Mediugórie - Eco
167
Fevereiro de 2000 - Apresentalção
do Senhor
Mensagem da Rainha da Paz,
de 25.01.00:
Queridos filhos! Convido-os, filhinhos, à oração
incessante. Se rezarem, estarão próximos de Deus e Ele os
conduzirá pela estrada da paz e da salvação. Por isso,
hoje os convido a darem a paz aos outros. Somente em Deus está a
verdadeira paz. Abram seus corações e tornem-se doadores
da paz, e os outros, em vocês e por meio de vocês, descobrirão
a paz e, assim, vocês testemunharão a paz e o amor que Deus
lhes concede. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
Convite à oração
incessante
Mais uma vez, Nossa Senhora nos convida à oração
incessante. Oração é encontro com Deus. Esses encontros
com Ele ocorrem de diferentes maneiras, primeiramente por meio da oração
formal, quando reservamos tempo para rezar ou ler as Sagradas Escrituras.
A participação da Santa Missa é uma especial oportunidade
de encontrar-se com Deus. Que nesses encontros, nossos corações
se abram a Ele, à Sua paz, misericórdia e amor. Quando isso
acontece, os encontros com Deus tornam-se possíveis em qualquer
lugar e a todo momento. Quando faço meu trabalho por amor a Deus,
quando, por amor a Ele e às pessoas à minha volta, faço
uso dos talentos que dEle recebi, é também encontro com Deus.
A pessoa que trabalha com dedicação também está
em contato com Deus, quando sabe que todos seus dons vêm de Deus
e, responsavelmente, os desenvolve. Quem fez crescer esses talentos e os
colocou a serviço dos outros está, também, encontrando-se
com Deus. Todos sabemos que os encontros decisivos com Deus devem ocorrer
no interior da pessoa. Quando o cristão encontra Deus no outro,
diz que encontrou o Paraíso. No Juízo Final, Jesus vai nos
perguntar se O reconhecemos nos outros e se os amamos, e não quantos
Rosários rezamos, de quantas Missas participamos ou quantos dias
jejuamos. Mas, para encontrar os outros e sermos capazes de reconhecê-los
e, assim, podermos reconhecer Jesus neles, o que devemos fazer, em primeiro
lugar, é, naturalmente, rezar. É desta maneira que podemos
entender o que significa rezar incessantemente. Quando olhamos para a vida
de oração de Jesus, podemos dizer que Ele freqüentemente
rezava nos montes e permanecia em oração também quando
todos O procuravam. Sua oração é a firme união
com o Pai. Ele também reza pelos Apóstolos e por todos aqueles
que ouvirão suas palavras. Ele está em constante contato
com o Pai e, por isso, podemos dizer que Ele rezava incessantemente e também
convida-nos, por meio de Sua Mãe, a fazermos o mesmo. Nossa Senhora
diz que nossas orações, nossas Missas, nossos Rosários,
etc., ajudam-nos a encontrar Deus nos outros e na natureza.
Muitos cristãos continuam sem um verdadeiro encontro com
Deus e permanecem longe dEle, simplesmente porque, por causa do pecado,
não dedicam o tempo suficiente à oração e,
por isso, distanciam-se do caminho da verdade, da luz e da paz verdadeiras.
Por essa razão, muitos, nestes tempos, estão sofrendo
terrivelmente mental, espiritual e fisicamente. Para ser curado e permanecer
sadio, precisa-se fazer o possível para, em primeiro lugar, estar
perto de Deus e, depois, dos outros. Nestes tempos, muitos filhos estão
sofrendo e não encontram sentido na vida porque não podem
contar suficientemente com a presença dos pais.
Santo Agostinho dizia: "Meu coração não encontra
a paz enquanto não repouso no Senhor". O principal motivo de uma
peregrinação a Mediugórie é o desejo de paz.
Foi para isso que Deus enviou Sua Mãe a Mediugórie. À
medida em que nos aproximamos de Deus, ficamos mais perto da verdadeira
paz que, certamente, buscamos quando estamos em oração.
