Mediugórie - Eco 157
Abril 1999 - Ressureição do Senhor
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.03.99
Queridos filhos! Convido-os à oração com o coração. De modo particular, filhinhos, convido-os a rezarem pela conversão dos pecadores, daqueles que traspassam meu Coração e o Coração de meu Filho Jesus, com a espada do ódio e da blasfêmia diária. Rezemos, filhinhos, por aqueles que não querem conhecer o amor de Deus, mesmo estando na Igreja. Rezemos para que se convertam, para que a Igreja ressuscite no amor. Somente com o amor e a oração, filhinhos, vocês poderão viver este tempo que lhes foi concedido para a conversão. Coloquem Deus em primeiro lugar e então Jesus ressuscitado se tornará amigo de vocês. Obrigada, por terem correspondido a Meu apelo.
Rezemos pelos pecadores e para que a Igreja ressuscite no amor
Em seu zelo para com todos os homens, Maria deseja, neste tempo de preparação para Páscoa, que seus filhos se tor-nem, com um esforço redobrado, partícipes da redenção.
1. Na mensagem de fevereiro convidava-nos a meditar com Ela a paixão de Jesus e, com a oferta de nossos sofri-mentos, por meio de Suas mãos, tomar parte nos sofrimentos de Jesus,.
2. Na presente mensagem, convida-nos a levar a sério a conversão dos pecadores que, seja fora ou dentro da Igreja, traspassam seu Coração e o de Jesus, não tanto pela ofensa que causam a Eles, mas principalmente pelo mal que fazem a si próprios, escolhendo a infelicidade para vida presente e a condenação para a futura. Ela bem conhece o amor sem medida com que Deus os ama e o quanto custaram a Jesus e, por isso, não deseja que o Sangue de seu Filho tenha sido derramado por eles em vão.
Mais uma vez pede-nos para rezarmos com o coração, em silêncio, permanecendo debaixo do olhar de Deus para ouvir o que Ele deseja dizer-nos e deixar-nos penetrar pelos seus sentimentos. Assim compreenderemos Seu amor para com os pecadores e rezaremos por sua conversão. Em particular, Ela aponta dois pecados: o ódio e a blasfêmia diá-ria.
A blasfêmia não é somente o ultraje a Deus que muitas pessoas fazem com a boca, mas é também a exclusão pública de Deus, verificada nos acontecimentos e nos projetos humanos. Como conseqüência disso, surgem os enormes dispara-tes que se ouvem circular por toda parte com relação a Deus e Suas leis. Também por causa disso quase não se dá mais importância à blasfêmia individual. A Palavra de Deus, porém, é bem clara: Quando contaram a Moisés que alguém no acampamento tinha blasfemado, ele perguntou a Deus o que fazer: seja lapidado, foi a resposta (Lev 24, 14s). Ó tu que blasfemas, é assim que pagas ao teu benfeitor?
O ódio é uma conseqüência da nossa ignorância de Deus Pai e de Seu amor para com todos. O ódio cria discórdia e nada enxerga, a ninguém enxerga, disse-nos Maria em 31.7.86, isto é, cega o homem a ponto de não ver mais nem o bem nem o mal, até às últimas conseqüências. Ela, com certeza, vê, angustiada, a guerra e o genocídio em Kôssovo. Ó ódio gera conflitos, lutas sociais e divisões incuráveis até nas famílias. Vejamos, também, com que facilidade hoje se mata. Próximo ao ódio está também a falta de aceitação de uns para com os outros, a inveja e o ciúme. O perdão é o grande remédio com que a graça de Deus pode ser restabelecida. Mostrai, ó Pai, aos ateus, aos incrédulos e aos blasfemadores vosso amor por eles.
Rezemos, filhinhos, por aqueles que não querem conhecer o amor de Deus, mesmo estando na Igreja. Há tam-bém os "distantes" que não conhecem o amor de Deus (disse Nossa Senhora a Miriana). Existem aqueles que, na Igreja, não querem conhecer o amor de Deus, contentando-se com uma adesão formal, ou até empenhando-se socialmente, mas sem dar um passo para a conversão do coração: essa gente honra-me com os lábios, mas seu coração está distante de mim. Qual é o motivo? Evitamos o amor de Deus porque ele é exigente em todos os sentidos: para conosco e para com os outros. Até mesmo as aparições são rejeitadas porque são um profundo apelo à conversão, enquanto nos senti-mos bem assim como nos encontramos. E assim permanece o gelo de um relacionamento convencional, descomprometi-do, entre os cristãos, membros do mesmo corpo. Neste caso, que sinal somos para o mundo, quando os cristãos se reco-nhecem somente pela maneira como se amam? Onde está o fogo que Jesus veio acender sobre a terra?
