Mediugórie - Eco
192
Março de 2002 - Anunciação
do Senhor
Mensagem da Rainha da Paz,
de 25.02.02:
Queridos
filhos! Neste tempo de graça convido-os a se tornarem amigos de
Jesus. Rezem pela paz em seus co-rações e trabalhem na conversão
pessoal. Filhinhos, somente assim poderão se tornar testemunhas
da paz e do amor de Jesus no mundo. Abram-se à oração
para que a oração se torne uma necessidade para vocês.
Conver-tam-se, filhinhos, e trabalhem para que o maior número possível
de almas conheçam Jesus e Seu amor. Eu estou perto de vocês
e os abençôo a todos. Obrigada por terem correspondido a Meu
apelo.
Tarde
demais eu te amei!
O tempo da Quaresma que estamos vivendo
agora é tempo de graças, assegura-nos Nossa Senhora em sua
mensagem. O tempo de graça começou com a vinda de Jesus Cristo.
Em várias mensagens anteriores, Nossa Senhora chamou nossa atenção
para esta realidade em nós e à nossa volta. Sua presença
aqui é uma graça e um presente para aqueles que A recebem
como Mãe de suas vidas e Mãe de sua paz. Cada palavra Sua
e cada mensagem é um apelo de um Coração maternal
dirigido ao co-ração dos homens.
Também por meio desta mensagem,
Maria, nossa Mãe, quer que nos tornemos amigos de Jesus: não
mais estrangeiros, mas amigos que O conheçam melhor a cada dia.
Também entre nós, podemos nos tornar verdadeiros amigos somente
se formos amigos de Jesus. Podemos até ser considerados pessoas
de fé e cristãos, podemos ir à Missa no domingo, procurar
regular-mente a Confissão, podemos viver nossa fé mais ou
menos exteriormente sem conhecer Jesus e sem ser amigos dEle. Jamais podemos
dizer que conhecemos Jesus o bastante. Podemos procurá-Lo e encontrá-Lo,
porque foi Ele Quem primeiro nos procu-rou. Segundo o Apóstolo São
João: Nisto consiste o amor: não em termos nós amado
a Deus, mas em ter-nos ele amado, e en-viado o seu Filho para expiar os
nossos pecados (1Jo 4,10).
A mais bela experiência do amor
de Deus e de Sua proximidade, obtida em favor de seu filho por Santa Mônica
por meio da oração, pode ser encontrada no livro "Confissões",
de Santo Agostinho:
"Tarde te amei, ó beleza tão
antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro
de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me
sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não
estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não
existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito
rompeu a mi-nha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha
cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por
ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora
estou ardendo no desejo de tua paz.
Quando estiver unido a ti com todo o meu
ser, não mais sentirei dor ou cansaço. Minha vida será
verdadeiramente vida, toda plena de ti. Alivias aqueles a quem plenamente
satisfazes. Não estando ainda repleto de ti, sou um peso para mim
mesmo. Mi-nhas alegrias, que deveriam ser choradas, contrastam em mim com
as tristezas que deveriam causar-me júbilo, e ignoro de que lado
está a vitória. Falsas tristezas pelejam em mim contra as
verdadeiras alegrias, e não sei quem vencerá. Ai de mim!
"Tem pie-dade de mim, Senhor"! Ai de mim! Vês que não escondo
minhas chagas. Tu és o médico, eu sou o enfermo. Tu és
misericordio-so, e eu sou miserável."
Precisamos dessas experiências de
proximidade de Deus. Nossa Senhora deseja conduzir-nos a tais experiências,
a esta pro-ximidade e a esta amizade.
É necessário trabalhar na
conversão. Ela é tão imensa, que não depende
somente de nós. Ela vai além do poder humano. O mal é
mais forte do que o homem e quer paralisá-lo. É por isso
que necessitamos de Deus. Somente Jesus Cristo pode salvar-nos do pecado,
da preguiça, do egoísmo, da mentira e do mal. Mas a nós
cabe o passo decisivo. Não podemos mudar ou nos converter, mas podemos
dizer "sim" a Deus. Podemos analisar nossa vida, pegar as palavras de Jesus
como palavras de Deus e não como palavras humanas. Estas palavras
têm o poder de curar, converter e salvar o homem. Somente assim,
seremos ca-pazes de dizer como São Paulo: Eu vivo, mas já
não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente,
na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou
por mim (Gl 2,20).