Quando uma pessoa não deseja levar a paz aos outros, significa
que ela própria já a perdeu. Somente aceitando a paz e oferecendo-a,
pode a pessoa vivê-la verdadeiramente. Assim, quando fracassamos
ao levar a paz ao mundo, não significa que o mundo não a
deseje, mas nós próprios, porque, não possuindo a
verdadeira paz, naturalmente não somos capazes de oferecê-la
aos outros. Dessa forma, o convite de Nossa Senhora para testemunhar a
verdadeira paz significa, em primeiro lugar, que nós, com todo o
nosso ser e coração, procuremos a paz de Deus e, uma vez
encontrada, poderemos oferecê-la aos outros.
Frei Slavko (síntese do comentário)
Notícias de Mediugórie
Últimas
Aqui, no momento, há grupos da Coréia, Itália,
França, Inglaterra e América. Vicka, Iákov, Ivanka
e Miriana estão em Mediugórie. Ivan está nos Estados
Unidos e Maria Pavlovic, na Itália. Na semana passada, nasceu a
segunda filha de Ivan.
Padres na Escola de Maria
De 30 de junho a 6 de julho, será realizado em Mediugórie
o 5º retiro para sacerdotes. Do retiro do ano passado participaram
170 padres provenientes de 10 países. Estes encontros são
conhecidos como Padres na Escola de Maria. O tema deste ano será:
Sacerdote: Homem da Santíssima Trindade e Servo do Corpo de Cristo,
pois, como se sabe, este Ano Jubilar é dedicado à Divina
Eucaristia. Neste ano, as famílias da Paróquia de Mediugórie
estão oferecendo, gratuitamente, hospedagem e alimentação
em suas casas para os sacerdotes participantes deste encontro.
Cultura do Silêncio
Este Ano Jubilar é também chamado "Ano da graça"
do Senhor. A graça abrange um campo muito amplo da vida e do trabalho
do homem. A graça não é um dom que se compra. Ela
pode ser ameaçada, é frágil, é um dom que Deus
nos concede, embora não o merecendo. Justamente por isso, há
um extraordinário processo entre o homem e Deus. A aspiração
primeira do homem encontra na graça a possibilidade de realizar-se.
Nestes últimos tempos, na espiritualidade cristã fala-se
sempre mais freqüentemente sobre "a cultura do silêncio". Essa
cultura nasce e toma forma no interior da pessoa e significa parar, recolher-se,
aceitar o sofrimento e desejar a conversão, a oração.
Desta forma, o próximo e suas dificuldades não representam
para nós algo enfadonho ou que nos atrapalhe. Frei Ivan Landeka
(pároco de Mediugórie)
Dom Pavao Zanic
Dom Pavao Zanic, desde 1993 Bispo emérito de Mostar, Diocese
a que pertence Mediugórie, faleceu em 11.01.2000. Agradecemos a
Deus pelo seu trabalho e convidamos os amigos e peregrinos de Mediugórie
a recordá-lo em suas orações.
Encontro em Neum
De 19 a 24 de março próximo, realizar-se-á
em Neum, cidade próxima a Mediugórie, o 7º Encontro
internacional para coordenadores dos centros de paz, de grupos de oração,
ajuda humanitária e peregrinações ligados a Mediugórie,
espalhados por todo o mundo. Este evento é ocasião única
para encontrar-se também com os padres e os videntes de Mediugórie
que, com seu trabalho, procuram ajudar a todos. É também
ocasião para troca de experiências e para falar das possíveis
mudanças nas atividades com os peregrinos, para que estes experimentem
em Mediugórie o conforto espiritual que procuram. O tema deste ano
será "Mediugórie - impulso profético para o século
XXI". (Sempre presente nesses encontros, o coordenador da Servos da Rainha
coloca-se à disposição dos interessados em participar
do Encontro).
Press Bulletin
Bênção
das casas
Neste tempo de inverno, não há muitos peregrinos
em Mediugórie e os sacerdotes aproveitam esse período para
visitar as famílias e abençoar suas casas. Que bela tradição
mantêm os irmãos croatas ao longo dos séculos! Além
da bênção anual dada pelo sacerdote, em todos os sábados,
a mãe da família espalha por toda a casa um pouco de sal
bento para atrair a bênção de Deus e afastar o maligno.