Rezemos para que se convertam, para que a Igreja ressurja no amor. Palavras severas assim jamais dissera. São um estímulo para cada um. Se cada um de nós ressurge, a Igreja toda ressuscita.
Este tempo nos foi concedido para a conversão,  repete Maria junto com o apóstolo Paulo (cf. Rom 2,5). Somente o amor é fim e prova da conversão. Somente com amor e oração podemos viver este tempo de graça. Coloquemos Deus em primeiro lugar e tudo isto virá por acréscimo. Aí seremos verdadeiramente ressuscitados e a Igreja ressuscitará por meio de nós!
                                     Pe. Angelo
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NOTÍCIAS DE MEDIUGÓRIE
Últimas
Cresce, a cada dia, o número de peregrinos que chegam a Mediugórie. Na Festa da Anunciação, 25 de março, havia grupos da Alemanha, das Repúblicas Theca e Eslováquia, Itália, Polônia, Coréia, França, Inglaterra e Estados Unidos.
Aqui em Mediugórie, como sempre, tudo está calmo e em paz. Os conflitos na Sérvia, Kóssovo e Macedônia não atin-gem nossa região, porque são lugares distantes daqui. Roguemos a Deus que esses conflitos logo terminem e que a paz possa se estender a todos os povos.
Atualmente, encontram-se em Mediugórie Iákov, Miriana e Ivanka. Vicka regressou de Roma e voltou a receber os pe-regrinos. Maria Pavlovic está na Itália e Ivan encontra-se ainda nos Estados Unidos. Esperamos que pela Páscoa todos estejam aqui.
Como todos sabemos, Miriana tem sua aparição anual de Nossa Senhora no dia 18 de março, data do seu aniversário natalício. Desde o Natal de 1982, ela não tem mais as aparições diárias, mas Nossa Senhora prometeu aparecer-lhe uma vez por ano, pelo resto de sua vida. Para esse encontro anual, a Gospa escolheu o aniversário de Miriana.
A aparição desse 18 de março durou 6 minutos, das 10h14 às 10h20. Muitas pessoas estavam reunidas em oração no pátio da Comunidade Cenáculo, de Irmã Elvira. Miriana contou-nos que Nossa Senhora falou-lhe sobre os segredos, os quais continuam ainda sendo segredo para nós. Por causa dos incrédulos, Nossa Senhora chorou durante a aparição. Ela abençoou as pessoas presentes e deu a seguinte mensagem através de Miriana:
Queridos filhos! Desejo que confiem a Mim seus corações, a fim de que eu possa levá-los pela estrada que conduz à luz e à vida eterna. Não desejo que seus corações errem nas trevas de hoje. Eu os ajudarei. Eu estarei com vocês nesta estrada em que se descobre o amor e a misericórdia de Deus. Como Mãe, peço-lhes que Me permitam fazê-lo. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
A mensagem repetida aqui com muita freqüência não é somente a oração, mas também a abertura e a oferta de nos-sos corações a Deus e a Maria. Sabemos que só podemos nos abrir e  oferecer nossos corações quando amamos e confi-amos em alguém. Amor e confiança somente crescem quando dispomos de tempo para com a outra pessoa. É da mesma forma com relação a Deus e a Maria. Quando nos decidimos a rezar e reservamos tempo para a oração, aí começa a abertura do coração e Deus concede-nos o primeiro impulso para essa abertura. Cabe a nós cooperar ou não. Maria, como Mãe, deseja conduzir-nos à luz e à vida eterna. Ela também, como toda boa Mãe, oferece-Se como guia para tirar-nos da escuridão e conduzir-nos para a luz. A luz de Deus está sempre em destaque na Bíblia. Disse Jesus: "Eu sou a luz do mundo." Escuridão é conseqüência do pecado e é onde cresce o mal. Maria deseja tirar-nos do mal em que caímos por causa de nossos pecados e por causa dos pecados dos outros. Ela deseja conduzir-nos para a luz de Deus. Nunca deve-mos perder a esperança, pois o caminho distante do pecado é possível para cada um de nós. Quando pensamos sobre a face escura do mundo atual, pensamos logo nas guerras, no ódio, na destruição interminável, no álcool e nas drogas, nos abortos e eutanásia legalizada, e em  toda a falta de respeito pela vida e pela natureza. Todas elas são faces negativas dos tempos atuais em que vivemos. Ao olharmos nosso interior, percebemos apenas o mal e não conseguimos ver aí o bem existente. O lado escuro em nós também prospera quando, ao vermos o que há de bom nos outros, deixamos de agradecer e louvar a Deus por eles e não ressaltamos seus pontos positivos, mas os negativos Quando os acusamos com freqüência, não conseguimos aprender como perdoar. Realmente precisamos escutar Nossa Senhora no momento atual e estender nossas mãos para Ela, a fim de que nos ajude a sair da escuridão, conduzindo-nos para a luz. Ela deseja, ur-gentemente, acompanhar-nos pela via em que encontraremos o amor e a misericórdia de Deus.
