Mediugórie - Eco 147
Junho de 1998 - N. S. Rainha da Paz
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.05.98
Queridos filhos! Hoje convido-os a se prepararem, através da oração e do sacrifício, para a vinda do Espírito Santo. Filhi-nhos, este é um tempo de graça e, por isso, convido-os, novamen-te, a decidirem-se por Deus-Criador. Permitam-Lhe que os transforme e os mude. Que o co-ração de vocês esteja pronto a escutar e a viver tudo aquilo que o Espírito Santo tem em Seu projeto para cada um de vocês. Filhinhos, permitam ao Espírito Santo conduzi-los pela estrada da verdade e da salvação rumo à vida eterna. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
Deixem-se transformar pelo Espírito Santo
Esta mensagem aparece como uma preparação para Pentecostes. É, tam-bém, uma orientação prática para este tempo de graça, que abrange o Ano dedi-cado ao Espírito Santo e, de maneira sin-gular, os 17 anos de aparições diárias de Maria sobre a Terra. Deve-se notar que Nossa Senhora não nos convida a pedir, mas a preparar a Vinda do Espírito, por-que nesta festa Ele realmente vem. Toda festa é momento especial de graça.
Aqui Nossa Senhora mostra a iniciati-va do Espírito Santo, a Quem devemos sim-plesmente acolher com presteza, como dom exclusivo de DEUS, permitin-do-Lhe operar em nosso íntimo. É real-men-te Espirito Criador, como canta o hino de Pentecostes, porque cria em nós no-vas disposições, um novo ser espiritu-al, que pode dirigir-se a Deus chamando-O Pai (Rom 8,15), que pensa como Deus (1Cor 2, 10.13), que ama como Deus (Rom 5,5), que produz frutos divinos: "mi-se--ricórdia, bondade, humildade, doçura, pa--ciência" (Col 3,12). Por isso, rezamos: "Criai em mim, ó Deus, um coração puro".
Decidam-se por Deus-Criador, isto é, decidam-se a deixar que Deus opere em vocês. Como? Através da sua Pala-vra, dos sinais, das inspirações, das pes-soas, dos acontecimentos. Porque Ele tem um projeto para cada um de vocês. A insistência com que Maria convida: Permitam que o Espírito Santo os transforme... e os conduza pela estra-da da verdade (cf. Jo 14,26) é sinal que Ela vê a resistência que oferecemos à sua obra, apegados que somos aos nos-sos programas de vida, até mesmo espi-rituais, ou pior, aos nossos pecados ou maus hábitos. Mas Ele deseja fazer em nós algo diferente: transformar-nos, como fez com os Apóstolos que, depois de Pentecostes, deixavam surpresos até mesmo os pertencentes ao Sinédrio pela sua segurança, pois eram homens sem estudos e sem instrução (At 4, 13). Não se pode imaginar a mudança e a cora-gem que o Espírito Santo é capaz de operar no homem, Ele que projetou e deu ordem ao universo, e de pobres criaturas tem feito santos. O mesmo pode operar também em vocês, creiam, desde que seus corações estejam preparados. Tudo está na maneira como nos dispo-mos, como os apóstolos no Cenáculo, abrindo-nos à oração, no recolhimento, fechando-nos na cela interior do coração, de que fala S. Catarina, buscando no si-lêncio e presença de Deus.
De forma especial, devemos nos fe-char ao espírito do mundo: vós estais no mundo, mas não sois do mundo (Jo 17, 15-16). Quando se está em meio ao ba-rulho ou distraído, o coração não pode escutar nem viver o que o Espírito Santo inspira. Por isso, devemos fazer cortes em nossos hábitos mundanos, em nossos relacionamentos humanos, no palavrea-do, nas diversões, considerando-os des-prezíveis diante da obra do Espírito. Por acaso não acreditamos que Jesus deseja tornar-nos partícipes de sua alegria ple-na?
Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração, admoesta-nos São Pedro (1Pd 4, 7). A temperança requer sacrifícios que transformam o coração para dar lugar ao Espírito Santo. Sejamos dóceis às vo-zes interiores com que o Espírito nos convida a acolher seus projetos e fa-zer-nos seguir, mesmo sem perceber, seus caminhos de salvação rumo à vida eterna.
