Mediugórie - Eco
190
Janeiro de 2002 - São
João Bosco
Mensagem da Rainha da Paz,
de 25.12.01:
Queridos filhos! Hoje os convido
e os encorajo à oração pela paz. Especialmente hoje,
Eu os convido, trazendo-lhes em meus braços Jesus recém-nascido,
a unirem-se a Ele por meio da oração e a tornarem-se sinal
para este mundo contur-bado. Encorajem-se uns aos outros, filhinhos, à
oração e ao amor. Que a sua fé seja uma exortação
aos outros para que creiam e amem mais. Abençôo-os todos e
convido-os a estarem mais próximos do meu Coração
e do Coração do Menino Jesus. Obrigada por terem correspondido
a Meu apelo.
Rezem e convertam-se!
... É necessário parar diante do presépio
e observar esse misterioso acontecimento de um nascimento extraordinário
que aconteceu em nossa Terra. Depois dele nada mais é igual, a Terra
já não é maldita e não está condenada
à ruína. Para que o Menino Jesus nos fale e nos fecunde com
sua paz, é necessário sentarmo-nos a seus pés após
descer a montanha da soberba e presunção de que, sozinhos,
tudo sabemos e podemos. Aprendamos, como as crianças, a ter confiança;
aprendamos do Menino Jesus que, indefeso, veio à Terra como um recém-nascido,
para que pudéssemos compreendê-lo e aceitá-lo mais
facilmente. As crianças também aceitam, compreendem e obedecem
mais facilmente o que lhes dizem os pais, se estes sabem se colocar ao
nível delas. Assim também Deus desceu ao nosso nível
para fazer-se mais compreen-sível. A Bem-Aventurada Virgem
Maria veio a nós e nos falou em linguagem compreensível.
Todas as suas mensagens podem ser resumidas em apenas duas palavras: rezem
e convertam-se. Convertam-se das coisas e objetos mortos a um Deus vivo
de Quem provém toda alegria e paz.
Nesta mensagem Nossa Senhora também nos fala e estimula
à paz, pois sabemos que estamos rodeados e cheios de preocupações
de toda espécie. Nada na vida acontece por acaso, tudo tem sua causa,
ainda que desconhecida por nós. Também a paz e a inquietação
têm suas causas e razões. Não existe um destino cego
em nossas vidas, como é dito fre-qüentemente.
Do mesmo jeito que, no dia 24 de junho de 1981, Nossa Senhora apareceu
aos videntes com o Menino Jesus nos bra-ços, também nessa
mensagem Ela nos traz e nos dá Jesus, que tem resposta a nossas
perguntas, solução para os nossos problemas. Maria também
hoje nos dá Jesus que é Caminho, Verdade e Vida. Ela O dá
novamente como o fez de uma vez para sempre a esta humanidade, dando-O
à luz com sua fé em Belém. Esse acontecimento não
é uma história nova, mas uma realidade que aconteceu neste
Planeta. Sem Jesus, somos criaturas perdidas que vagueiam por esta Terra,
sem rumo nem direção. Sem Ele não temos caminhos,
mas falsas estradas. Se não O tivermos, restam-nos a mentira, a
morte e o desespero.
Durante Sua vida na Terra, Jesus perguntou: "Quando o Filho do
Homem voltar, encontrará fé sobre a Terra?" Jesus não
vem somente no dia Natal. Cada dia deseja visitar-nos. Deseja encontrar
a porta aberta, uma mão calorosa e estendida, à luz da fé
incendida. Jesus deseja visitar você também em sua vida comum
de cada dia, marcada pela monotonia ou pelo peso do trabalho. Ele visita
você por meio de uma pessoa pouco simpática e menos querida;
Jesus o visita em todos os encontros e conversas com as pessoas. Você
poderá reconhecê-Lo? Jesus quer saber se você deseja
escutar sua Pala-vra: será como Pedro ao lançar as redes,
desejará, em nome de Sua Palavra, perdoar e abençoar as pessoas,
a vida, seus caminhos e as cruzes de sua vida? Ou maldirá e se entregará
ao desespero?
Nossa Senhora não cessa de alentar-nos e entusiasmar-nos.
