha atenção um desses garotos. Sempre que estacionava
o carro, vinha logo dizendo: "Moço, posso vigiar o carro*"
Um dia, tivemos o seguinte diálogo:
- Qual é o seu nome*
-Rogério.
- Onde você mora*
- No Jardim Céu Azul, em Valparaíso
de Goiás.
- Por que você não fica
em casa, estudando, em vez de vir para a rua*
- Preciso ganhar dinheiro para ajudar minha mãe.
Somos 8 menores em casa e nosso pai nos abandonou.
Sempre que o via, dava-lhe alguns
trocados e conversava um pouco com ele. Dentro de mim, no entanto, nascia
o desejo de visitar sua família, fato que aconteceu em junho de 1997.
Numa tarde daquele mês, ao término do expediente, juntamente
com as amigas Lília e Janyr, (o Rogério nos acompanhou, pois
não conhecíamos o caminho) fizemos a primeira visita à
família. Qual não foi a nossa surpresa ao chegar lá:
não era uma casa! Apenas um barracão de alguns cômodos.
Parte coberta, parte não, algumas paredes semi-destruídas e
tábuas velhas servindo de porta e janelas. Quando chovia, descia água
pelas telhas danificadas e a enxurrada passava por baixo das paredes e camas.
O pequeno cômodo transformado em cozinha estava limpo, assim como as
panelas. Não havia alimentos. Para completar, a luz, com uma fase caída,
clareava pouco mais do que uma lamparina. Por sorte, naquela noite trazíamos-lhe
duas cestas de alimentos.
Durante esta visita, senti que fora
Nossa Senhora a nos levar para ajudar aquela família. Passei a fazer-lhe
visitas regulares e ajudá-la com mantimentos e dinheiro. Num segundo
momento, pedi-lhe que providenciasse um pedreiro para reformar sua "casa".
Aumentamos a casa, fizemos muros e aterramos parte do lote que era brejoso.
Ao terminar a reforma, em outubro/97, inclusive com a substituição
total do telhado, a vizinha da frente pediu as telhas velhas e quebradas removidas.
Pedi ao nosso pedreiro para verificar o estado do barracão dessa jovem
mãe, Eliane, que pedira as telhas. Após examiná-lo,
o pedreiro informou-me que o mesmo estava a ponto de cair. Resolvemos, então,
fazer-lhe uma casinha, com planta aprovada pela Prefeitura local. Esta casa
ficou pronta em janeiro de 1998. Nesse meio tempo, um outro vizinho do Rogério
disse que o seu sonho era aterrar o seu lote, também brejoso, e construir
o muro a fim de proporcionar maior segurança à sua família.
Como ele tinha conhecimento na área de construção, dei-lhe
o material e ele mesmo construiu o muro. Mais tarde, comprei-lhe também
o material para que aumentasse um pouco mais sua casinha. Sobre estes trabalhos
de ajuda às famílias, em presença de Pe. Adonias, comuniquei,
por telefone, a frei Francisco, sacerdote responsável pela Capela
Nossa Senhora de Fátima, existente no Bairro naquela época,
hoje já transformada em Paróquia.
No Natal de 1997, com a colaboração
do casal Ademar e Jane, e de Cláudia, fizemos uma ceia natalina, ao
ar livre, na casa do Rogério, para essas três famílias
assistidas.
Cláudia fez uma campanha para a arrecadação de roupas
no seu local de trabalho (Correios) e pudemos ajudar muitas famílias.
Todos os meses, comprávamos, e também ganhávamos, cestas
básicas que distribuíamos às famílias carentes.
Para algumas, fornecíamos também leite e pão diariamente.
As pessoas vizinhas, de uma maneira
geral, quase não conheciam a Igreja Católica, pois a única
capela com Missa aos Domingos ficava a quase 2km. Na outra capela, perto dessas
famílias assistidas, só havia celebração da Santa
Missa poucas vezes ao ano. Em janeiro de 1998, conheci Arcângela, uma
jovem recém-chegada de Natal, que se prontificou ajudar-nos, ensinando
essas famílias a rezar o Terço. Rezávamos cada Domingo
em uma das casas.