Sabemos como o Espírito age onde encontra presente sua Esposa, Ele, que nEla, encontra Deus. Devemos vivenciar Maria e permitir que o Espírito realize em nós seu projeto (S. Luís Maria de Mon-tfort) d. Angelo
NOTÍCIAS DE MEDIUGÓRIE
Pentecostes
Para a festa de Pentecostes, che-gou a Mediugórie um grande número de peregrinos, provenientes do mundo inteiro. Os poloneses e os franceses encontravam-se em maior número. Havia também grupos do Brasil, Ar-gentina, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Filipinas, Hungria, Romênia, Inglaterra, Itália, Bélgica e Ucrânia.
Houve vigília, com adoração ao San-tíssimo Sacramento até à meia-noite.
Convite à perseverança
As estatísticas de que dispomos demonstram que, depois dos anos de guerra, os peregrinos voltam a Mediu-górie em número cada vez maior. Os primeiros meses de 1998 confirmam e evidenciam que a quantidade de pere-grinos está crescendo sempre mais, al-cançando os níveis de 1990, ano de maior afluxo. Não obstante as dificul-dades, o Santuário segue sua vida normal. A todos nós, à paróquia, aos videntes, aos peregrinos, aos organiza-dores de peregrinações, aos sacerdotes que trabalham no Santuário e aos que acompanham os peregrinos, algo de concreto se nos impõe. Isto de forma alguma é novidade, mas deve ser feito de maneira plenamente conscienciosa e sincera.
Nossa Senhora, falando-nos e con-vidando-nos a uma vida cristã, coloca Deus em primeiro lugar e deseja que façamos o mesmo. Ela nos oferece o Seu auxílio e convida-nos a seguir pela estrada da reconciliação, da oração, do jejum e da conversão. O ponto central de todas as Suas mensagens é o Evangelho do seu Filho. Jesus Cristo é o centro. Por isso, as mensagens con-vidam-nos a optar por Deus, a adorar seu Filho, a ler as Sagradas Escrituras, a rezar diante da Cruz, a celebrar a Eucaristia. Nossa Senhora chama nos-sa atenção não sobre Si própria, mas sobre Jesus Cristo.
Esta moral de fé obriga todos nós a ouvir bem o ensinamento religioso de Maria, a olhar para situações concretas e não permitir que acontecimentos me-nos importantes ou secundários assu-mam um significado fundamental. Convido todos os amigos, e aqueles que veneram a Rainha da Paz, a per-severarem, com humildade, no serviço do Reino de Deus nos anos vindouros. Somente neste serviço poderão ser re-alizados os desejos de Nossa Senhora.
Frei Ivan Landeka -Pároco de Mediu-górie
 
Aqui algo de especial acontece
Foram os padres franciscanos que trabalham na minha Diocese em Ontá-rio os primeiros a me falarem sobre Mediugórie. Nos últimos dezessete anos, tenho ouvido falar, e não so-mente deles, que Nossa Senhora apa-rece aqui todos os dias. Para mim era uma descoberta surpreendente, mas não sabia se dava crédito ou não, pois estes acontecimentos ainda não foram reconhecidos oficialmente.
Neste ano, celebro o qüinquagésimo aniversário da minha ordenação sacer-dotal. Um grupo de peregrinos que vi-nha a Mediugórie pediu-me para acompanhá-lo nesta viagem. Para mim foi um belo presente, pois há tempos desejava constatar com os meus pró-prios olhos o que acorre aqui.