Ela espera que desejemos e aceitemos as palavras de Su-as mensagens. Ela
sabe que não nos ameaçam nem os inimigos, nem os que nos
odeiam. Ela sabe que nossa maior ameaça está em nossa falta
de fé, de amor e de amizade para com Jesus. Somos responsáveis
por nossa vida e também pela vida das pessoas que Deus colocou em
nosso caminho. Nossa felicidade depende da felicidade dos outros. Procure-mos,
a partir de hoje, e não amanhã, ouvir o eco da voz de Deus
como um anseio de nosso coração. Silenciemos o ruído
e as vozes que nos falam de notícias, que nos entristecem e de catástrofes
provenientes dos jornais, rádio e televisão, para que possamos
sentir a proximidade e o Coração ardente de nossa Mãe
celestial e do Menino Jesus que a Virgem dá à luz e nos oferece.
Frei Liubo Kurtovic
Mediugórie, 26.12.01
Notícias de Mediugórie
Aparição anual
a Iákov
A Aparição anual do dia 25.12.01 ocorreu às
15h30 e durou cerca de 5 minutos. Nossa Senhora deu a seguinte mensa-gem:
Queridos filhos, hoje, quando Jesus nasce novamente para vocês,
desejo convidá-los de maneira especial à conversão.
Rezem, rezem, rezem pela conversão de seus corações,
para que Jesus nasça em todos vocês, habite em vocês
e reine em todo o seu ser. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
Presente singular
No dia 24 de junho de 2001, por ocasião do 20º
aniversário das aparições de Nossa Senhora, o Santuário
da Rainha da Paz em Mediugórie recebeu um presente singular: um
magnífico Ostensório para a Adoração do Santíssimo
Sacramento no altar situado fora da igreja. Foi um trabalho realizado com
a ajuda da condessa Felicia Traun-Guepin, que recolheu do-nativos na Europa
e no resto do mundo. A iniciativa foi de Frei Svetozar Kralievic,
um dos capelães da Paróquia de Me-diugórie.
O Pe. Angel Maria Garcia Alvarez foi quem desenhou o novo Ostensório.
Este é um dos mais belos presentes já recebidos pelo Santuário.
É um grandioso trabalho artístico que ficará
na história.
Sites ligados a Mediugórie
Ao preparar uma lista de sites sobre Mediugórie, pudemos
conhecer um grande número de páginas. Devido à diversida-de
de idiomas, não pudemos entender tudo. Por causa da dinâmica
da Internet, não podemos fazer um acompanhamento de todas as mudanças
que ocorrem. Por isso, a lista que publicamos não significa que
demos garantias quanto aos deta-lhes do conteúdo publicado. Ficamos
contentes pela universalidade e variedade das matérias.
Sugerimos, com amabilidade, aos responsáveis dos sites
sobre Mediugórie:
- que dêem a conhecer uma espiritualidade sadia e equilibrada,
de forma clara e precisa, mostrando que a mensagem de Mediugórie
está enraizada na Tradição da Igreja e na Sagrada
Escritura, e que obedece totalmente ao ensinamento da Igreja;
- que na interpretação da mensagem de Nossa
Senhora, se evite toda "visão apocalíptica`", e todo vínculo
que relacione Mediugórie a "aparições", "visões"
e "mensagens" de que o Magistério da Igreja tem dito claramente
que não estão de acordo com a doutrina católica;
- que se ressalte claramente que não tem intenção
de antecipar-se ao juízo da Igreja sobre o caráter sobrenatural
dos acontecimentos e da mensagem de Mediugórie. O Santuário
não confiou nenhuma missão a pessoa ou comunidade, nem em
Mediugórie nem fora de Mediugórie, para difundir e interpretar
as mensagens de Nossa Senhora. Todas são iniciativas particulares
e espontâneas dos fiéis e de suas comunidades. Pedimos aos
web masters das páginas que falam sobre Me-diugórie que coloquem
em suas páginas um link para a página do Santuário
da Rainha da Paz de Mediugórie. Obrigado por tudo que fazem para
difundir as mensagens de paz de Nossa Senhora!
Aos amigos de Mediugórie
As mensagens da Rainha da Paz de Mediugórie alcançam
os fiéis do mundo inteiro e os fazem crescer na fé, graças
aos livros, revistas, boletins e diversos jornais. Desejamos conhecer todas
estas publicações e colocar-nos em contato com os editores.