Seria interessante que em todos os países voltássemos a essas
antigas tradições cristãs, que são tesouros
inesquecíveis. Essa prática afastaria de nós muitos
males e enfermidades, e evitaria, também, que alguns fiéis
trocassem os sacramentais da Igreja por perigosos "substitutos" que, devido
ao paganismo moderno, facilmente se alastram em nossos dias.
Adoração silenciosa
O Novo Ano começou de maneira maravilhosa, com a Missa da
meia-noite. Frei Slavko realizou a Consagração dois minutos
antes da meia-noite, a fim de começar o Novo Ano em adoração
silenciosa do Corpo e do Sangue de Cristo, presente no altar. A alegria
e a contemplação profunda tocaram o íntimo dos corações
do grande número de fiéis participantes.
Sou a Mãe de Vocês
No dia primeiro de Janeiro, Festa da Mãe de Deus, a vidente
Maria Pavlovic teve a aparição na capela da Comunidade Mariana
Oásis da Paz.
Nossa Senhora estava radiante! Ela olhou atentamente para cada uma das
pessoas presentes e abençoou-as individualmente, o que tornou a
aparição um pouco mais prolongada do que de costume. No dia
2 de janeiro, Maria Pavlovic visitou as crianças do orfanato São
José em Citluk e rezou com elas. Durante o Rosário, Nossa
Senhora apareceu diante dos 90 orfãozinhos! Eles tinham preparado
alguns cânticos para Nossa Senhora que entoaram durante a aparição.
Maria Pavlovic contou que Nossa Senhora os ouviu, sorrindo com ternura.
Ela novamente olhou atentamente para cada uma das crianças e as
abençoou. Nossa Senhora ficou com elas por longo tempo e deu a seguinte
mensagem:
Eu sou a Rainha da Paz e também sou a Mãe de vocês.
Não se esqueçam que sou a Mãe de vocês e que
os amo!
As crianças ficaram orgulhosamente radiantes de alegria.
Imploro a ajuda de vocês!
Rezem e esperem!
Grande número de peregrinos participou da aparição
mensal a Miriana, no dia 2 de janeiro, próximo à Comunidade
Cenáculo. Miriana estava alegre e compartilhou a mensagem que ouviu
de Nossa Senhora:
Nunca como hoje, meu Coração implora a ajuda de vocês!
Eu, sua Mãe, suplico a meus filhos que me ajudem a realizar o plano
para o qual o Pai me enviou. Ele me enviou a vocês porque Seu amor
é grande. Neste tempo grandioso e santo, em que acabam de entrar,
rezem de maneira especial por aqueles que ainda não experimentaram
o amor de Deus. Rezem e esperem!
Fazer o que pede a Igreja
Temos encontrado muitas pessoas que ainda não sabem sobre
as graças das indulgências oferecidas no Grande Jubileu do
Ano 2000. Temos a responsabilidade de falar a nossos vizinhos sobre estas
providenciais ocasiões de graça. Nossa Senhora, com freqüência,
tem falado a nós: "Façam o que a Igreja lhes pede!" Infelizmente,
algumas pessoas preferem esconder esta realidade por medo de melindrar
outras denominações cristãs. Por acaso, ignorar esta
mão estendida de Deus ajuda nossos irmãos* Disse Jesus a
Irmã Faustina, ao referir-se às almas do Purgatório:
"Retire todas as indulgências do tesouro de minha Igreja e ofereça-as
em seu benefício." (8º Dia da Novena da Divina Misericórdia).
A "Pequena Flor" disse em Lisieux, antes de morrer: "Passarei minha
vida no Céu fazendo o bem na terra!" Para as almas do Purgatório
podemos adotar uma fórmula semelhante neste Ano Jubilar: "Passarei
minha vida na terra enviando almas para o Céu!"
Irmã Emmanuel
Vida em Comunidade
Reflexões sobre o caminho percorrido até agora e
metas a alcançar no ano jubilar. Síntese das palestras de
Frei Tomislav Vlasic, durante o Encontro em Numana (Itália), de
21 a 24 de Outubro/99.