Tudo que vi durante a minha per-manência em Mediugórie tocou-me profundamente. É difícil encontrar algo semelhante em qualquer outra parte. Impressionaram-me profundamente a fé das pessoas deste lugar, a participa-ção na Santa Missa e o espírito de sa-crifício. Vi grandes multidões subirem os montes de difícil acesso, confessa-rem-se e rezarem. Chegavam de todas as partes do mundo. É difícil, portanto, chegar à conclusão de que tudo isto acontece por acaso, que Mediugórie seja um lugar normal onde nada acon-tece. Penso que somente a fé pode trazer aqui essas pessoas, uma fé que se torna algo concreto. Tudo isso pode ser comparado a Lourdes ou Fátima. Naturalmente não posso exprimir um juízo definitivo, pois isto compete so-mente ao bispo local. Todavia, em base dos frutos que vejo, posso dizer seriamente que algo de especial acon-tece neste lugar. Não são os francisca-nos que atraem as pessoas. Na minha paróquia também há franciscanos, mas ali nada acontece de especial. É Deus Quem conduz essas pessoas até aqui.
Com freqüência, tenho falado com pessoas que vieram a Mediugórie. Al-gumas já vieram até mais vezes, não obstante a longa e dispendiosa viagem. Essas pessoas têm testemunhado sua fé com um renovado ardor. Deus, em seus corações e nos corações dos ou-tros, por meio de sua Mãe, faz brotar uma nova esperança. Acredito que Nossa Senhora verdadeiramente apa-rece aqui. De outra forma, não saberia explicar o fenômeno que se vive neste vilarejo. Não é possível que seja ação de satanás, porque aqui as pessoas re-zam. Igualmente, não pode ser uma trapaça. Pode-se enganar as pessoas por pouco tempo, não milhões de pes-soas durante dezessete anos. É justa-mente pelos frutos que acredito que neste lugar algo de especial acontece. Não pode haver frutos assim tão bons em uma árvore má.
Observando a vida litúrgica de Me-diugórie, nada vejo de estranho. Esta é a vida normal de todos os dias da Igreja. Celebra-se a Missa como em todas as partes. Ontem à noite tivemos adoração ao Santíssimo Sacramento do Altar. Tudo foi muito simples: pou-cas palavras, alguns cânticos, justa-mente como a Igreja deseja. As pesso-as sentem-se dispostas a passar horas ajoelhadas. Também nós fazemos o mesmo em nossas igrejas, mas as pessoas não vão assim em tão grande número. Por quê? Não poderia respon-der sem dizer que aqui Deus se encon-tra presente de forma especial.
Gostaria que a Paróquia de Mediu-górie continuasse ainda dando teste-munho da sua fé por meio da oração e do jejum. Se ela estiver disposta a res-ponder ao convite de Maria, será tam-bém mais fácil para nós que chegamos aqui de todas as partes do mundo. Sua responsabilidade é realmente muito grande. Espero que esteja à altura e permaneça simples como agora. Mui-tos peregrinos que vêm aqui levam em seus corações a lembrança da fé e da hospitalidade que conheceram na Pa-róquia de Mediugórie. É uma grande honra para esta Paróquia que Nossa Senhora a visite de forma especial e lhe fale em língua croata. Espero que essa Paróquia e todo o povo croata jamais perca de vista o que acontece aqui. Mediugórie, abril de 1998
Dom Gerard Dinon, Bispo do Canadá.
Press Bulletin
Isso parte o meu coração!
A pequena Roxanne, de 6 anos e meio, passou a semana da Páscoa em Mediugórie com um grupo de crianças trazidas pela irmã Sabine, da nossa Comunidade. Um dia, a Irmã contou a Roxanne a história de Nossa Senhora de Fátima. A criança, vendo a estampa em que Maria mostra seu Coração cer-cado de espinhos, ficou impressionada e chorou de pena: "Oh, não! Isso parte o meu coração!" Quando ela voltou para a pensão naquela noite, sua mãe, sem saber que naquela manhã a filha ouvira a história, deu-lhe de presente o livro de Fátima com a fita cassete. O resto da semana Roxanne passou ou-vindo a fita e, no final, disse a irmã Sa-bine: "Não quero que Nossa Senhora tenha mais espinhos em seu Coração. Vou fazer sacrifícios para tirá-los dEla!"
Meu sacerdócio nasceu em Mediugórie!