Pelo mês de março de 1998, percebemos que o esforço
empregado para ajudar o Rogério e seus irmãos não estava
produzindo os resultados esperados, precisando, portanto, de uma assistência
mais efetiva. Em maio, com a compra e reforma de uma casinha ali próxima,
começava a surgir a idéia de formar uma comunidade para melhor
atender a essas famílias.
Por outro lado, preocupados com o
baixo nível de ensino público local, alugamos um galpão
ali próximo e contratamos uma professora para ministrar aulas de reforço
escolar.
Durante todo o mês de maio de
1998, os freis Francisco e Nicolau, responsáveis pela então
capela Nossa Senhora de Fátima, pediram que se rezasse o terço
nas casas durante todo aquele mês. Por isso, com a imagem de
Nossa Senhora, Rainha da Paz, trazida por Cláudia,
começamos a rezar diariamente o Santo Terço nas casas. A participação
aumentava a cada dia. Ao término do mês de maio, sendo já
grande o número de participantes, passamos a rezar o terço no
galpão que alugamos para aulas de reforço escolar. Em muitos
acontecimentos, víamos a intercessão de Nossa Senhora. Na capela
S. Francisco de Assis, próxima a essas famílias, os freis começaram
a celebrar a Santa Missa em todos os Domingos.
No início de 1998, conhecemos
as senhoras Dolores e Maria de Jesus, responsáveis pela catequese da
então Capela Nossa Senhora de Fátima. Essas duas senhoras deram-nos
um grande apoio e acolheram nossos menores e adultos para as aulas de catequese,
preparando-os para o Batismo e a Primeira Comunhão. Dessa forma, em
junho de 1998, mais de 30 pessoas, entre crianças e adultos, foram
batizadas.
Por essa época, começamos a ter a colaboração
também de Miroslav e sua esposa, que faziam recreação
com as crianças. Outros colaboradores juntaram-se a nós.
Deus se fazia presente e muitas graças
eram recebidas. As pessoas rezavam com fé. Com a ajuda de benfeitores,
conseguiu-se emprego para o Rogério e para seu irmão. Sua mãe
também arranjou emprego.
Supridas as necessidades de ordem material quanto a habitação,
roupa e alimentação, pensamos que seria conveniente providenciar
uma quadra poli-esportiva para que aquelas crianças, agora alimentadas,
pudessem praticar esporte e lazer e, dessa forma, melhorar seu desenvolvimento
físico. Assim, com a aquisição de um lote de esquina,
construímos uma quadra esportiva, inaugurada em outubro de 1998.
Em junho de 1998, encontramos em Mediugórie
Maria Aparecida (Cida), uma peregrina de São Paulo que, tendo chegado
em um grupo anterior, decidiu permanecer ali por mais tempo para retornar
com esse novo grupo.
Perguntei-lhe:
- E agora, depois de 45 dias em Mediugórie,
que pretende fazer da vida?
- Ainda não sei. Estou esperando
que Deus me mostre o caminho a seguir.
- Vá trabalhar conosco em Brasília,
em um trabalho com crianças e famílias carentes!
- Sim, vou em julho (1998), quando
retornar da viagem a Paris, já programada.
Em fins de julho de 1998, concluída
a reforma da casa, Cida passou a morar aqui no Céu Azul, trabalhando
com deter-minação nessa obra que, a cada dia, crescia sempre
mais.
O Natal desse ano foi inesquecível.
Após a Santa Missa celebrada por Pe. Simão, à meia noite,
na Igreja Nossa Senhora de Fátima, Lília e Cida prepararam uma
ceia natalina para cerca de 80 pessoas, quase todas crianças.
Com o desenvolvimento das atividades, decidimos
criar um Estatuto para melhor orientar nossos trabalhos. Dessa for-ma, aos
poucos, estava surgindo a Comunidade Servos da Rainha.
O galpão, antes alugado para
ministrar aulas de reforço escolar, após sua compra, foi transformado
em Capela da nova Comunidade. Assim, em outubro de 1998, frei Francisco, juntamente
com o então futuro pároco, Pe. Simão, abençoou
nossa Capela e demais dependências. Em outubro desse mesmo ano, obtivemos
o registro do nosso Estatuto e demais documentos pertinentes. Em 25 de novembro
de 1998, foi celebrada, por Pe. Simão, a primeira Missa em nossa Comuni-dade.