Agradecemos que nos enviem para Mediugórie dois exemplares de suas
edições para o seguinte endereço:
INFORMATIVNI CENTAR «MIR»
MEDJUGORJE — ZA ARHIV
Gospin trg 1
88266 Medjugorje
Bósnia e Herzegovina
Veio aqui para se confessar
Frei Dario Dodig: A razão para esta conversa, Rita, é
sua estada em Mediugórie e a ajuda que você deu à comunidade
paroquial e ao Santuário e, de forma especial, a Frei Slavko Barbaric,
a quem você ajudou. No começo, Rita, pode dizer-nos como ouviu
falar sobre Mediugórie e como foi sua vida aqui no Santuário?
Rita Falsetto: Ouvi sobre Mediugórie no início dos
anos 80 e, sabendo que minha mãe sempre desejava fazer uma pe-regrinação,
decidi mandá-la para Mediugórie. Eu, naturalmente, não
pensava que necessitasse vir aqui; era somente mi-nha mãe que deveria
vir. Desta forma, ela veio a Mediugórie e levou-me um terço
e alguns livros de oração.
Comecei a rezar e então fiquei sabendo da guerra que
começara nesta região. Decidi, já que estava trabalhando
na área social, ajudar as pessoas desta região que estavam
sofrendo. Assim entrei em contato com uma organização que
possi-velmente viria trabalhar aqui com as vítimas da guerra.
Deveríamos vir, mas o dinheiro do governo para esta organização
acabara. Por isso, decidi vir por minha própria conta. Vim e encontrei
muitas organizações humanitárias baseadas em Me-diugórie.
Falei com elas e comecei a trabalhar como voluntária. Conduzimos
comboios de ajuda humanitária, médica e alimentícia
até Saraievo e a outras partes da Bósnia. Naquele tempo,
pensei que ficaria aqui apenas uns seis meses. Du-rante esse tempo, conheci
Milona von Habsburg, que estava trabalhando com Frei Slavko Barbaric. Perguntou-me
se po-deria ajudar Frei Slavko em alguns de seus novos projetos. Milona
conhecera um rapaz e pensava em se casar e deixar Mediugórie. Ela
sabia que Frei Slavko necessitava de ajuda. Então disse-lhe: Claro,
por que não? Eu realmente não sabia do que se tratava, mas
disse que tentaria fazer o que fosse possível por Frei Slavko. Foi
dessa maneira que comecei aqui em Mediugórie, em fins de 1993 e
início de 1994.
Frei Dario Dodig: Então significa que a ajuda que você
veio oferecer a Mediugórie estava diretamente ligada aos acon-tecimentos
de Mediugórie e ao que sua mãe levou-lhe de sua peregrinação?
Rita Falsetto: Naquele tempo, não pensava assim, mas é
provável que sim.
Frei Dario Dodig: É providência de Deus?
Rita Falsetto: Provavelmente, mas não pensava nisso naquela
época.
Frei Dario Dodig: Você ficou em Mediugórie. Foi difícil?
Rita Falsetto: Sim, decidi permanecer aqui como disse. Comecei
ajudando Frei Slavko em seu novo projeto da Vila da Mãe. No começo,
foi difícil, naturalmente, porque não sabia o que Frei
Slavko desejava. Ele falou-me sobre a Vila da Mãe e eu entendi vagamente
seus planos.
Frei Dario Dodig: O que poderia dizer sobre sua experiência
em Mediugórie, durante sua permanência aqui?
Rita Falsetto: Quando cheguei aqui, foi para trabalhar com ajuda
humanitária. Quando comecei a trabalhar com Frei Slavko, comecei
a rezar mais, a participar do programa vespertino de oração
que incluía o Rosário, subir o Podbrdo, Kri-zevac. Com o
passar do tempo, minha vida espiritual crescia, tornava-se melhor, eu aprendia
mais sobre minha fé católi-ca. Com Frei Slavko eu aprendia
muito, basicamente ouvindo-o, observando-o, estando aqui durante as Adorações
e re-zando mais. Frei Slavko, como sabemos, vivia tudo o que falava sobre
as mensagens de Nossa Senhora. Ele vivia o je-jum, a oração,
a conversão. Ele era um exemplo vivo de como viver as mensagens
de Nossa Senhora. Dessa forma co-nheci mais a Deus e a Nossa Senhora e
as belíssimas tradições da fé católica.
Minha vida em Mediugórie nos últimos oito anos, sete deles
com Frei Slavko, foi de muito trabalho. Trabalhei também com os
peregrinos.
Frei Dario Dodig: Você tem alguma experiência pessoal
ou de peregrinos que gostaria de compartilhar?