1. Qual é a dificuldade no relacionamento com o próximo?
No relacionamento com o próximo há um risco: o medo.
O medo falseia nossas relações, gera fechamentos, defesas,
agressividade e leva as virtudes à morte. Onde reina o medo não
podem crescer o amor, a fé e a esperança. Não se trata
do medo psicológico, mas de uma atitude da alma que encerra as pessoas
no individualismo e no egocentrismo.
Para superar o medo, algumas pessoas apresentam um comportamento
autoritário, prepotente. Outras, pelo contrário, mostram-se
condescendentes, submissas, não por índole, mas simplesmente
por medo de perder a amizade.
2. Qual é a receita para a convivência fraterna?
O objetivo da convivência fraterna é levar o Deus
vivo ao irmão e à irmã. Para que isto aconteça
é necessário o sacrifício, isto é, eliminar
em nós tudo que produz amarguras e guerras. Dessa forma, nossa comunhão
fraterna, no Espírito Santo, é uma Missa celebrada, é
uma imolação. Deus age de maneira perfeita numa pessoa que
se doa. Sua ação liberta a alma do medo do risco, e abre-a
ao próximo...
3. Os frutos colhidos serão os da vida eterna...
As relações na comunidade, se forem em Deus, produzem
frutos, salvam e sempre santificam, porque Deus Pai gera, Deus Filho salva
e Deus Espírito Santo santifica.
Só dessa maneira poderemos compreender se verdadeiramente
estamos em comunhão com os irmãos e se esta comunhão
é em Deus, ou se é apenas um relacionamento superficial.
Se estivermos imersos em Deus Pai, é impossível não
produzir frutos. Se permitirmos que Jesus opere em nós, oferecendo-Se
em nós, rezando e perdoando, é impossível não
salvar os outros. Se as pessoas de uma comunidade vivem este programa,
elas próprias ficam curadas e curam os outros.
4. O que é comunidade?
Comunidade não é um grupo aberto, mas um caminho
«comunitário» para leigos que sentem o chamado a serem
almas oferecidas. Exige caminhar em união com Deus e, em Deus, em
comunhão com os outros. Os membros da comunidade são «peregrinos»
no caminho para Deus, decididos a trilhar por esta estrada para crescerem
na vida espiritual. Neste caminho é importante a união, porque
somente nela pode-se experimentar a dinâmica da Santíssima
Trindade.
É impossível viver esta comunhão sem Deus.
Portanto, reflitam sobre sua vida de comunidade.
5. A seguir, apresentamos alguns pontos que permitem verificar
se vivemos ou não a comunhão.
Para podermos viver em comunhão, seja qual for a forma de
vida, devemos observar a castidade, a obediência e a pobreza. Não
podemos expressar o poder de Deus em nós se o nosso eu prepotente
não for eliminado. A morte do nosso eu, o acolhimento de Deus e
a comunhão entre nós são os três passos fundamentais
para colocar em prática essa oferta.
Na vida religiosa, existem normas legais que nos protegem do erro.
Entre estas, há a que prevê transferências freqüentes
para os religiosos, a fim de proteger a qualidade da vida. Sabe-se que,
se uma pessoa permanece sempre no mesmo lugar, torna-se o centro das atenções
e facilmente coloca em primeiro lugar suas qualidades. Sabemos também
que onde sobressaem as qualidades humanas perdem-se os dons do Espírito
Santo. É importante, por isso, que também na comunidade funcione
esta norma.
6. Qual é o chamado das almas oferecidas?
O maior dom de Jesus é a Igreja: a comunhão dos homens
em Deus. No entanto, é impossível desenvolver essa comunhão
sem a graça de Deus, no Espírito Santo. A vida das almas
oferecidas deve levar à comunhão de amor, sem exceção,
amando a todas as criaturas. Se em nós existir este amor, tornam-se
comuns os milagres e não é difícil experimentar que,
em Deus, encontra-se tudo, como aconteceu com S. Francisco.