Desde o dia 2 de agosto de 1987, Nossa Senhora reza com Miriana todos os meses por aqueles que não crêem, isto é, por aqueles que ainda não experimentaram o amor de Deus. Essa é uma das primeiras intenções de Nossa Senhora. Ela própria oferece-Se como nossa guia e mestra nesse caminho de conversão. No final da mensagem confiada da Miriana, Nossa Senhora chega, inclusive, a nos pedir permissão para desempenhar a função de nossa guia. Aqui Ela, de fato, está tocando o problema de nossa liberdade. Ao homem foi dado o dom da liberdade e, nessa liberdade, podemos realmente descobrir o grande segredo do comportamento humano. Por um lado, cada ser humano anseia profundamente pelo que Deus está oferecendo a nós aqui, através de Maria: amor, misericórdia, luz, eternidade, liberdade de todas as dependênci-as e de toda escuridão - e ainda, por outro lado, o homem pode dizer "não" a Deus e procurar sua própria versão de amor, alegria  e realização em falsos caminhos e em falsos deuses, e, como efeito lateral, agindo dessa forma, ele pode até mesmo destruir-se completamente. Deus está nos pedindo, por meio de Maria, para Lhe abrirmos nossos corações e para confiarmos a Ele nossa liberdade. Ele jamais nô-la arrebatará e não é algo impossível de fazermos. Quando Lhe confia-mos toda nossa liberdade, tornamo-nos capazes de viver nossa liberdade no amor. Isto é, portanto, a maior conquista hu-mana. A pessoa que se reconhece como ser livre é alguém que reconhece poder sempre continuar crescendo no amor, esperança, caridade, misericórdia e fé. Agindo assim, oferece-se aos outros com amor. Tal pessoa tem alcançado o mais sublime objetivo e a mais completa realização possível nas experiências da vida.
Frei Slavko (Mediugórie - 27/Mar/99)
A Peregrinação
A peregrinação tem sempre assumido uma função de suma importância na vida dos cristãos, e não somente destes. O povo de Israel considerou e sentiu sua saída da escravidão do Egito como uma peregrinação particular. Jesus foi, muitas vezes, em peregrinação a Jerusalém. A Igreja vê seu caminho no tempo, até o momento da segunda vinda de Jesus, como um percurso de peregrinação e define-se como povo em marcha. De repente, cristãos de perto e de longe dirigem-se à Terra Santa para conhecer os lugares do nascimento, morte e ressurreição de Jesus. Até nossos dias, a peregrinação tem sido parte essencial da praxe cristã.
No curso da História, os locais de peregrinação têm se alterado, com o surgimento de novos pontos procurados por pe-regrinos. Com o evoluir da sociedade e o progresso da técnica, até os meios de transporte têm sido alterados. Além das peregrinações a pé, estão sendo utilizados sempre mais os novos meios de transporte. Em meio a essas mudanças, co-meçou-se a negligenciar a particularidade do peregrinar. A Igreja percebeu isso e procurou devolver à peregrinação sua função inicial. O homem dos nossos tempos viaja muito e vai longe, daí o perigo de que seu peregrinar se torne apenas uma viagem agradável.
O documento da Santa Sé, de 1998: "A peregrinação rumo ao Grande Jubileu do ano 2000" é uma orientação teológica e pastoral para as peregrinações. No final do segundo milênio, recomenda-se aos cristãos irem em peregrinação aos luga-res em que se vive uma proximidade de Deus. Em nossa época, a paróquia de Mediugórie é um desses lugares e, como tal, está protegida. É dever de todos defender no Santuário da Rainha da Paz o que, há muitos anos, atrai uma multidão de peregrinos a Mediugórie.