Rita Falsetto: Nestes muitos anos, compreendi que o mais belo fruto
de Mediugórie é a Confissão. Houve um aconte-cimento
especial relacionado a um peregrino. Havia um homem da América,
com 99 anos. Veio a Mediugórie especial-mente para se confessar.
Tinha visto um programa sobre Mediugórie na América. Ele
estava muito doente, mas decidiu vir mesmo assim. A senhora que o trouxe
perguntou-me se Frei Slavko poderia ir à casa onde ele estava, para
ouvi-lo em Confissão, pois ele estava muito fraco para ir à
Igreja. Estávamos na mesma sala quando Frei Slavko falou com ele.
Foi maravilhoso ver como aquele homem se apaixonou por Mediugórie
justamente porque tinha ouvido quão benéfica poderia ser
a Confissão. Frei Slavko ouviu sua confissão. Aquele senhor
voltou para os Estados Unidos e faleceu poucas semanas depois. Com o passar
dos anos, percebo a beleza e a importância da Confissão aqui
em Mediugórie. Muitas pessoas con-tinuam a contar-me que vieram
a Mediugórie e se confessaram depois de 30 ou 40 anos. Isto tem
mudado basicamente a vida inteira dessas pessoas.
(Entrevista com Rita Falsetto, assistente de Frei Slavko durante
muitos anos)
Press Bulletin
Ver N. Senhora é
ver o Paraíso
Miriana
"Naquela tarde de 24 de junho de 1981, foi a primeira vez,
juntamente com minha amiga Ivanka, que vi Nossa Senhora na Colina; até
então, nunca ouvira falar de aparições marianas na
terra. Pensava: Nossa Senhora está no Céu e nós po-demos
apenas pedir sua intercessão".
Este é o início de uma história intensa e
profunda que a vidente MIRIANA DRAGICEVIC SOLDO vive há mais
de 20 anos, desde que Nossa Senhora a escolheu para ser testemunha de seu
amor e de sua presença entre os homens. Numa entrevista à
revista Glas Mira, Miriana explica não apenas os fatos, mas também
os sentimentos que a têm acompanhado durante todos estes anos de
vida junto a Nossa Senhora.
O início.
"Quando Ivanka me disse que Nossa Senhora estava no Podbrdo, não
olhei porque pensava ser absolutamente impos-sível. Apenas respondi
brevemente: "Sim, Nossa Senhora não tem nada melhor para fazer do
que vir nos ver?" Decidi descer aquela colina, mas algo me disse que voltasse
aonde estava Ivanka, encontrando-a no mesmo lugar em que a dei-xara. "Olhe,
suplico-lhe" - convidou-me Ivanka. Quando me voltei, vi uma mulher com
um vestido de cor cinza com uma Criança nos braços. Não
sei explicar o que experimentei: felicidade, alegria, ou talvez medo. Não
sabia se estava viva ou morta, ou simplesmente aterrorizada. Um pouco de
tudo. Não podia fazer outra coisa a não ser olhar. Foi então
quando chegou Ivan e, mais tarde, Vicka.
Quando voltei a casa, falei logo à minha avó que
tinha visto Nossa Senhora, porém, sua resposta foi de descrença:
"Pegue o terço, reze o Rosário e deixe Nossa Senhora no Céu,
que é o Seu lugar!" Naquela noite não pude dormir, só
me tranqüilizava pegar o terço e contemplar os mistérios.
No dia seguinte "senti" o desejo de voltar ao mesmo lugar, onde
me encontrei com os outros. Era o dia 25. Quando vi-mos Nossa Senhora,
aproximamo-nos dEla pela primeira vez. Foi desta maneira que começaram
para nós as aparições diárias".
A alegria de cada encontro.
"Não tínhamos nenhuma dúvida: aquela Senhora
era a Virgem Maria...! Porque, quando se vê Nossa Senhora, vê-se
o Paraíso! Não apenas se vê, mas se sente dentro do
coração. Você sente que sua mãe está
com você. Era como viver no outro mundo; nem mesmo me importava se
os outros acreditassem ou não em nós. Vivia somente à
espera do momento em que A veria. Por que eu iria mentir? Por outro lado,
naquele tempo, não era nada cômodo ser uma vidente.