Onde se inicia a nossa missão? Dentro de nós e à
nossa volta. Se, às vezes, sentirmo-nos rejeitados, oprimidos, imersos
num abismo, não devemos fugir, mas oferecer a Deus essa provação.
Fuga não é a solução.
Com essa oferta, permitamos que o Senhor nos leve para onde deseja.
Não é necessário irmos à África para
sermos missionários, basta permanecermos onde nos encontramos e
aí difundir o Amor de Deus: nEle podemos atingir o mundo inteiro,
porque, no Espírito Santo, não existem barreiras de tempo
nem de espaço. Essa comunhão renova a Igreja.
7. O Jubileu é a entrada na Santíssima Trindade com
a Igreja.
É impossível haver crescimento sem entrar em comunhão
com Deus Trino e Uno. É somente na dinâmica Trinitária
da diversidade que o amor se torna Uno, que a pessoa entra plenamente
em comunhão com os outros.
Muitos choram e lamentam porque, sentindo-se mortos por dentro,
não conseguem manifestar o amor, são incapazes de ver Deus
no irmão e não acolhem o próximo com paciência.
Se agirmos dessa maneira, não podemos entrar na comunhão
da Santíssima Trindade. O único caminho a percorrer é
entrar na dinâmica Trinitária, seguindo o exemplo de Maria.
Nossa missão não é uma teoria, mas acolher,
concretamente, o Amor de Deus e difundi-Lo no mundo. Fora da dinâmica
da SS Trindade nada pode ser feito.
A Igreja chama-nos a manifestar a vida da SS Trindade. Rezemos
para que isto aconteça em nós e, através de nossa
oferta, torne-se possível também na vida de cada cristão.
Eco de Maria (Nicola)
O que é preciso saber
sobre o Jubileu
História: Este é o 112º Jubileu da história.
O primeiro ocorreu em 1300, com o Papa Bonifácio VIII. Inicialmente,
deveria ser a cada cem anos, mas muitos fiéis reclamaram porque
desejavam vivê-lo pelo menos uma vez na vida. Por isso, estabeleceu-se
que deveria ocorrer a cada 25 anos.
O Jubileu do ano 2000 é, porém, chamado o Grande
Jubileu, pela data particular que marca a passagem do segundo para o terceiro
milênio da era cristã. O próprio Papa, desde o início,
indicou este acontecimento como uma das metas mais importantes de seu pontificado.
Significado do Jubileu: O significado principal do jubileu é
o louvor de agradecimento que o povo cristão eleva à Trindade,
Sumo Deus, e o início para a Igreja de um novo período de
graças e de missão (Incarnationis Mysterium, 3).
O ano jubilar é como que um convite para uma festa nupcial
(IM, 4), uma experiência particularmente profunda de graça
e de misericórdia divina: "Que cada fiel acolha o convite dos anjos
que anunciam incessantemente: <<Glória a Deus no mais alto
dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados (IM, 6).
A Porta Santa é símbolo de Cristo que disse: "Eu
sou a porta (Jo, 10,7). Passar por aquela porta significa confessar que
Jesus Cristo é o Senhor. Trata-se, portanto, de renovar a nossa
fé em Cristo, único Salvador.
O Jubileu na Bíblia: Deus assiste continuamente a humanidade
com sua benevolência. No entanto, na História da Salvação
(isto é, das intervenções de Deus em favor da humanidade),
existem pessoas, períodos, lugares e gestos especiais de graça
particular em relação a outros.
No Antigo Testamento, o jubileu era um tempo dedicado a Deus, de
forma especial (Lev 25, 11). Era celebrado a cada 50 anos (ano seguinte
a sete vezes sete anos sabáticos). Durante aquele ano "além
da libertação dos escravos, a lei previa o perdão
de todas as dívidas, de acordo com prescrições precisas.
Tudo isso deveria ser feito em honra de Deus. O que valia para o ano sabático
valia também para o ano jubilar. No ano jubilar, porém, as
práticas do ano sabático eram ampliadas e celebradas ainda
mais solenemente" (Tertio millenio adveniente, 12). O objetivo do ano jubilar
era "restabelecer a igualdade entre todos os filhos de Israel, oferendo
novas possibilidades às famílias que tinham perdido suas
propriedades e até mesmo a liberdade pessoal" (TMA, 12).