Enviado a Mediugórie para provar que Nossa Senhora não aparece ali, Frei Salvador, sacerdote mexicano, pensava que, através de declarações negativas, poderia apagar o entusias-mo dos mexicanos por aquele Santuá-rio. Mas não previra o amor maternal com que Maria tomaria conta dele, aproveitando-se dessa sua missão "anti-Gospa". Logo que chegou a Me-diugórie, Frei Salvador viu-se obrigado a admitir que tudo que encontrara eram provas e mais provas de que a Mãe de Deus estava realmente presente, tra-balhando nos corações com uma força jamais observada antes. Em poucos dias, o sacerdote estava profunda-mente transformado, a ponto de dizer: "Meu sacerdócio nasceu em Mediugó-rie!"
Uma vez de volta ao México, deu um testemunho muito positivo, surpre-endendo a igreja local. Quando soube que ele desejava implantar em sua pa-róquia um programa diário de oração, semelhante ao da Igreja de São Tiago em Mediugórie, o seu bispo disse: "Boa sorte!". Agora, para admiração de to-dos, sua grande igreja realmente ga-nhou vida e está sempre cheia, é até muito pequena para acolher a todos que chegam para rezar. As Santas Missas são celebradas uma após a ou-tra, a cada hora, mesmo durante a se-mana. Observe-se que sua paróquia é grande e possui apenas 2 sacerdotes! Em sua mais recente peregrinação deste ano, rezava diante da imagem de Nossa Senhora, em Tihálina. Enquanto confiava sua paróquia às mãos de Ma-ria, dizia-Lhe: "Quero-A em minha igreja! Desejo uma imagem igual a essa! A Senhora sabe, não tenho di-nheiro nem sei onde adquiri-la. Por isso, Mãe, o problema é da SENHORA!"
Dois meses mais tarde, no dia 1º de maio, um caminhão veio fazer uma entrega... Era uma imagem de Nossa Senhora, igualzinha à de Tihálina! O que aconteceu foi o seguinte: enquanto Frei Salvador rezava em silêncio, uma senhora teve, em seu coração, a gran-de inspiração de oferecer uma imagem igual àquela a sua igreja no México. Ela tinha o dinheiro e sabia onde en-contrá-la. E eis que chega a Gospa, fa-zendo Sua entrada para iniciar o mês de Maria!
Dentre muitas outras bênçãos, muitas vocações para o sacerdócio já começaram a florescer naquele novo oásis de paz. Irmã Emmanuel
Oásis da Paz
A segunda casa da Comunidade mariana "Oásis da Paz", no Brasil, foi aberta em João Pessoa (PB), no início de maio/98. Além do seu fundador, Pe. Gianni Sgreva, esteve presente tam-bém Pe. Slavko, de Mediugórie. Após permanecer alguns dias na casa da Comunidade, em Quixadá (CE), Pe. Slavko retornou à Itália, passando por Recife.
Procurar a face do Senhor
Iélena Vasili aos peregrinos italia-nos, em 2 janeiro de 1998. Anotações de Alberto Bonifácio.
... A minha experiência é diferente daquela dos outros videntes. Eu não tenho aparições como os outros seis videntes. No entanto, neste tipo de ex-periência pode-se falar também de vi-são, de uma certa forma. Mais do que tudo, é o dom de uma presença forte de Nossa Senhora durante a oração... Diríamos que é uma experiência do coração, porque não é apenas uma idéia ou um pensamento que vem à nossa mente, mas verdadeiramente uma pessoa.
Como para encontrar o outro é pre-ciso sempre usar o coração, de outra forma o encontro permanece muito su-perficial, assim também acontece com relação a Deus, com esta experiência na oração. O coração, verdadeira-mente, é envolvido e, assim, podemos falar de uma locução interior.
Essa experiência iniciou-se um ano e meio depois do início das aparições. Primeiramente apareceu um Anjo e, depois, Maria. A experiência com o Anjo vejo-a agora como uma prepara-ção para o que veio depois, até porque as primeiras palavras do Anjo me pare-cem agora muito significativas: primei-ramente pediu-me a confissão, por-tanto, uma pureza do coração para conseguir ver.