Durante todos estes anos, Nossa Senhora permaneceu sempre igual,
mas a beleza que irradia não pode ser descrita. Alguns segundos
antes de sua chegada, experimento uma sensação de amor e
de beleza, tão intensa que faz o coração saltar. Eu,
sem dúvida, nunca me senti melhor do que os outros, somente pelo
fato de ver Nossa Senhora. Para Ela não existem filhos privilegiados,
somos todos iguais. É o que Ela me ensinou. Ela tem me utilizado
para transmitir Suas men-sagens. Nunca Lhe pedi algo para mim, mesmo quando
queria alguma coisa na vida. De fato, sabia que me responderia como a todos
os demais: ajoelhe-se, reze, jejue e obtê-lo-á".
A missão.
"Cada vidente recebeu uma missão específica. Com
a comunicação do 10º segredo, interrompem-se as aparições
diári-as. Como sabem, recebo "oficialmente" a visita de Nossa Senhora
no dia 18 de março de cada ano. É o dia do meu ani-versário,
mas Nossa Senhora não escolheu esta data para me presentear. O motivo
desta escolha será conhecido depois.
Além disso, Nossa Senhora aparece para mim no dia 2 de cada
mês, dia em que cumpro com Ela minha missão: rezar pelos que
não crêem. As coisas ruins que acontecem no mundo são
conseqüência dessa incredulidade. Rezar por elas si-gnifica
rezar pelo nosso futuro. A Santíssima Virgem tem afirmado muitas
vezes que quem entra em comunhão com Ela pode mudar os que "não
crêem". Nossa Senhora não utiliza nunca este apelativo, mas
chama-os: "aqueles que ainda não conheceram o amor de Deus". Podemos
seguir adiante somente com a oração e com o exemplo. Ela
deseja que falemos com nossa vida de forma que os outros vejam Deus em
nós.
Freqüentemente, Nossa Senhora aparece triste, sentida, justamente
por causa desses filhos que ainda não conheceram o amor do Pai.
Ela é verdadeiramente nossa Mãe e, como tal, deseja que todos
os filhos tenham uma vida feliz. Não nos resta mais que rezar por
Suas intenções. Mas, primeiro, devemos sentir amor
por nossos irmãos distantes da fé, evitando qualquer crítica
e juízo. Desta maneira, rezaremos também por nós e
enxugaremos as lágrimas que derrama Nossa Se-nhora por seus filhos
distantes."
Eco di Maria (da revista Glas Mira)
Mais imitável que
admirável
"Toda a perfeição está no amor, toda a santidade
está na humildade." É o que afirmava MARTHE ROBIN, mística
fran-cesa, muito conhecida por sua vida no escondimento e no sofrimento,
alimentada apenas com a Eucaristia.
Atualmente, está em curso o processo de beatificação
desta extraordinária «santa» que testemunhou, com a
ajuda da Graça, ser possível viver somente do Amor e da doação.
Marthe Robin, nascida aos 13 de março de 1902 numa pequena
vila de França, Châteauneuf-de-Galaure, é a última
de seis filhos. Toda sua vida esteve muito unida a seus pais, modestos
camponeses que imprimiram em Marthe o gosto pela vida simples. Dotada de
uma natural e viva alegria, depois da escola ajudou os pais na casa e no
campo.
É por meio desta vida simples que Marthe descobre a presença
de Deus e, pouco a pouco, uma profunda atração por Ele. Desde
criança sua fé foi muito forte e personalizada: «As
minhas irmãs não queriam que eu rezasse tanto, mas eu re-zava,
sobretudo na minha cama. Rezava à Santíssima Virgem Maria.
Mais que rezar: eu falava. Tinha sempre o meu Terço no bolso e rezava-o
enquanto caminhava. Rezava muito mais por pensamento que falando...»
Marthe viveu consciente de que era amada de modo singular e com verdadeiro
amor, forte e ao mesmo tempo terno.
«Ó Senhor, bendito sejais pela prova...» Com
a idade de 16 anos, a jovem, que já tinha conhecido na infância
a fragi-lidade da saúde, entra na via de sofrimento que terminará
só com sua morte. Permanece paralisada dois anos e meio sem comer
nem ver, porque seus olhos não podiam suportar a luz. Neste período
aparece-lhe pela primeira vez a Santíssima Virgem Maria. Esta primeira
doença revela-se uma secreta preparação para o longo
caminho de solidão na sua cama. É o momento em que descobre
também o valor do silêncio... «no qual se ouve Deus».
Em 1921, Marthe recobra um pouco a saúde e pode novamente sair e
caminhar com a ajuda de um bastão. É o momento em que revela
a Nossa Senhora seu desejo de entrar no Carmelo. Sente-se muito próxima
de Santa Teresinha do Menino Jesus e, como ela, quer «dar tudo a
Deus».