Agradeço-Vos, Maria, nossa Mãe,
por conceder-nos os meios que nos conduzem a Jesus. Que, por vossa intercessão,
nossos corações possam descobrir sempre mais a oração
como uma necessidade. Que as pessoas que vivem sem amor a Deus e a si próprias
possam descobrir a oração, não como uma obrigação,
mas como algo possível de realizarem.
Frei Liubo Kurtovic
O
sacramento da nossa reconciliação
A humildade foi assumida pela majestade,
a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar
a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível
uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à
nossa recupe-ração, o único mediador entre Deus e
os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através
de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.
Por conseguinte, numa natureza perfeita
e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua
di-vindade, perfeito na nossa humanidade. Por "nossa humanidade" queremos
significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós,
e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor
trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio
no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade
humana, tor-nou-se participante dos nossos delitos.
Assumiu a condição de escravo,
sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque
o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível,
e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendên-cia
da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte,
aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo
a condição de escravo, se fez homem.
Entrou, portanto, o Filho de Deus neste
mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória
do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque,
sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós;
incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos,
começou a existir no tempo. O Senhor do uni-verso assume a condição
de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o
Deus impassível não re-cusou ser homem passível, o
imortal submeteu-se às leis da morte.
Aquele que é verdadeiro Deus, é
também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso,
porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem
como a grandeza de Deus.
Nem Deus sofre mudança com esta
condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído
com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza
realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio:
o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne o que
é próprio da carne.
A natureza divina resplandece nos milagres,
a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à
igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa
a natureza de nossa raça.
É um só e o mesmo - não
nos cansaremos de repetir - verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho
do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se
fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 1.14).
Das Cartas de São Leão Magno,
papa, séc. V.
As
portas para Cristo
Estamos no tempo da Quaresma, tempo de
graça, oração, jejum, arrependimento e conversão.
A Quaresma é representada justamente pelas palavras que Nossa Senhora
tem repetido tantas vezes aqui em Mediugórie: oração,
jejum, arrependimento e conversão. A Quaresma é um período
de graça que, no curso de quarenta dias, oferece-nos a oportunidade
de, por meio de pro-vação e purificação pessoal,
tocar o fundo e o cume de uma existência sensata. Neste período,
é-nos pedido ter confiança em Deus, renunciar às alegrias
deste mundo para que o homem possa ser livre e, nessa liberdade, a alma
possa sentir-se como que em casa. Durante a Quaresma é necessário
encontrar um momento de paz, um momento de mortificação.
È preciso morrer para si mesmo para poder viver no esplendor de
Cristo e resplender nos outros. Na Quaresma deve-se simplesmente decidir,
experi-mentar a amargura do sofrimento de Cristo, se se espera gozar também
de sua glória.
Os dias da Quaresma são um período
durante o qual tanto os ricos quanto os pobres devem percorrer as mesmas
estradas; são momentos em que as pessoas, instruídas ou sem
instrução, devem encontrar uma linguagem comum e tornarem-se
irmãos, unidos pela cruz de Cristo. Durante a Quaresma, podemos
bradar livremente: bem-aventurados os que promovem a justiça, bem-aventurados
os que sofrem, bem-aventurados os que têm fome e sede, bem-aventurados
os pobres! Dessa forma, pode-mos esperar a graça para nós
e também para aqueles que, do Reino de Deus, fazem um refúgio
para si mesmos e para os ou-tros. Nosso dever, durante o período
da Quaresma, não é condenar o mundo, mas, sim, fazer renascer
graças por meio de nos-sas renúncias, do jejum, da oração
e do arrependimento. Temos direito somente a isso. Se agirmos assim, o
mundo condenar-se-á por si próprio e anunciará sua
própria ruína.
Durante o momento da provação,
Jesus rezava, jejuava, sofria. Ele sabia que, sem essas provas de sofrimentos,
sua purifica-ção pessoal não teria conseguido transformar
a humanidade. Ele se colocou a serviço do homem até o extremo.