Penso que o primeiro passo para uma vida cristã seja pedir perdão. Em seguida, Nossa Senhora nos ensinaria também a rezar. Quando nos coloca-mos diante de Deus, devemos pedir perdão, pedir misericórdia, primeiro passo rumo à conversão. Depois, du-rante uns quinze dias, ouvi também Nossa Senhora e, algumas vezes, também Jesus.
Outra menina, Mariana, juntou-se ao grupo de oração e também teve essa experiência a partir de março de 1983. No início, ela dizia sentir apenas a presença de Maria, mas, em outubro do mesmo ano, também ela começou a receber mensagens. Penso que é mais ou menos esta a nossa missão: receber essas iluminações, inspirações e, de-pois, transmiti-las ao grupo de oração que Nossa Senhora nos pediu para formar aqui na Paróquia. Éramos uns sessenta jovens e, juntos, procuramos aprofundar e vivenciar as mensagens que Nossa Senhora dava aos videntes, pois essas tinham o mesmo teor da-quelas que recebíamos no grupo. De uma forma especial, foi um caminho de oração. Nossa Senhora sempre coloca a oração em primeiro lugar, porque a nossa vida cristã recebe sua força através deste encontro com Deus. As-sim, se não houver esse encontro com Ele, torna-se muito difícil falar de vida espiritual; porque isso não é um traba-lho nosso. Penso que logo descobrimos que em nossa vida cristã pouco pode-mos fazer, pois é a graça divina que nos conduz.
É por isso que Nossa Senhora nos leva à oração, para que a oração se torne, de fato, uma fonte de graça para o caminho. Leva-nos aos sacramen-tos, porque, somente através da graça, podemos nos aperfeiçoar. A Confissão e a Eucaristia tornam-se o centro de nossa vida cristã. Nossa Senhora tem falado de diferentes tipos de oração. Falou muitíssimo do Rosário. Esta oração é sempre pedida, mesmo de-pois de muitos anos. Parece-me que Nossa Senhora a pede porque o Rosá-rio traz um grande benefício à nossa espiritualidade. Se somos convidados a imitar a Cristo, se somos chamados a nos tornarmos como Ele, nada há de melhor do que o Rosário.
O Rosário é como uma mini-catequese de toda a nossa fé, porque todos os mistérios da fé são meditados e vivenciados através do Rosário. Re-zar o Rosário, penso, faz-nos tornar como Maria, que, como nos lembra o evangelista, "conservava todas estas palavras, meditando-as no seu Cora-ção" (Lc 2,19). Penso que também nós, da mesma forma, somos chamados a conservar estes mistérios em nossos corações através do Rosário.
Nossa Senhora disse que devemos procurar duas coisas. Em primeiro lugar, devemos buscar a face do Se-nhor. Muitas vezes, há o perigo de procurarmos a nós mesmos, de querer até mesmo coisas boas, justas, porém não percebemos que alguém está ao nosso lado. Por isso, Nossa Senhora nos pede para levantarmos o olhar, descobrir Cristo na oração. Dessa for-ma, a oração deve ser cristocêntrica. O segundo passo, porém, é procurar a vontade do Senhor. Depois do en-contro com Deus, torna-se natural per-guntar-nos: o que desejais de mim, Se-nhor? Além do Rosário, Nossa Senhora insiste muito no silêncio, que é uma escuta, um certo momento de passivi-dade, que nos tornará verdadeiramente um dom para o outro, disponíveis a ouvi-lo. Penso que é algo realmente difícil na experiência humana, porque somos propensos a sermos protago-nistas. Penso, contudo, que a oração de escuta nos ensina adorar, compre-ender quem é o verdadeiro Autor da vida.
A penitência acompanha sempre este caminho de oração e torna-se também a oração do corpo. É um ter-mo que quase não se encontra na ter-minologia moderna. Não somos habi-tuados a fazer penitência porque pen-samos que já sofremos muito. Porém, parece que a penitência, principal-mente no momento da preguiça, no momento de um sono espiritual, é jus-tamente aquela que nos sacode, que nos permite novamente tomar fôlego e continuar. Dessa forma, Nossa Senho-ra aqui insiste muito no jejum, princi-palmente aquele a pão e água. Acho que também este tem um grande signi-ficado: viver com este pão material tor-na-se, em um certo sentido, a espera daquele Pão verdadeiro que recebe-mos na Eucaristia. Por isso, uma inter-pretação eucarística desta forma de jejum me parece a mais correta.