Em 1922, sua saúde piora novamente. Muitos médicos
tentam ajudá-la, mas com pouco sucesso. Tudo isto leva-a a oferecer-se
completamente a Deus «num ato de abandono e de oferta de amor à
vontade de Deus», que ocorreu em 25 de março de 1925: «Deus
Eterno, amor infinito, meu Pai!....Neste dia me dou e me consagro a Vós
toda inteira e sem regresso...»
Ela compreende que, permanecendo leiga, é chamada a viver
sua oferta com Jesus crucificado pela Igreja e pelo mundo.
Três anos depois paralisam-se-lhe as pernas e, depois de
poucos meses, a paralisia estende-se também aos braços. Deixa
de comer, de beber e de dormir. O único alimento material é
a Santa Eucaristia. Em 1930, Jesus perguntou-lhe «Tu estás
comigo?», Marthe responde: «... que eu morra para que haja
vida...» ... A partir deste momento, começa a vi-ver a Paixão
de Jesus. Todas as semanas, até sua morte, ela reviveu misteriosamente
as etapas da Paixão: «Experimento quanto é doce amar
até ao sofrimento e, direi antes, sobretudo no sofrimento, porque
ele é uma incomparável escola do verdadeiro amor...»
Marthe tem um amor particular a Nossa Senhora, ama rezar o Rosário.
O livro de Grignion de Montfort, O Segredo de Maria, ajuda-a a entrar numa
grande familiaridade com a Santíssima Virgem. O autor escreve: «Quando
o Espírito Santo, Seu Esposo, encontra Maria, voa para ela, entra
nEla plenamente e comunica-se-Lhe em abundância...» Marthe
exulta de alegria quando fala de Nossa Senhora «Medianeira de todas
as graças». Mais tarde, pedirá que pintem um qua-dro
que A represente.
A jovem «santa», como é conhecida na vila, foi
preparada com anos de oração, de renúncia e de sofrimento
para sua missão, missão que logo começou a germinar
na sua paróquia. Por meio dela, Jesus pediu ao pároco que
criasse uma es-cola católica para rapazes. Mas ele não tinha
os meios para fazê-la. Marthe insiste: «Aquilo que Deus pede
Ele dá». ... Em 1934, a primeira escola católica em
Châteauneuf-de-Galaure abre suas portas.
Jesus revelou à jovem francesa o desejo de fundar na paróquia
um «Foyer de Charité» (Casa de Caridade) onde Ele operaria
prodígios e Sua Santa Mãe faria maravilhas: «Estas
casas espalharam-se por todo o mundo até aos pontos mais recônditos
da terra». Mais do que nunca Marthe sente-se filha da Igreja: quer
agir de acordo com o seu pároco, consci-ente de que o seu sacerdócio
laical pode exercitar-se exclusivamente através daquele presbítero.
Mas o pároco sente-se despreparado para aquela obra. Deus então
promete-lhe enviar um sacerdote escolhido, com vocação para
a missão. Em 10 de Fevereiro, vigília de Nossa Senhora de
Lourdes, Marthe recebe a visita do abade Georges Finet, um padre que di-fundia
em Lion a espiritualidade mariana, segundo S. Grignion de Montfort. No
fim do encontro, a mística comunica ao abade que ele será
seu «Diretor espiritual» e o Padre do primeiro Foyer de Charité».
Tal projeto é algo de grande que atemoriza o «inexperiente»
sacerdote, mas como não ver a obra do Espírito Santo numa
alma tão humildemente unida ao Senhor e tão próxima
da Santíssima Virgem, que ele mesmo amava confiando-se como uma
criança?
De acordo com seu Bispo e com os superiores, Padre Finer funda
o primeiro Foyer de Carité onde prega exercícios espi-rituais
(cinco dias de total silêncio para cada participante). O Foyer é
uma comunidade de batizados, homens e mulheres, que colocam todos os seus
bens materiais, intelectuais e espirituais em comum. Vivem trabalhando
e rezando num estilo de vida familiar organizado segundo as necessidades
do serviço. «O Senhor chamou-vos para grandes coisas, a primeira
de to-das é deixar-vos a vós mesmos» dirá Marthe.
Não estão ligados por votos, mas é só o amor
a Cristo que os liga e os une uns aos outros e com este amor acolhem todas
as pessoas que os procuram para se refazerem. Marthe, imobilizada no seu
leito, fica cega, coloca em suas orações os sacerdotes, os
membros do Foyer e os que o freqüentam.