Frei Ivan Landeka, OFM
Pároco de Mediugórie, 24.03.99
DECLARAÇÃO
Examinamos o documento da Santa Sé: A peregrinação rumo ao Grande Jubileu do ano 2000", e as peregrinações aos grandes santuários marianos, com particular referência às peregrinações para Mediugórie. Conscientes do fato de que o peregrinar se reveste de um fundamental importância na vida dos fiéis, desejamos conceber de uma maneira ainda me-lhor nossas peregrinações e fazer de tal forma que elas sejam realmente ocasião e motivo para uma edificação espiritual do peregrino, para um aprofundamento da vida religiosa e um guia do seu caminho existencial rumo a Deus.
Recomendamos, portanto, o que se segue, a todos os centros de Mediugórie e aos grupos de oração:
- participar, com suas igrejas locais, do programa de peregrinação do grande Jubileu do ano 2000;
- preparar, seguir e desenvolver, à luz do mencionado documento da Santa Sé, peregrinações a Mediugórie, de forma que os peregrinos possam viver um "silencioso e recolhido encontro com Deus e consigo próprios", de forma particular no sacramento da reconciliação e na celebração eucarística.
(Participantes do Retiro formativo e de Oração, realizado em Neum, Bósnia-Herzegovina, de 28 de fevereiro a 5 de março, de 1999).
Press Bulletin (Paróquia de Mediugórie)
Para Sacerdotes
O quarto Retiro Internacional para Sacerdotes será realizado em Mediugórie de 30 de junho a 6 de julho deste ano, com o tema "O Sacerdote a serviço da vida". Nesses retiros, um grande número de padres têm encontrado a renovação de seu sacerdócio! Inscrições no Information Center da Paróquia de Mediugórie: tel. 00 387 88 651 988 ou fax 00 387 88 651 888.
Dê um sinal, se deseja viver
No verão de 1977, Frei Tim Deeter trabalhava como capelão do Hospital São José, em Milwaukee, Estados Unidos. Vi-sitava os doentes, confortava-os e levava a Santa Comunhão. Percebendo como eram deixados em total solidão os que se encontravam em estado de coma, sentiu-se tocado a ficar algum tempo com eles. Tinha conhecimento de que, nos ca-sos de coma profundo, a audição seria o último dos 5 sentidos a ser perdido. Por isso, falava em alta voz a essas pessoas doentes, na esperança de que pudessem ouvir e responder. Dirigia-lhes algumas palavras de conforto e falava-lhes sobre a Ressurreição de Cristo, de acordo com o Evangelho.
Um desses doentes era uma jovem mantida viva graças aos aparelhos. Seu nome era AltheaTurner. Certo dia, Frei Tim descobriu que o Hospital, por falta da camas, ia desligar os aparelhos dessa jovem, já que se encontrava em coma por muito tempo. Percebendo isso, dirigiu-se ao quarto de Althea, a fim de informá-la sobre o que estava acontecendo. Colocando as mãos sobre as suas, disse-lhe: "Descobri que eles vão desligar os aparelhos que têm mantido você viva. Se você não deseja que eles interrompam sua vida, estou pronto para ajudá-la, mas peço-lhe um sinal. Se você apertar mi-nha mão, compreenderei que você deseja continuar viva."
Sua mensagem foi tão bem ouvida, que Althea imediatamente apertou com força a mão de Frei Tim. Você pode imagi-nar a emoção daquele momento! O padre então disse a Althea: "Obrigado. Agora estou convencido de que você deseja continuar viva, mas não sei se consigo convencer o pessoal do hospital. Vou procurar uma enfermeira e pedir-lhe que se-gure sua mão. Agora escute. O que você fez com a minha mão, faça-o novamente com a dela!" Althea apertou a mão da enfermeira com tanta força que ninguém poderia duvidar que aquela mulher lutava pela vida.
Frei Tim acrescentou que, muitos dias mais tarde, Althea Turner teve alta do hospital e voltou a sua vida normal.
Quão grande ato de misericórdia cuidar daqueles que estão abandonados e já sem vida! Para Althea, a ajuda chegou a tempo.
A boa nova é que cada um de nós pode também ajudar a viver quem está espiritualmente morto ou cuja alma encon-tra-se em coma!