Por meio de Seu sofrimento, aproximou-nos dEle. Com Seu suor banhou o rebento
dos amigos do homem e de Deus. Com Seu Sangue es-tabeleceu uma aliança
eterna. É um exemplo muito claro que também nós devemos
seguir. No sofrimento e na renúncia deve-mos procurar Jesus. Por
isso, quando você se encontra em sofrimento, doente, pobre, em dificuldades,
saiba que esta é a porta que conduz a Cristo. Sua situação
torna-se ponto de encontro com Deus. Eis por que os que sofrem são
a bênção da terra, da sociedade e da pátria.
Sigamos Cristo e correspondamos aos apelos da Rainha da Paz de Mediugórie.
Não nos esqueçamos de que a Páscoa sem o Gólgota
não tem esplendor. Frei Mário Knezovic
Notícias
de Mediugórie
De
peregrino a Pároco
Frei Branko Rados, OFM, 35 anos, pároco
de Mediugórie. Entrevista publicada na revista «Glas Mira
Medjugorje»
Eu tinha apenas terminado o sétimo
ano de escolaridade obrigatória, quando me chegou aos ouvidos -
enquanto recolhia feno - a noticia de que em Mediugórie aparecia
Nossa Senhora. Não fazia idéia onde se situava aquele lugar.
Mais tarde, regressado a casa, peguei o mapa.
Normalmente, rezávamos todas as
noites em família. Naquele noite, porém, a disposição
era diferente e a oração foi vivida num profundo recolhimento.
No outono de 1981, decidi fazer uma peregrinação,
a pé, até o lugar das aparições. Foram 20 horas
de caminho, mas, ao chegarmos, vendo aquele mar de gente participando da
oração vespertina, cantando e rezando, aquilo era já
um sinal muito grande.
Este encontro em Mediugórie foi
determinante para a minha opção pelo sacerdócio e
pela vida consagrada. «Segue-me», ouvi o chamado, como é
feito a todas as almas chamadas ao ministério sacerdotal. Isso já
foi uma grande bênção. Nesta ótica, vejo o trabalho
no grande campo de Deus que é Mediugórie... Deus convida-nos
para a missão tal como somos, dizendo, como fez com os apóstolos.
«Ide e não vos preocupeis com o que haveis de dizer, vos será
dito no tempo oportuno». Jesus Cristo e Maria guiam-nos, encorajam-nos,
sustentam-nos, carregam-nos e nos levantam quando caímos.
Mediugórie é uma oferta
e é também um desafio. Sinto que Deus nos dá muito,
mas pede-nos também muito. Tal como os que vêm em peregrinação,
também nós aqui aprendemos a rezar, a servir, a aceitar as
pessoas e a tentar com-preendê-las. Nesta fonte de fé e de
oração temos ocasiões para crescer espiritualmente
e enriquecer os outros. Cada Mis-sa, cada Confissão, Adoração
e Rosário nos renovam e oferecem-nos a oportunidade de nos aproximarmos
mais de Cristo e de conduzirmos as almas para Ele, porque é dEle
que as pessoas têm necessidade. O homem de hoje tem sede de paz,
de felicidade, de amor, de verdade, e só Cristo é tudo isso,
«Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida»
Estamos aqui diariamente em contato com
gente de diferentes raças, proveniências, culturas e tradições.
Somos muito diferentes, mas iguais diante de Deus. Todos louvamos a Deus
na própria língua e isto soa como uma maravilhosa har-monia.
Temos ocasiões de escutar o sofrimento dos outros e tantas outras
histórias de vida. Somos necessários à gente, como
sacerdotes, vinte e quatro horas por dia. Por isso, não é
fácil permanecer sempre pacientes, amáveis, afáveis.
Às vezes, talvez até inconscientemente, escandalizamos as
pessoas. Mas esta é a demonstração que somos homens,
peca-dores, fracos, que não somos nós que operamos a cura.
Cristo é o médico das nossas almas e do nosso corpo, enquanto
nós sacerdotes somos só os que levamos as pessoas a Ele.
Todos nós experimentamos uma intensa alegria espiritual, sentindo
quanto são libertadoras e salvíficas as palavras que Jesus
pronuncia através de nós, sacerdotes: «Eu te absolvo
dos teus pecados! Vai e não peques mais!»