Marthe vive em comunhão dos santos com as pessoas que a
circundam e com os visitantes, misteriosamente atraídos por eles:
«Meu adorável Jesus, Vós que viveis dentro de mim,
Vós que me dirigis e instruís, fazei com que todas as pesso-as
que se aproximam de mim saiam consoladas quando choram. Levantai-as quando
estão sobrecarregadas, serenai-as por meio da recordação
de uma palavra, de um olhar e de um sorriso». Os pequenos, os pobres
de coração, os pecadores e as almas que procuram a verdade
e a luz: são estes os que se aproximam e se deixam cumular pelo
acolhimento e pela escuta, tão simples e tão verdadeira.
Marthe não dá soluções, ela escuta
e faz, reza e convida a rezar. Oferece o tesouro mais belo de uma palavra
de Jesus que desce ao seu coração. Sobretudo compreende e
compadece-se num silêncio onde o outro, sentindo-se amado, respeitado,
capaz de ser perdoado e de se tornar o santo que Deus espera dele, encontra
a esperança. Preo-cupa-se apenas em encaminhar os pecadores ao sacerdote
que lhes dará, na Confissão, a plenitude da ternura de Deus.
Aos que sofrem e a todos, recorda o valor da oferta que vive nela
mesma: «cada alma que ama deverá dar à sua vida e aos
seus sofrimentos um valor apostólico, um valor redentor, um valor
de eternidade... Mais do que nunca, o mundo precisa de almas santas e generosas
que, como «hóstias vivas», se dediquem inteiramente
ao sacrifício, à imolação, ao amor».
A pequena Marthe conhecia os ataques do demônio cada vez mais violentos,
mas a presença de Nossa Senhora enchia-a de uma doçura que
é sinal da ressurreição já vivida no coração
da paixão.
«Se o grão de trigo caído na terra não
morrer, permanece só, mas, se morrer, dará muito fruto»
(Jo. 12,24) ...
Sexta-Feira, 6 de Fevereiro de 1981, Marthe regressa ao Pai, depois
da última e extrema luta contra o demônio. Hoje seríamos
felizes se víssemos como ela gostava de olhar Nossa Senhora: «mais
imitável que admirável». O seu quarto tornou-se lugar
de oração onde já têm acontecido milagres.
Sagrado Coração de Jesus, Vós que manifestastes
a Marthe Vosso grande desígnio de Amor e de vida para atrair a Vós
todos os que Vos procuram ou que Vos esqueceram, para que a sua incessante
oferta de compaixão e de misericórdia participe num novo
Pentecostes, pedimo-Vos que sua beatificação, por meio da
Igreja, sirva para fazer conhecida Vossa Palavra viva de Amor e de Paz...
Irmã Heller Eco de Maria
Comunhão no Espírito
Santo
Padre Tomislav Vlasic
«A Multidão dos fiéis era um só coração
e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que
possuía, mas tudo entre eles era comum» (At 4,32).
O homem tende, naturalmente, a agregar-se. Na vida, experimenta
muitas situações em que é chamado ao relaciona-mento
com os outros, de maneiras e intensidades diversas, segundo as circunstâncias.
Há uma grande diferença entre estar unido pelo coração
e estar unido pelo Espírito Santo.
É o Espírito Santo Quem nos comunica os segredos
do Rei. É Ele Quem nos dá capacidade de compreendê-Lo,
de vivê-Lo e de anunciá-Lo aos outros. NEle a nossa comunhão
perde todos os condicionamentos humanos e insere-nos no Reino de Deus,
regulado por uma única Lei: o Amor. O próprio Espírito
Santo é o Amor do Pai e do Filho, um bem que Eles reciprocamente
«permutam».
Toda a vida no Espírito é uma permuta recíproca.
Da mesma forma, são também os dons que o Espírito
nos conce-deu e que, se não forem «permutados», partilhados
com os outros, não podem crescer. A vida divina não pode
circular entre nós sem esta permuta no Espírito Santo: o
amor que percorre entre as pessoas.
Os pensamentos e os afetos devem ser canalizados através
do Espírito, só assim a nossa comunicação se
tornará pura, livre, autêntica, capaz de alimentar quem contata
conosco, porque não daremos nada de nós mesmos, mas o Amor
de Deus. Assim se purificam as nossas relações, alcançando
uma real liberdade interior, onde o Espírito Santo pode agir se-gundo
o Seu desígnio, e não como queremos.