Em abril de 1989, Nossa Senhora disse ao grupo de oração de Mediugórie: "Meu amor por vocês é tão grande, que di-ficilmente poderão compreendê-lo. Quão grande é meu desejo de salvar cada um de meus filhos. Vocês só poderão com-preender através da oração e de um abandono completo a Deus."
Indulgências
A título meramente informativo, transcrevemos, a seguir, alguns trechos extraídos do "Manual de Indulgências, Normas e Concessões", editora Paulus, e da revista "Pergunte e Responderemos", nº 442. Para uma informação completa, reco-mendamos a leitura destas duas obras.
Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.
São enriquecidas de indulgências as principais orações e obras de piedade, caridade e penitência que ajudam os fiéis na satisfação das penas merecidas por seus pecados e impulsionam a um maior fervor de caridade.
A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados.
Ninguém pode lucrar indulgências parciais ou plenárias em favor de outras pessoas vivas.
Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-la aos defuntos como sufrágio.
O fiel que, ao menos com o coração contrito, faz uma obra enriquecida de indulgência parcial, com o auxílio da Igreja, alcança o perdão da pena temporal, em valor correspondente ao que ele próprio já ganha com sua ação.
Os Bispos podem conceder indulgência parcial aos fiéis confiados ao seu cuidado e dar a bênção papal com indulgên-cia plenária, segundo a fórmula prescrita, cada qual em sua diocese, três vezes ao ano, no fim da missa celebrada com especial esplendor litúrgico.
A indulgência anexa ao uso de objeto de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) só cessa quando o mesmo objeto acabe inteiramente ou seja vendido.
Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar-se em es-tado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas. Deve também ter intenção, ao menos geral, de ganhar a indulgên-cia e cumprir as ações prescritas, no tempo determinado e no modo devido, segundo o teor da concessão.
A indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia.
Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem-se a execu-ção da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comu-nhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice (1 Pai Nosso e 1 Ave Maria, podendo os fiéis acrescentar outras orações conforme sua piedade e devoção).
Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária.
A confissão sacramental pode ser efetuada alguns dias antes ou (se não houver pecado grave) depois da obra indul-genciada. A Santa Comunhão, porém, e a oração pelo Sumo Pontífice deverão ocorrer no dia mesmo em que se realizar a obra.
Proposições doutrinárias:
1. Todo pecado acarreta a necessidade de expiação ou reparação.
O amor de Deus, num cristão, pode coexistir com tendências desregradas e pecados leves (ao menos, semidelibera-dos). Há, sim, em todo indivíduo humano, um lastro inato de desordem: egoísmo, vaidade, amor próprio, covardia, negli-gência, moleza, infidelidade... acham-se tão intimamente arraigados no interior do homem que chegam, por vezes, a acompanhar as suas mais sérias tentativas de se elevar a Deus e dar a Ele o lugar primacial que lhe toca na criatura. A psicologia das profundidades ensina que essas tendências nem sempre são conscientes, mas muitas vezes atuam em nosso subconsciente ou inconsciente.
Todo pecado (principalmente quando grave, mas também a falta leve) deixa na alma resquício de si ou uma inclinação má (metaforicamente... deixa uma cicatriz, deixa um pouco de ferrugem na alma, dificultando-lhe a prática do bem). Com efeito, o pecado implica sempre uma desordem. Quando, após o pecado (grave ou leve), a pessoa se arrepende e pede perdão a Deus, o Pai do céu perdoa (o Senhor nunca rejeita a contrição sincera). Mas o amor do pecador arrependido, por mais genuíno e leal que seja, pode não ser suficiente para extinguir todo resquício de amor desregrado, egoísta, existente na alma. Em conseqüência, o pecador arrependido recebe o perdão do seu pecado, mas ainda deve libertar-se da desor-dem deixada pelo pecado em sua alma; quantas vezes se verifica que, mesmo após uma confissão sincera e contrita, o cristão recai nas faltas de que se arrependeu! Isto se deve ao fato de que ficou no seu íntimo a raiz ou o princípio do pe-cado. Figuradamente, pode-se dizer que o cristão arranca a folha e o caule da tiririca, mas dificilmente arranca também o caroço ou a raiz da tiririca; esta se manifesta dentro em pouco, através de novos pecados. Para extirpar o princípio do pe-cado remanescente, o cristão deve excitar e exercitar mais intensamente o amor a Deus. Ora, este estímulo do amor a Deus se realiza mediante a satisfação ou atos de penitência que despertem e fortaleçam o amor a Deus no íntimo do cristão...