Para a Igreja, o jubileu tem um significado análogo. Ele
é "um ano de graça, ano da remissão dos pecados e
das penas devidas aos pecados. É ano da reconciliação
entre litigiosos, ano de múltiplas conversões e de penitência
sacramental e extra-sacramental" (TMA, 14), a fim de que seja oferecida
a cada um a possibilidade de recomeçar tudo de novo, com veste "nova".
A palavra "jubileu" vem de "jobel", a trombeta com que era anunciado esse
acontecimento. Para nós, no entanto, significa júbilo. A
Igreja, particularmente neste tempo, convida todos à alegria da
salvação. Por este motivo, concede com particular abundância,
o dom das indulgências.
As indulgências (IM 9-10): Considerados os abusos e as incompreensões
que no passado foram cometidas sobre esse assunto, é preciso explicar
o significado e as condições exigidas para obtê-las.
A indulgência é um dos elementos constitutivos do
ano jubilar. Nela manifesta-se a plenitude da misericórdia do Pai
que vem ao encontro de todos com o Seu amor, expresso, em primeiro lugar,
com o perdão das culpas. Comumente, Deus Pai concede seu perdão
mediante o sacramento da Penitência (Confissão). Confessando
seus pecados, o fiel recebe verdadeiramente o perdão. Contudo, a
obtenção da reconciliação com Deus não
elimina algumas conseqüências que o pecado produziu e das quais
é preciso purificar-se, seja aqui (por meio da oração,
da penitência, da esmola, das obras de misericórdia, etc.)
ou depois da morte, no purgatório.
Neste sentido, adquire importância a indulgência com
que o pecador arrependido e confessado (condições necessárias)
é libertado da pena devida aos pecados confessados. Essa remissão
("libertação") pode ser plenária ou parcial, conforme
liberte no todo ou em parte a pena.
A doutrina sobre as indulgências faz- nos compreender que,
com apenas nossas forças, não somos capazes de nos salvar
e de reparar os males cometidos. Temos necessidade da superabundante misericórdia
de Deus que se manifesta também na comunhão dos santos. De
fato, os que crêem em Cristo fazem parte de um único corpo
(que é a Igreja), onde o pecado cometido por cada um fere todos
os outros, mas também onde a santidade e os méritos de cada
pessoa (em particular os méritos infinitos de Jesus Cristo, da Virgem
Maria e dos santos), de maneira ainda mais abundante, favorece a todos.
A indulgência pode ser obtida em benefício de si próprio
ou em sufrágio das almas das pessoas falecidas. A indulgência
plenária pode ser obtida somente uma vez ao dia, enquanto a parcial
poderá ser mais vezes.
As condições gerais requeridas para obter a indulgência
são as seguintes:
- Confissão sacramental no período de 8 dias;
- Renúncia a qualquer apego ao pecado, mesmo venial;- Participação
da Santa Missa (preferencialmente no mesmo dia em que se cumprem as obras
prescritas). A essas condições gerais – que são sempre
necessárias – acrescentam-se as particulares a que está vinculada
a indulgência (por exemplo, a visita a um santuário, uma peregrinação,
a reza do Rosário, o exercício da Via-Sacra, a participação
em uma particular celebração religiosa: Laudes, Vésperas,
etc.). Entre os principais lugares em que os fiéis poderão
alcançar a indulgência, relembramos as quatro basílicas
patriarcais de Roma (S. Pedro, Santa Maria Maior, São João
de Latrão e S. Paulo fora dos Muros), o Santo Sepulcro em Jerusalém,
a Basílica da Natividade em Belém, a Basílica da Anunciação
em Nazaré. Mas a possibilidade é extensiva a todas as igrejas
catedrais de cada diocese e, eventualmente, a outras igrejas indicadas
pelo bispo diocesano. Caso não havendo possibilidade da Santa Missa,
a indulgência plenária poderá ser obtida nesses lugares
se ali se permanece por um certo período de tempo dedicado à
adoração eucarística e piedosas meditações,
concluindo-se com a oração do Pai Nosso, o Creio (ou outra
legítima profissão de fé), oração segundo
as intenções do Papa (como sinal de comunhão com a
Igreja) e a invocação da Beata Virgem Maria. Mesmo as pessoas
impossibilitadas de se deslocarem de suas casas podem obter a indulgência,
oferecendo a Deus suas orações, sofrimentos e dificuldades.