É preciso aprender a conhecer-nos por meio do Espírito
Santo, a compreender os dons que Deus concedeu aos outros, a acolhê-los
e a valorizá-los, porque são colocados à disposição
de todos. Assim, teremos um panorama cla-ro, uma visão íntegra
da pessoa com quem nos relacionamos e, com ela, de modo completo, abraça-se
todo o seu mundo interior. Não mais nos condicionarão seus
limites, seus defeitos, pecados, porque a veremos somente por meio dos
olhos do Espírito, que transcende nossos esquemas, idéias,
nossa cultura, e até mesmo nossas concepções espirituais.
O conhecimento no Espírito Santo torna-nos livres, em todos
os níveis de nosso ser e isto ajuda-nos a libertar-nos também
de nossos medos, fruto da incapacidade de comunicar. Temos medo porque,
no fundo, na alma, não sabemos receber e dar amor.
Da libertação na comunicação nasce
a possibilidade de partilhar a vida, de ser «um só coração
e uma só alma». Mas não chegamos ainda ao nosso objetivo.
É preciso, antes de tudo, dar um outro passo fundamental: morrer
para nós mes-mos, para as nossas razões, para as nossas «caixas»
mentais e afetivas e decidir renunciar humildemente àquilo que nos
se-para dos outros.
O pressuposto é a disponibilidade de perdoar a quem nos
fere, porque quando nos fechamos em nós mesmos, em nossa ofensa,
em nosso orgulho ferido, impedimos ao Espírito Santo Sua livre circulação
e, conseqüentemente, a cura dos males. Quem se encerra numa atitude
crítica, de prepotência, de falsa segurança, deve tomar
consciência de que sua po-sição fechada constitui um
enorme obstáculo à ação do Espírito
de comunhão. Devemos, então, em cada momento, viver como
se fosse um novo início, como se o mundo começasse de novo
na nossa alma, sacrificando a experiência vivida, até mesmo
se a julgamos boa.
Diante dos irmãos, devemos apresentar-nos com uma atitude
de serena «nulidade», deixando livre o espaço ao Espírito
Santo, para agir nos diversos níveis do nosso ser e eliminar as
barreiras que nos dividem dos outros. Assim, estaremos prontos para acolher
o Amor de Deus que une e nos irmana.
O Verbo de Deus, que habita na profundidade do nosso ser, deverá
ser o princípio de todos os nossos pensamentos, de todos os nossos
afetos e de todas as nossas atitudes, e nada deverá acontecer sem
Ele. Jesus disse muitas vezes aos Apóstolos: «Não temais!».
O medo nas nossas relações nasce do fato de que nos submetemos
freqüentemente aos nos-sos juízos. É preciso combater
com energia o medo de ser julgado, caso contrário, não nos
podemos refletir nos outros, na diversidade que Deus colocou em nós.
Superar o medo do juízo significa abrir a porta ao Espírito
Santo. Muitos ao ouvirem a palavra «Juízo de Deus» as-sustam-se,
mas o Juízo de Deus nada tem a ver com o humano, é o medo
na nossa alma que nos bloqueia frente a esta idéia. Se não
eliminarmos de nós o medo, nunca poderemos ver Deus na Sua diversidade,
na Sua grandeza. Fechados no nosso pequeno mundo não descobriremos
Sua imensa bondade que nunca nos julga. Pelo contrário, somos nós
que jul-gamos a nós próprios, quando recusamos Sua Misericórdia,
Seu Espírito. Julgamo-nos com nossos freqüentes isolamen-tos.
Devemos aprender a ir a Deus pedir perdão, ir ao irmão
e dizer «perdoa-me» ou então ficar em paz, deixando
Deus atuar, vendo com o tempo, como ficam as coisas...» Assim, todas
as barreiras serão rapidamente superadas, e até uma alma
intratável, fechada em seus juízos, encontrará espaço
para a manifestação do Espírito de amor, que cura
todas as feridas e recupera todas as relações.
Foi nos dada a graça de vivermos em harmonia. Basta apenas
nos decidirmos que o único Coração, ao qual queremos
nos unir, é o de Jesus. Que Ele sopre continuamente em nós
Seu Espírito de comunhão.
Eco de Maria
Aos Peregrinos de 2002
21º Aniversário das Aparições
Mediugórie (10 dias): 22/Jun -
1/Jul
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