A culpa é perdoada, sim. Mas a Escritura mostra que, mesmo depois de perdoada, o Senhor Deus exige satisfação ou reparação da ordem violada pelo pecado. Esta exigência se compreende muito bem se levarmos em conta o seguinte:
Quem rouba um relógio, pode pedir e receber o perdão do respectivo proprietário, mas este exigirá que a ordem seja restaurada ou que o relógio volte ao seu dono.
Quem difama caluniosamente o próximo pode pedir e receber o perdão deste, mas a pessoa difamada exigirá que se restaure a fama a que tem direito.
Também os pecados meramente internos (de pensamento e desejo) alimentam ou suscitam a desordem interna no pe-cador, de modo que este tem que restaurar ou introduzir a ordem em seu íntimo mediante atos de penitência ou renúncia. Tenhamos em vista os seguintes casos:
Davi, culpado de homicídio e adultério, foi agraciado ao reconhecer o delito; não obstante, teve que sofrer a pena de perder o filho do adultério (cf. 2Sm 12, 13s).
Moisés e Aarão demonstraram pouca fé em dados momentos da sua vida; por isto foram pelo Senhor privados de en-trar na Terra Prometida, embora não haja dúvida de que a culpa lhes tenha sido perdoada (cf. Nm 20, 12s;27,12-14; Dt 34, 4s)...
2. O tesouro dos méritos de Cristo confiado à Igreja - Em vista da reparação ou expiação dos pecados, existe na Igreja um tesouro infinito de méritos que Cristo adquiriu mediante a sua Paixão e Morte; esse tesouro frutificou nos méritos da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos. É chamado "o tesouro da Igreja".
Cristo confiou à sua Igreja as chaves para administrar o tesouro da Redenção, como se depreende de textos como o de Mt 16,16-19;18,18; Jo 20,22s.
3. A aplicação dos méritos de Cristo ou instituição das indulgências - Consciente do poder das chaves que Cristo lhe concedeu, a Igreja, no decorrer dos tempos e em determinadas circunstâncias, resolveu aplicá-lo em favor dos cristãos penitentes que ainda tivessem de prestar expiação por seus pecados.
Com efeito, sabemos que nos primeiros séculos, os pecadores que desejassem a absolvição de suas faltas deviam primeiramente prestar satisfação por elas, tentando extirpar do seu íntimo as raízes do pecado. Por conseguinte, a Igreja lhes impunha uma penitência que, para ser medicinal, costumava ser rigorosa (assim, por exemplo, uma Quaresma de jejum, em que o penitente se vestia de sacos e cilício); essa penitência tinha por objetivo excitar e fortalecer, no penitente, o amor a Deus, que extinguiria o amor ou as tendências desordenadas existentes no sujeito. Em conseqüência, julgava-se que, quando o pecador era absolvido (na Quinta-feira Santa, geralmente), ficava isento não apenas da culpa, mas também das raízes do pecado; teria o seu amor purificado ou teria reparado a ordem violada em seu íntimo...
Com efeito, a partir do século VI, foi introduzido novo costume: o pecador, tendo confessado suas faltas, recebia logo a absolvição, mas, depois disto, ainda prestaria uma satisfação correspondente à gravidade de suas culpas, a fim de extin-guir dentro de si todo apego ao pecado.
Este novo método de administrar o sacramento da Reconciliação ainda era muito penoso. A dura e prolongada peni-tência (jejum, cilício...) não podia ser praticada por todos os pecadores.
Consciente disto, a Igreja instituiu as "comutações" ou "redenções" de penitências. Estas têm seu fundamento na pró-pria Sagrada Escritura: a Lei de Moisés enumerava casos em que as obrigações dos fiéis eram legitimamente comutados e mitigadas, desde que se tornassem demasiado onerosas (cf. Lv 5, 7.11)...
 A partir do século IX, as duras obras de penitência foram sendo substituídas  (comutadas) por outras obras mais bran-das, obras às quais a Santa Igreja associava diretamente os méritos satisfatórios de Cristo. Assim, em lugar de jejuns, po-diam ser impostas orações; em vez de longa peregrinação, o pernoitar num santuário; em vez de flagelação, uma esmola.