Em Mediugórie, nada há que
chame a nossa atenção. As pessoas que chegam vêm conscientes
de que aqui nada existe de particular, não há beleza natural
extraordinária nem outras atrações culturais. Aqui,
realmente, não se vê tanto com os olhos quanto com o coração.
E quando o homem vê algo com o coração, quando com
o coração começa a amar, quando, uma vez junto à
fonte, pode atenuar sua sede, ele regressa sempre a essa fonte.
As pessoas descobriram que Deus aqui está
«mais perto»: sentiram a força do abraço do Pai
porque a Ele regressam como o filho pródigo, experimentam novamente
que são importantes, que, apesar de tudo, Deus os ama imensamente...,
por isso regressam freqüentemente.
Um dos sentimentos mais belos é
quando o homem sente que lhe foi restituída a dignidade humana.
Deus aqui tem dito claramente a muitos que são seus filhos, que
os marcou no seu coração e que ninguém poderá
apagar a marca. Parece-me que seja precisamente isto que as pessoas procuram
e que aqui encontram.
Em Mediugórie, as pessoas compreendem
as palavras de Jesus: «Eis aí tua Mãe». Por isso,
em todo o mundo, uma multidão de almas responderam abertamente ao
apelo que Deus envia através de Nossa Senhora. Deus, através
de Maria, abriu muitíssimos corações endurecidos,
mudou o caminho de muita gente, restituiu a alegria a um grande número
de infelizes e a paz a quem não a tinha.
Nós não podemos calcular
quanto Mediugórie - dada a presença de Maria - modificou
o mundo, quantas guerras evitou nas famílias. Milhões de
pessoas são-Lhe agradecidas. Esta é a causa para o nascimento
de grupos de oração em todo o mundo. Muitíssimas paróquias
seguem o programa litúrgico vespertino idêntico ao de Mediugórie.
Mediugórie é a esperança
e o futuro, mas, antes de tudo, uma oferta ao mundo. Nossa Senhora, como
uma boa Mãe, convida-nos constantemente à paz. Hoje fala-se
muito de paz. Por quê? Vivemos na era do comércio. Tudo se
pode comprar e muitos pensam que também se pode comprar a paz. Esquecem-se
de que a paz é fruto do nosso coração, que a paz se
encontra em Deus, em Jesus Cristo, Príncipe da paz. Esquecem-se
de que Deus pode tudo na sua vida, exceto uma coisa: não pode obrigar-nos
a rezar, porque respeita a nossa liberdade.
Para entrar numa sala é necessário
abrir a porta. Para que Deus entre em nossos corações é
preciso abrir-Lhe a porta por meio da oração.
Eco de Maria
Cidade
sem divórcio
Em Siroki Brieg, com 13.000 fieis, não
há um único divórcio. Não se recorda que nenhuma
família tenha sido desfeita. Será que a Herzegovina goza
de um favor excepcional do Céu? Existe algum truque mágico
contra o demônio da divisão?
A resposta é muito simples! Durante
séculos, sob o domínio turco, e depois, comunista, os croatas
sofreram cruelmente, porque queriam tirar-lhes a fé cristã.
Eles sabem, por experiência, que a salvação lhes vem
da Cruz de Cristo; não vem dos projetos de desarmamento, da ajuda
humanitária ou dos tratados de paz, embora, por vezes, estas realidades
tragam alguns benefícios. A fonte da Salvação é
a Cruz de Cristo! Estas pessoas têm sabedoria, não se deixam
enganar quando se trata da vida ou da morte. Por isso, elas ligaram indissociavelmente
o casamento à Cruz de Cristo. Fundaram o casa-mento, que dá
a vida humana, sobre a Cruz que dá a vida divina.
A tradição croata do casamento
é tão bela que começa a fazer escola na Europa e na
América!
Quando um jovem casal se prepara para
o casamento, não se lhe diz que encontrou a pessoa ideal, o melhor
partido. Não! Que diz o padre?
- Você encontrou sua cruz. E é
uma cruz para amar, uma cruz para carregar, uma cruz que você não
deve rejeitar, mas amar.
Estas palavras pronunciadas na França
deixariam o noivo mudo de estupefação. Mas, na Herzegovina,
a Cruz evoca o amor, e o crucifixo é o tesouro da casa.