As indulgências não são atos isolados, mas
inseridas em um caminho de conversão contínua que o cristão
é chamado a cumprir. Por isso, junto às condições
externas requeridas (confissão, peregrinação, etc.),
é necessário uma real mudança de vida que nos leva
a evitar o mal e fazer o bem. Cometeria um erro alguém pensasse
que, para alcançar esta graça, bastaria simplesmente cumprir
algumas fórmulas exteriores.
Por isso, às tradicionais condições exteriores
são acrescentadas também novas modalidades que testemunham
uma atitude concreta de conversão: abstenção, pelo
menos por um dia, do consumo de supérfluo, jejum, esmola, visita
aos doentes e pobres, serviço voluntário, etc.
Outros sinais (IM 8, 11-13): Outros sinais que, ao lado da indulgência,
são indicados pelo Papa como características deste ano santo:
a peregrinação, que recorda ao homem a condição
de peregrino nesta terra e convida-o a caminhar pela estrada da perfeição
cristã, a purificação da memória, ou seja,
uma exame de consciência em que todos nós, em nossa vida pessoal
e comunitária como Igreja, somos chamados a "um ano de coragem e
de humildade em reconhecer as faltas cometidas por quantos levaram e levam
o nome de cristão.
Certamente a história da Igreja é uma história
de santidade, mas, ao lado de infinitos exemplos de caridade, freqüentemente
heróica, existem contratestemunhos da mensagem cristã pelos
quais é preciso pedir perdão a Deus e aos homens. A caridade
deve nos levar a compartilhar nossos bens com os que vivem na pobreza e
com os que são marginalizados. O testemunho dos mártires:
os dois mil anos do nascimento de Cristo são sinais do testemunho
constante dos mártires. Esses são aqueles que anunciaram
o Evangelho e que tornaram possível nossa adesão à
fé. Que o seu testemunho não seja esquecido e que sejam ajudados
pela nossa oração os que ainda hoje sofrem por causa da fé.
De resto, cada fiel, que tenha seriamente levado em consideração
sua vocação cristã, não pode excluir a prospectiva
do martírio do horizonte de sua vida. Pelo contrário, a admiração
pelo exemplo dos mártires seja acolhida no coração
dos fiéis com o desejo de, com a graça de Deus, seguir seu
exemplo a qualquer momento que as circunstâncias o exigirem.
Ação: É nosso desejo que o Jubileu não
seja reduzido unicamente a encontros, iniciativas e celebrações
exteriores, mas se concretize em algo mais importante e duradouro, que
marque, de maneira mais incisiva, toda a nossa vida de cristãos.
Que cada um examine a si próprio e veja onde há mais necessidade
de conversão. Este caminho é feito por meio de um compromisso
diário de oração, porque continuamente temos necessidade
de sermos sustentados por Deus e exprime-se por meio de sinais concretos
que podem ser a reconciliação com uma pessoa próxima,
um compromisso de ajuda a um doente, a adoção de pobre à
distância, de um seminarista ou outras inúmeras iniciativas
que o Espírito saberá sugerir.
Para quem desejar aprofundar o assunto, recomendamos os documentos
do magistério Tertio Millennio Adveniente (1994), A peregrinação
no grande Jubileu do ano 2000 (1998) e Incarnationis Mysterium (1998),
que, de maneira clara, explicam o significado e as modalidades do Jubileu.
Eco di Maria (Mirco)
Os Papas Pio IX e João XXIII
serão beatificados e levados às honras dos altares neste
Ano Santo, em 3 de setembro próximo.
Eco di Maria
Curado de Leucemia
Era julho de 1999. Meu sobrinho, Alexandre, 3 anos, residente em
São Leopoldo (RS), com leucemia havia mais de um ano, encontrava-se
desenganado pelo médicos, inclusive por seu pai, também médico.