Síntese de algumas respostas às perguntas feitas pelos peregrinos
Conheço pouco os grupos de Roma, pois os estudos que faço ali não me permitem muito tempo livre. Reúno-me com um grupo de amigos para rezar o Rosário.
A espiritualidade de Mediugórie não é um movimento. E aí está a sua bele-za. Não sendo um movimento particu-lar, todos podem dele participar. Agra-da-me muito a universalidade da Igreja e, dessa forma, não me sinto aqui em um movimento definido como tal. Per-tenço a Mediugórie. Talvez seja esta a nossa espiritualidade, a espiritualidade mariana.
É no silêncio e na oração que sinto a presença física de Maria, mas isto não é programado. Quando somos crianças, pedimos sempre: "Mamãe, dá isso, dá-me aquilo". Porém, uma vez amadureci-dos, encontramo-nos na presença do Se-nhor, prontos a acolher aquilo que Ele nos oferece. Mas é preciso o silêncio e a oração contínua para não perder esta presença que nos acompanha no cora-ção. Para se possuir sempre essa pre-sença, é preciso nutrir este tipo de expe-riência, essa oração contínua, com mo-mentos fixos de oração, porque mesmo se há uma presença que nos acompanha (a de Deus), essa, se não for cultivada, desaparece. Por isso, precisamos rezar em momentos prefixados.
Com relação a grupos de oração, nunca elaborei um trabalho baseado no que vivenciei. Diria somente que o grupo de oração me parece uma experiência quase inevitável para um crescimento espiritual. Não é possível imaginar um caminho solitário com o Senhor. Deus nos chama a uma comunhão com os ou-tros. Dessa forma, somos sempre cha-mados a estar em um grupo de oração. Este poderá ser a família. Aliás, a família deveria ser o primeiro grupo de oração, ali onde nos é oferecida a primeira espi-ritualidade. Depois, a nível de paróquia, porque esta é a nossa Igreja imediata, existindo na paróquia diferentes grupos. Falo apenas da necessidade. A maneira, no entanto, depende do tipo de espiritua-lidade que possuem.
O Rosário é sempre muito útil e tam-bém as orações espontâneas. A leitura da Bíblia é importante porque a nossa oração não deve ser arbitrária, mas deve possuir um conteúdo preciso, que nos foi revelado, não como nas religiões orien-tais onde a mente pode sempre vagar. Devemos apoiar-nos no Evangelho. Em seguida, precisamos ter um momento para trocar as nossas experiências, para encorajar-nos mutuamente no caminho espiritual que é uma comunhão em Cris-to, mas também uma verdadeira comu-nhão entre nós.
Não é muito difícil discernir quem nos fala durante a locução interior. A pre--sença de Deus sempre nos traz mui--ta paz e calma, sentido de liberda-de e de plenitude. A presença do inimi-go, pelo contrário, traz angústia e trevas.
Atualmente, ainda tenho locuções interiores, porém não mais tão fre-qüentes como no início.
Com relação aos meus estudos, de-sejei levar esta experiência espiritual tam-bém para o nível intelectual, porque o in-telecto faz parte integrante da nossa pes-soa humana. Antes, diria, se começa-rem um caminho, procurem interessar-se um pouco por aquilo que diz a Igreja, o Ma-gistério, pois temos necessidade de uma orientação. Não somos auto-su-ficientes, e Cristo não nos quis assim. É claro que Deus desejou uma Igreja, uma hierarquia, um Papa. É belíssimo introdu-zir essa experiência na experiência de toda a Igreja, porque todos estes dons são para o crescimento da Igreja. Enfim, estar em Roma é algo especial, porque ali se encontra o coração da Igreja.