Quando os noivos se dirigem para a igreja,
levam consigo um crucifixo. Este crucifixo é abençoado pelo
padre e, du-rante a troca de compromissos, reveste-se de central importância.
De fato, a noiva pousa a mão direita sobre a cruz; por sua vez,
o noivo põe a mão sobre a da noiva e as duas mãos
ficam assim reunidas sobre a cruz, fundadas sobre a cruz. O padre coloca
a estola sobre as mãos dos noivos, que pronunciam então seus
compromissos e prometem mútua fidelidade, segundo o rito da Igreja.
Frei Iozo diz que, depois disto, os noivos não se beijam, mas beijam
a cruz. Eles sabem que bei-jam assim a fonte do amor. Quem se aproxima
e vê as mãos deles estendidas sobre a cruz compreende que,
se o marido abandona a esposa ou ela abandona o marido, é a cruz
que eles abandonam. E quando se deixa a cruz, nada resta, per-de-se tudo
porque se deixou Jesus, perdeu-se Jesus.
Depois da cerimônia, os noivos levam
o crucifixo e dão-lhe um lugar de honra na casa. Tornar-se-á
o centro da oração familiar, porque têm a convicção
de que a família nasceu desta cruz. Se sobrevém um problema,
se há um conflito, é di-ante desta cruz que os esposos vêm
encontrar socorro. Não irão ao advogado, não consultarão
um adivinho ou um astró-logo, não contarão com um
psicólogo para resolver seus problemas. Não! Eles irão
diante do seu Jesus, diante da cruz. Ajoelharão, e, diante de Jesus,
derramarão suas lágrimas, chorarão seu sofrimento
e, sobretudo, trocarão o seu perdão. Não adormecem
com o coração pesado, porque recorreram ao seu Jesus, ao
Único que tem o poder de salvar.
Eles ensinarão os filhos a abraçar
a cruz de cada dia e a não se deitarem como pagãos, sem ter
agradecido a Jesus. Para as crianças, tão longe quanto vão
suas recordações, Jesus é o amigo da família
que se respeita e se ama. Estas cri-anças não recebem ursinhos
para abraçar durante a noite para se sentirem em segurança.
Mas dizem "boa noite" a Jesus e beijam a cruz. Adormecem com Jesus, não
com uma pelúcia. Sabem que Jesus os guarda nos Seus braços
e que nada têm a temer, seus medos extinguem-se no beijo dado a Jesus.
Ir. Emmanuel (Childrenofmedjugorje)
Pode
ir, você está curada!
Uma das convidadas para o casamento de
Vicka e Mário foi Teresa, da Sicília, 62 anos. Ela nos conta:
Dentre 14 irmãos, sou a décima
segunda filha. Meu pai blasfemava contra Deus e batia em minha mãe
e em nós. Pas-sávamos fome. Numa cama dormíamos três.
Aos 19 anos, senti o apelo para a vida religiosa, mas meu pai não
o permitiu, porque queria que eu trabalhasse para ajudar a família.
Casei-me e minha fé enfraqueceu. Meu marido praticava pouco a fé,
mas íamos à missa aos domingos.
Em 1998, atingida por um câncer
no útero, fui submetida a uma histerectomia, seguida de quimioterapia
e radioterapia. Alguns meses mais tarde, apareceu o câncer na mama,
nova cirurgia, nova radioterapia. Depois, meu marido caiu grave-mente doente
e tive de cuidar dele até sua morte, há dois anos. Estava
esgotada. Fiz novos exames. Diagnosticaram-me, então, um câncer
no fígado. Sofria dores em todo o corpo e provocava vômitos
continuamente. Decidi fazer um retiro em S. Giovanni Rotondo, a antiga
paróquia do Padre Pio, para reorganizar minha vida para os meses
que me restavam. Sen-tia-me esmagada pelas demasiadas provações.
Os médicos queriam operar-me uma terceira vez, e eu precisava tomar
uma decisão.
Durante a primeira noite, em S. Giovanni,
25 de junho de 2000, vivi uma experiência estranha, creio que foi
um sonho, mas não tenho certeza. Encontrava-me na sala de espera
do hospital e esperava minha vez, porque deviam chamar-me para submeter-me
à cirurgia. A porta se abriu e entrou uma jovem. Era uma enfermeira
vestida de bata branca. Tinha os cabelos castanhos, atados em rabo de cavalo.