O tratamento que fizera de nada adiantou. Num domingo, vi na Igreja São
Francisco, em Florianópolis (onde resido), uma imagem da Rainha
da Paz. Profundamente tocada por sua beleza, pedi-Lhe, com fé, a
cura de Alexandre. Naquela mesma semana, o garoto foi submetido a novos
exames e, para surpresa dos médicos e alegria de todos, não
apresentava mais qualquer sinal da doença.
Juracy dos Santos Plain (Florianópolis - SC)
Não sou curiosa
Embora muito devota de Nossa Senhora, nunca me interessara pelas
aparições de Mediugórie, por receio de mensagens e
predições. Acredito, mas não sou curiosa nem investigo
com profundidade assuntos da espécie. Diogo, meu filho mais novo,
no entanto, lia tudo sobre as aparições de Mediugórie
e a cada dia relatava-me algo sobre o assunto. Comecei a ficar curiosa.
Mas pensava: por que ir a Mediugórie, se já sinto Maria tão
presente em nossa vida? Conhecida como "mariana" por ser fervorosa participante
de movimento mariano na igreja, pensava já estar fazendo o suficiente
para Maria ficar feliz comigo. Assim, escutava com paciência meu
filho, achando tratar-se de mais uma de suas curiosidades infantis.
Sob o fortíssimo calor do mês de janeiro de 1998,
fomos à Missa em Sapucaia. Pelo caminho, meu filho contava-me as
notícias de Mediugórie. Já estava me aborrecendo,
pois ele parecia muito repetitivo.
Naquele dia, falei com o coração a Maria que, se
realmente era desejo Seu que eu fosse a Mediugórie, que Ela me desse
um sinal durante a Santa Missa. Antes mesmo de terminar aquela prece, senti
forte e indescritível perfume de rosas. Procurei, mas constatei
que não existiam rosas ali por perto. O perfume ficou ainda mais
forte. Era como se eu ouvisse uma voz interior: "Sou Eu Quem está
enviando este perfume para você!" Comecei a chorar. Compreendi tudo.
Ao sair, nada contei a meu filho. À noite, durante as orações,
pedi que, se fosse realmente Sua vontade minha ida a Mediugórie
com o Diogo, que Ela também arranjasse o dinheiro, porque
no momento eu não tinha condições.
Passados alguns dias, procurou-me o inquilino de um imóvel
administrado por nossa imobiliária. Desejava comprar a casa que
alugava. Mesmo sendo de alto valor aquele imóvel e a proprietária
exigindo que a venda fosse somente à vista, conseguimos fechar o
negócio. Minha comissão na venda foi exatamente o valor de
que precisava para a viagem.
Somente em Mediugórie foi que descobri a razão do
Seu convite materno. Ali é Sua casa na terra e todos são
recebidos com o carinho e amor de Mãe. Chegando lá é
necessária a Confissão para que se possa receber todas as
graças que Ela tem para cada um. No primeiro dia, pude observar,
com alegria, o milagre do sol. Involuntariamente, meus olhos foram atraídos
para o alto. Pude ver o sol que se transformou em uma grande hóstia.
Girava e pulsava. No centro, pude ver a figura da Sagrada Família,
como se vê no presépio. À noite, meu filho disse
também ter visto este fenômeno, embora no momento estivesse
em outro lugar.
Os sinais externos deixam-nos felizes, porém as maiores
graças derramadas naquela Terra Abençoada por Deus são
as que tocam o coração e fortalecem a fé, e estão
ao alcance de todos!
Tânia Maria Arruda Hoefel
S. Leopoldo (RS)
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Peregrinações
Ano 2000
Março: Porta Santa (Roma) e Mediugórie.
Junho: Terra Santa, Roma e Mediugórie. Telefone: (61) 345-7500.
Encontro em Itaici
O encontro Servos da Rainha deste ano será novamente em
Itaici, de 30 de novembro a 3 de dezembro. As inscrições
já estão abertas. Telefone (61) 345-7500.