A estas obras mais brandas, a Igreja, num gesto de indulgência, anexava algo da expiação sumamente meritória do Senhor Jesus. Foram chamadas "obras indulgenciadas" (enriquecidas de indulgências). A remissão da pena satisfatória obtida pela prática de tais obras tomou o nome de "indulgência".
Compreende-se, porém, que tal indulgência não se ganhava de maneira mecânica; era sempre necessário que o peni-tente, ao realizar a obra indulgenciada, já tivesse recebido a absolvição de seus pecados, e nutrisse em si o horror ao pe-cado e o férvido amor a Deus que ele teria se fosse prestar uma quarentena ou mais de jejum e de cilício... Sem tais dis-posições, não ganharia a indulgência proposta.
No século XI, os Bispos começaram a conceder indulgências gerais, isto é, oferecidas a todos os fiéis, sem se exigir a intervenção direta de um sacerdote. Em outros termos, os Bispos determinaram que, prestando tal ou tal obra (visita a um Santuário, orações especiais, esmolas...), os fiéis poderiam obter a remissão da satisfação correspondente aos seus peca-dos já absolvidos. Assim, quem colaborasse na construção de um santuário ou peregrinasse a tal lugar sagrado lucraria uma indulgência de 100 dias, 1 ano, 7 anos (isto é, os frutos da penitência realizada durante cem dias, um ano, sete anos), desde que o fizesse com o horror ao pecado que animava os penitentes da Igreja antiga.
Essa praxe ficou em vigor até os tempos recentes na Igreja. Quando, antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), se fa-lava de "indulgência de 100, 300 dias, um ou mais anos", não se designava um estágio no purgatório, pois neste não há dias nem anos. Com essa contagem, indicava-se o perdão da expiação que outrora alguém prestaria fazendo 100, 300 di-as, um ou mais anos de penitência rigorosa, avaliada segundo a praxe da Igreja antiga. Em nossos dias a terminologia mudou, como se dirá na edição do próximo número.
A Páscoa em Mediugórie
Durante a Semana Santa, e também na Páscoa, chegavam continuamente a Mediugórie novos grupos de peregrinos, desejosos de se prepararem para celebrar a mais importante festa cristã: A PÁSCOA. Por causa do grande número de fi-éis, a liturgia da Quinta-Feira Santa, as celebrações da Sexta-Feira Santa e do Sábado Santo foram traduzidas em 10 idi-omas. Os peregrinos estrangeiros mais numerosos vieram da Alemanha, Áustria e França. De todas as regiões da Croácia e das paróquias vizinhas vieram fiéis para a confissão pascal. Todas as tardes, durante as 3 horas de celebração, cerca de 20 sacerdotes permaneciam atendendo as confissões.
Solicitação
 
Estamos com dificuldade de pagar as despesas da presente edição do Eco. Aos leitores que este ano ainda não fize-ram sua contribuição, pedimos que nos socorram, a fim de garantirmos também a próxima edição e sua seqüência men-sal. Se todos colaborassem, bastaria uma contribuição anual de R$ 10,00. Aqueles que puderem colaborar com quantias maiores estarão ajudando aos que têm mais dificuldade em fazê-lo. Vosso Pai, que vê o escondido, recompensar-vos-á. As con-tribuições devem ser depositadas no Banco do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha, ou enviadas através de cheque nominal e cruzado, a favor de Servos da Rainha, em carta registrada. Solicite sua assinatura do Eco pelo tel. (061) 345-7500 ou por carta. Aos que desejarem um maior número de exemplares, pedimos con-tribuir com os custos de impressão e correio. Que a Rainha da Paz os aben-çoe!
Peregrinações
Nosso próximo grupo estará partindo em 11 de junho, para as comemorações do 18º aniversário das aparições diárias de Nossa Senhora em Mediugórie, visitando, antes, a Terra Santa e santuários da Itália, perfazendo, ao todo, 17 dias. Há possibili-dade, também, de fazer apenas Mediugórie, ou Mediugórie e Itália.
Adoração Eucarística
A partir das 18h do próximo dia 29, Pe. Lourenço, da Comunidade Mariana Oásis da Paz, Quixadá (CE), fará uma série de palestras sobre o Santíssimo Sacramento, no Santuário Dom Bosco, Av. W3 Sul, Quadra 702. Durante o encontro, ha-verá, também, Adoração eucarística e veneração da Cruz, com término previsto para as 18h do dia 2 de maio. Informa-ções: Tel.: (061) 223-2305, 273-2977, 366-4620, 346-7317.