Dirigiu-se diretamente a mim e disse-me: Pode ir embora, está curada!
Es-pantada, eu gaguejava que não podia ir embora porque tinha vindo
para uma operação. Ela repetia: Sim! Pode ir, está
cu-rada! Eu insisti: deve haver um engano, tenho a cirurgia marcada! Então
ela disse-me, com muita autoridade: Estou lhe dizendo que está curada!
De manhã, este encontro estava
muito vivo em mim. Falei disto ao padre que me disse: Com o tempo, veremos
se isso é verdade ou não. Entretanto, você deve fazer
sua própria escolha e decidir se quer ou não ser operada.
Decidi não me deixar operar. Na
verdade, durante essa mesma noite tinham desaparecido totalmente as minhas
dores. Recomecei a comer normalmente, tive aumento de peso, podia dormir,
caminhar, como uma pessoa de boa saúde. Todo o meu ser tinha sido
retomado por uma força muito grande.
Ah! Tinha-me esquecido de dizer
que o primeiro pensamento que tive ao despertar, depois desse sonho, foi
para Me-diugórie: Tenho de ir a Mediugórie! Fui tomada
por um intenso desejo de ir e, no entanto, quase nada sabia sobre Mediu-górie:
uma aldeia perdida da Bósnia-Herzegovina, algumas aparições
a jovens pastores... Era tudo o que sabia! Este retiro em S. Giovanni Rotondo
foi para mim um tempo de ressurreição e decidi mudar de vida,
colocar Deus em primeiro lugar. Depois do retiro, procurando um meio de
ir a Mediugórie, acabei encontrando, na Sicília, uma peregrinação
organizada para o dia do Ano Novo. Também me convidaram a participar
nas quintas-feiras à noite dum grupo de oração baseado
nas mensagens da Rainha da Paz. Cada mensagem atingia diretamente meu coração
e a alegria invadia-me cada vez mais.
Em Mediugórie, fui conquistada
pela graça do lugar desde o primeiro dia, ao fazer a Via Sacra no
monte Krizevac. No dia seguinte, fomos ouvir Vicka. Olhando-a, eu pensava:
já vi este rosto em qualquer parte, mas onde?
Então, revi como num filme a cena
da minha noite em S. Giovanni e exclamei: Ela é a jovem de bata
branca que me veio dizer: Você pode ir embora, você está
curada! Eu estava maravilhada e olhava essa luz no seu olhar, esses raios
de amor que saíam do seu rosto. Mais tarde, tive ocasião
de lhe falar dessa noite em que me foi visitar e ela, sorrindo, res-pondeu-me
simplesmente: Demos graças a Deus! Agora a minha vida divide-se
entre o meu apostolado na Sicília e os meus retiros em Mediugórie.
Sei que a Gospa tem um plano para mim através desta cura e desta
liberdade que me foi concedida. A minha alegria reside em ser Seu instrumento;
ser como Ela quiser!
Este é apenas o começo do
testemunho de Teresa, essa mulher simples, discreta e cheia de entusiasmo,
que se juntou aos apóstolos de Nossa Senhora. A aparição
de Vicka no auge do seu sofrimento mostra que não há necessidade
de cor-rer atrás dos videntes, mas que o importante é abrirmo-nos
a Deus e deixá-Lo transformar nossa vida. Porque, para nos socorrer,
Deus dispõe de milhares de anjos, nunca Lhe faltam graças
para nos ajudar, nem imaginação para nos visitar. Por que
Ele escolheu Vicka para Teresa, naquela noite? Não podemos responder
a esta pergunta, mas, felizmente, podemos agradecer!
Ir. Emmanuel (Childrenofmedjugojre)
Não
devemos ter medo
Eis algumas palavras de Vicka sobre os
acontecimentos de 11 de setembro em Nova York:
Vocês sabem, não devemos
ter medo de nada. O Senhor não quis chocar ninguém. Precisamos
ver as coisas com ou-tros olhos. Deus quis dar uma lição.