A partir de então, no dia 25 de cada mês, temos aqui a Santa
Missa em louvor à Rainha da Paz, com a participação
da organista Josefina que também, em diversas oportunidades, tem realizado
a apresentação de corais com as crianças.
Após a inauguração da Comunidade,
em outubro de 1998, começamos a acolher, de forma mais ampla, as
crianças para aulas de reforço, diversões em nosso parque
infantil e prática de esportes. Chegamos a cadastrar aproximadamente
1.000 menores. Durante o cadastramento, constatamos que a maioria não
era batizada e que seus pais não eram casados na Igreja.
Até final de 1998, rezávamos
diariamente o Santo Terço. No início de 1999, Adriane, filha
de Dona Maria de Jesus, per-guntou-nos: "Por que não rezamos o Rosário?"
Era um apelo que Nossa Senhora nos fazia por seu intermédio. A partir
de então, passamos a rezar em nossa Comunidade, todas as noites,
o Santo Rosário. Nas segundas-feiras, fazemos Adora-ção
ao Santíssimo Sacramento e, nas sextas-feiras, veneração
à Santa Cruz.
Em janeiro de 1999, a Capela Nossa Senhora de Fátima foi transformada
em Paróquia. Dom Agostinho, Bispo de Luziâ-nia, nomeou Pe. Simão
como primeiro pároco da nova Paróquia. Com a presença
do dinâmico pároco e com a ajuda das responsáveis pela
catequese da Igreja, enviamos nesse ano em torno de 200 crianças para
as aulas de catequese. Nesse ano, também, incrementamos as aulas de
reforço escolar e ministramos o primeiro curso para alfabetização
de adultos. Em sua visita pastoral à Paróquia Nossa Senhora
de Fátima, em julho de 1999, Dom Agostinho celebrou para nós
a Missa do dia 25 daquele mês.
No Natal de 1999, conseguimos a doação
de brinquedos e lanche para aproximadamente 300 crianças. Por causa
da chuva, a festa foi realizada no nosso salão, com a animação
de Cleusa e Célia, peregrinas de Mediugórie e colaboradoras
da Comunidade.
Nesse ano, as aulas de reforço
escolar foram ministradas, com bons resultados, por Lília, Elisângela
e Ana Paula.
Tendo em vista a carência de
salas, iniciamos, em abril de 1999, a construção de prédio
com amplo salão e 10 salas de aula. Sua inauguração ocorreu
em março de 2000.
Com a contratação de
5 professoras, pudemos atender, nesse ano, cerca de 400 crianças para
as aulas de reforço es-colar e pré-escolar.
Em julho, com a colaboração
do casal João e Maria Aparecida Paganini, realizamos uma animada festa
junina com a participação de aproximadamente 1.000 pessoas (alunos
e seus familiares).
No mês de outubro, a semana da criança foi
comemorada com animadas gincanas e diversos tipos de brincadeiras, or-ganizadas
pelas professora Elisângela, Ana Paula, Adriane, Juliana e Meyre.
Os benfeitores da Comunidade, Eugênio
e sua esposa Maria Aléssia, patrocinaram o Natal das crianças
do ano 2000, com a distribuição de lanche e brinquedos para
mais de 700 crianças.
O ano letivo de 2001 teve início com mais de 600 crianças
inscritas para as aulas de reforço escolar e pré-escolar.
No dia 24 de fevereiro de 2001 (sábado,
dia dedicado pela Santa Igreja a Nossa Senhora), ficou definitivamente em
nossa Capela, com autorização do nosso Bispo, o Santíssimo
Sacramento.
Nestes últimos meses, muitos peregrinos de Mediugórie,
grupos de diversos movimentos da Igreja católica, inclusive de outros
Estados, têm vindo à Comunidade para uma experiência
de oração nos moldes de Mediugórie (reza do terço,
ado-ração ao Santíssimo Sacramento, palestras sobre
as aparições), conhecer a Comunidade e prestar sua colaboração.
"Agradeço-lhes por cada
sacrifício que vocês ofereceram. Agora, exorto-os a oferecerem
cada sacrifício seu com amor. Desejo que vocês, embora desprovidos
dos meios, comecem a ajudar os outros com confiança; e o Senhor lhes
dará, também, a Sua confiança. Obrigada por terem correspondido
a Meu apelo."