Nos grupos de oração, a orientação de um sacerdote é extremamente im-portante. As pessoas têm necessidade de uma orientação, ainda que neste mundo todos clamem por "liberdade e indepen-dência". Quando faltam orientadores, prendemo-nos a muitas coisas erradas. Há necessidade de quem nos leve adi-ante, principalmente os jovens. É neces-sário haver alguém que consiga oferecer um pouco de luz. Não digo que ele deva caminhar por você, pois isto seria negati-vo. Nossa Senhora em Mediugórie sem-pre tem pedido um diretor espiritual para o grupo.
 
Ajoelhe-se e confesse-se!
Numa tarde de outubro de 1886, Charles de Foucauld, elegante oficial que retornava da África, apresentou-se ao Padre Huvelin, em Paris:
"Padre, não tenho fé. Peço-lhe que me oriente."
Padre Huvelin olhando-o, disse: "Ajoelhe-se. Confesse-se a Deus. Creia."
"Mas eu não vim para isto!"
"Confesse-se."
Ele ajoelhou-se e confessou toda a sua vida. Assim também fazia o Santo Cura d´Ars com aqueles que se apre-sentavam a Ele para contar suas crises de consciência.
Quando o abade via o penitente le-vantar-se absolvido, perguntava: "Você está em jejum?" "Sim". "Então venha comungar!"
Assim Charles de Foucauld fez a sua ´segunda primeira Comunhão´.
Deus o havia atraído e feito cativo. A partir daí, a vida do ex-oficial seria intei-ramente incendiada pelo Senhor. Desco-briria, depois, que sua vocação era o de-serto.
Construiria um eremitério no centro da Argélia, e ali passaria a vida em penitên-cia e oração pela conversão do mundo muçulmano. Morreria assassinado du-rante uma revolta em Tamanrasset.
Durante vinte e sete anos, não dormiu sequer uma noite na cama. Dormia numa esteira no chão, num caixão, no assoalho da igreja.
Numa manhã, um oficial dos Caçado-res da África, amigo seu, tendo-se le-vantado bem cedo para ir ao eremitério, encontrou-o deitado ao abrigo de um muro inacabado.
"Mas o que é isso? Não dorme mais na capela?"
"Não" - respondeu. _
"Mas me disse que estava tão bem lá!"
"É justamente por isso que me mudei."
Pouco tempo depois, escolhia a sa-cristia para dormir. Era tão apertada que não dava para se estender. A quem ten-tava notar a descomodidade, respondia:
"Jesus, na Cruz, não estava estendi-do."
"Perdoa-me se o deixo sozinho - dis-se-lhe um dia um sacerdote que devia ausentar-se."
"Oh! eu nunca fico só."
Algumas palavras suas demonstram a grandeza espiritual verdadeiramente ci-clópica e têm a medida da sua incandes-cência interior: "Viver cada minuto como se tivesse que morrer como mártir esta noite."
O Papa: "O confessor não é um psicoterapeuta"
Em diversas circunstâncias, o Papa falou com veemência sobre a Confissão e, no passado, Ele mesmo ia a S. Pedro atender confissões.
Agora voltou ao assunto, em 21 de março. Ao falar num curso promovido pela Penitência Apostólica, disse que o confessor não é nem pode ser uma alter-nativa ao estudo do psicanalista ou do psicoterapeuta... Este Sacramento é chamado pelos Padres como a segunda tábua de salvação depois do naufrágio (referindo-se às quedas ocorridas depois do Batismo)...
Na verdade, a Confissão perdoa os pe-cados pessoais cometidos depois do Ba-tismo, tanto os mortais quanto os ve-niais... É importante que os fiéis, na Con-fissão, procurem instaurar aquele proces-so interior que leva à paz superior, que con-siste na conformidade à vontade de Deus. É, porém, injustificada a atitude de quem procura no confessor um curador ou um médico, no sentido técnico da pa-lavra. Se o estado de saúde do penitente exigir curas médicas, o confessor não as-suma esse encargo, mas envie o peni-ten-te a competentes e honestos profissionais.