Quando acontece algo feio, terrível, todos nos deixamos levar pelo
desespero. Deve-mos estar preparados, porque já há 20 anos
que Nossa Senhora nos alerta dizendo que, pelo jejum e a oração,
podemos afastar, e até parar, as guerras. É preciso que estejamos
preparados! Nas nossas famílias devemos pensar mais em Deus, e deixar
que tudo aconteça. Ocorre, no entanto, que esquecemos Deus. Nós
O colocamos em segundo plano. Às vezes, Ele já nem mesmo
tem lugar em nossas famílias. Devemos mudar! Que Deus esteja verdadeiramente
em primeiro lugar e tudo o mais poderá acontecer. Não devemos
ter medo. Deus não deseja bombardear ou fazer o mal. Não,
Deus deseja salvar-nos! Ele quer ajudar-nos! Através deste sinal
de Nova York, Ele quer despertar-nos! Nossa Senhora também sem-pre
nos dá esperança e confiança.
Ir. Emmanuel (Childrenofmedjugojre)
N.
Senhora indica o caminho
Somente a Mãe pode fazê-lo.
Somente Nossa Senhora pode fazê-lo, incansável Mestra da escola
da graça do Senhor. Quando todos se cansam, param, ficam desiludidos
e desencorajados, a Mãe - a Rainha da Paz - começa Sua missão.
Ela, com Sua presença em Mediugórie, abre espaço a
uma nova esperança, a um novo início e a uma nova inspiração.
Durante a trajetória deste Santuário, há mais de vinte
anos, Ela nunca parou. Nossa Senhora é o plano de Deus para o mundo
de hoje, justamente através de Mediugórie. Foi enviada por
Deus a nosso meio e conduz os filhos de Deus ao Pai celeste. Em cada mensagem
uma parte do Céu vem à terra. Do mesmo modo, justamente por
meio daqueles que se con-vertem, Nossa Senhora faz uma permuta com Deus,
principal Benfeitor e Amigo do homem.
Quando penso em Nossa Senhora de
Mediugórie e em suas mensagens, deparo-me sempre diante de um aspecto:
Nossa Senhora indica o caminho, abre as portas, convida ao banquete eterno.
Como São João Batista, Ela grita no de-serto do mundo de
hoje, no deserto dos corações dos homens. Como João,
também Nossa Senhora não Se coloca em primeiro lugar. Ela
escuta, é uma Medianeira, para dizer em uma linguagem atual: Nossa
Senhora é o meio de comunica-ção entre o homem e Deus.
Cada mensagem Sua, admoestação, convite, conduzem ao Pai,
ao Filho e ao Espírito Santo. Desta maneira, Ela realiza o nosso
caminho para a Santíssima Trindade.
Como Nossa Senhora escutou a voz
de Deus e mudou sua vida, o lugar em que vivia, pede que façamos
o mesmo. Nossa Senhora deseja chamar a atenção sobre nossa
vida e afirmar a nossa pertença a Jesus. Ela deseja conduzir-nos
pela estrada da renúncia, do jejum e da oração, para
chegarmos a Deus. Ela não oferece nada de passageiro.
Nossa Senhora em Mediugórie confia
uma missão a seus filhos. Mesmo alguns julgando-A exigente demais,
ao mesmo tempo seus apelos atraem milhões de pessoas a este Santuário.
As pessoas buscam novos desafios e diretrizes; é o que se percebe
nos fiéis que se convertem por causa das mensagens de Nossa Senhora.
Escutar e acolher a voz de Nossa Senhora e seguir pelos caminhos que Ela
nos indica é o maior desafio para os cristãos de hoje. Não
devemos ter medo de seguir rumo ao desconhecido. Por intercessão
da Rainha da Paz, nossos medos serão abrandados e seremos encorajados
em nossa insegurança.
Frei Mário Knezovic (Press Bulletin)
As
portas do inferno não prevalecerão
«Muitas vezes se ouve dizer: «A
principal missão do demônio é conseguir fazer crer
que ele não existe!»
O Padre Gabriele Amorth é um exorcista
muito famoso no mundo. Fundador e Presidente de honra da Associação
In-ternacional dos Exorcistas. Uma longuíssima experiência
na luta contra o Maligno e um amor terno e apaixonado a Nossa Se-nhora
(«a Ela me confiei quando recebi o meu mandato, pedindo-Lhe para
envolver-me no Seu Manto onde iria certamente en-contrar o seguro refúgio
- afirma Pe. Amorth, depois de ter recebido muitas ameaças do demônio,
sem, porém, nenhum dano!»).
De vez em quando, publicamos no Eco as
reflexões desse sacerdote que nos ajudam a compreender mais profunda-mente
esta realidade sobrenatural que atua na vida de todos nós, de modo
oculto, causando, por vezes, grandes sofri-mentos e dificuldades a quem
se encontra exposto a sua ação maléfica. Estas considerações
não querem lançar o alar-mismo nem tampouco ensinar a «demonizar»
todos os males. Pelo contrário, desejam, sobretudo, educar para
uma vida espiritual sã, equilibrada, abandonada a Deus e, de modo
particular, a Maria que — figura do Apocalipse — é símbolo
da Igreja que esmagará definitivamente a cabeça da serpente.
«O Espírito Santo rege a Igreja — confirma o Pe. Amorth —
As portas do inferno não prevalecerão, mas é verdade
que também a Igreja deve dar-se conta de que o inferno é
uma realidade que ameaça a vida dos fiéis e, por isso, deve
tomar as justas medidas para protegê-los».
Infelizmente, nem sempre é assim.
O número dos exorcistas oficialmente nomeados é escassíssimo...
Há um artigo do Código do
Direito Canônico que dá autoridade absoluta ao Bispo para
nomear exorcistas...
João Paulo II, disse um dia: «Quem
não crê no demônio não crê no Evangelho!»...
Nossa Senhora, em Suas mensagens, muitas
vezes nos tem exortado a combater com decisão o Maligno e a fazê-lo
com plena consciência: «Queridos filhos: Hoje, como nunca,
convido-os à oração... Satanás é forte
e deseja destruir não só a vida humana, mas também
a natureza e o planeta em que vocês vivem» (25.1.91). «Convido-os
a entrarem em luta contra Satanás por meio da oração...
Presentemente, Satanás tenciona agir mais, pelo fato de vocês
terem conhecimento da sua ativida-de.»(8.8.85). «Somente através
da oração vocês poderão vencer todas as influências
de Satanás no lugar onde vivem.» (7.8.86). «... Rezem
incessantemente. Rezem ainda, e sempre mais, de modo que Satanás
fique afastado deste lugar». (5.9.85) «Se reza-rem, Satanás
não poderá prejudicá-los de modo algum, porque vocês
são filhos de Deus e Ele zela por cada um! Rezem. Que o Rosário
esteja sempre em suas mãos como sinal contra Satanás, pois
vocês Me pertencem.» (25.2.88).
São palavras que nos convidam a
vigiar e a tornar-nos ativos na luta, mas são também palavras
de conforto, porque Nossa Senhora assegura-nos que através da oração,
do amor, dos Sacramentos, estamos protegidos e podemos também contribuir
para expulsar o inimigo da nossa vida e da vida de tantos irmãos
aflitos.
«A Igreja continua o seu caminho
não obstante as normais fraquezas. Está em pé pelo
Espírito Santo, confirma o nosso exorcista «e depois de todas
as lutas, Satanás poderá ter apenas resultados parciais.
O demônio poderá vencer batalhas e até importantes,
mas não ganha a guerra».Stefânia Consoli
Aos
Peregrinos de 2002
21º
Aniversário das Aparições
Mediugórie
(10 dias): 22/Jun - 1/Jul
Diretor Espiritual:
nosso Bispo
diocesano.
Ainda dispomos
de algumas vagas!
Contribuições
para o Eco
Banco
do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha
A
nossos Benfeitores
Nosso agradecimento especial às
pessoas que estão colaborando com as obras sociais desenvolvidas
pela Comunidade Servos da Rainha. Como no ano passado, acolhemos este ano
cerca de 500 crianças em nosso Educandário (jardim I, II
e III e reforço escolar para alunos da 1ª à 4ª
séries). Solicite seu carnê de contribuição.
Nosso endereço na
Internet tem novo nome. Anote-o em seus "Favoritos":
http://www.servosdarainha.org.br
E-mail:mediugórie@servosdarainha.org.br