Em seguida, o Santo Padre declarou que, do encontro com a figura de S. João Maria Vianney, em Ars, chegou-se à con-vicção de que o sacerdote realiza uma parte essencial da sua missão através do confessionário, através daquele "fazer-se prisioneiro" do confessionário.
No silêncio do deserto, torna-se mais incisiva a percepção da presença benéfi-ca de Deus, que prepara grandes coisas para quantos estão dispostos a crer nEle e a viver na Sua luz.
João Paulo II, Retiro Espiritual, 7.3.98.
Ao Coração de Jesus (19/junho)
Ó Jesus, agora que já me encontro no vosso dulcíssimo Coração, não desejo separar-me de Vós. Oh! Como é bom e doce habitar em vosso Coração! Vosso Coração, ó bondoso Jesus, é o tesouro valioso, é a pérola preciosa que descobri no segredo do vosso Coração ferido, como no campo lavrado. Quem lançará fora essa pérola? Eu, no entanto, lançarei fora todas as pérolas do mundo...
(São Boaventura)
DIA DA RAINHA DA PAZ - 25 DE JUNHO -
17º Aniversário das Aparições
No dia 6 de agosto de 1981, Nossa Senhora disse que desejava ser conheci-da, nessas aparições em Mediugórie, como A RAINHA DA PAZ.
O dia do aniversário das aparições de Mediugórie é 25 de junho. Foi a própria Nossa Senhora quem comunicou isso aos jovens, em 1982, um mês antes do primeiro aniversário. Ela explicou que o dia 24 foi apenas uma preparação, mas, de fato, o primeiro encontro ocorreu no dia 25 de junho. Foi também neste dia que o grupo dos seis videntes já estava completo.
Nos dias 6 e 13 deste mês partem nossos grupos de peregrinos para partici-par das comemorações dos 17 anos de Aparições diárias da Rainha da Paz em Mediugórie.
Próximos Grupos:
* 29/ago e 5/set - (Exaltação da Santa Cruz) - Diversos programas. Além da Itá-lia e Mediugórie, permitem visitar tam-bém Terra Santa e Santuários da França e de Portugal.
Experiência de Mediugórie
Convidamos todos os Leitores do Eco e amigos de Mediugórie para o 2º En-contro Nacional Servos da Rainha, a ser realizado em Itaici (SP), de 29/out a 1º/nov deste ano. A exemplo do Encontro ocorrido no ano passado em Quixadá (CE), o deste ano objetiva também ofere-cer aos participantes uma experiência da espiritualidade mariana de Mediugórie e o testemunho vivo das pessoas que já vi-sitaram aquela terra abençoada.
A celebração da Santa Missa, as pa-lestras e os exercícios espirituais serão oficiados por Bispo e sacerdote com profundo conhecimento e vivência das mensagens de Mediugórie.
A acomodação será feita, a princípio, em apartamentos e quartos com dois leitos, que já possuem toda a roupa de cama e banho. Para famílias e amigos, há possibilidade de acomodação em apartamentos e quartos com maior nú-mero de leitos.
Os participantes deste encontro deve-rão chegar a Itaici na tarde de quinta-feira (29.10.98). O Encontro termina após o almoço no Domingo (1º.11.98).
Não estão incluídas no valor acima as despesas com passagens, que ficarão a cargo de cada participante.
O custo total do Encontro, por pessoa, será de R$ 155,00 e deverá ser deposita-do no Banco do Brasil, em nome de Ser-vos da Rainha - Brasília - Ag. 0452-9, conta 2.892-4. O valor acima, que tam-bém poderá ser pago parceladamente, cobre as despesas com hospedagem, alimentação completa (café, almoço e jantar) e bebidas não alcoólicas nas refeições, durante todo o encontro.
Cópia do depósito, nome, endereço e número de telefone para contato deverão ser enviados por fax, carta ou comunica-dos por telefone a Servos da Rainha (Brasília). Estas e outras informações po-derão também ser obtidas junto aos Dis-tribuidores do Eco de Mediugórie em seu Estado.
Contribuições
Deposite suas contribuições para ma-nutenção do Eco de Mediugórie no Banco do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha - Brasília.