Mediugórie - Eco
197
Agosto de 2002 - 15/Assunção
de N. Senhora
Mensagem da Rainha da Paz,
de 25.07.02:
Queridos filhos! Hoje Eu me alegro
com seu Santo padroeiro e convido-os a estarem abertos à vontade
de Deus, para que a fé cresça em vocês e, por meio
de vocês, nas pessoas que encontrarem em sua vida diária.
Fi-lhinhos, rezem até que a oração se torne alegria
para vocês. Peçam a seus santos protetores que os ajudem a
crescer no amor a Deus. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
Nossos Santos Padroeiros
Hoje Nossa Senhora nos fala que está conosco na celebração
de São Tiago, o padroeiro dos peregrinos e da Paróquia de
Mediugórie, que Ela escolheu para obter, por meio de Sua intercessão,
muitas graças de Deus. Não foi uma coincidên-cia que
São Tiago foi escolhido como Santo padroeiro desta Paróquia,
como também não é coincidência - como Nossa
Senhora disse numa mensagem - que os paroquianos construíram uma
cruz na montanha de Mediugórie, em 1933, para marcar os 1900 anos
da Paixão de Jesus. Eles não poderiam ter imaginado que tantas
pessoas viriam em peregrinação a esta Cruz, e que tantas
graças seriam derramadas precisamente neste lugar. Deus tem seus
planos maravilhosos que são inacessíveis para nós,
mas Sua mão é firme. Os paroquianos construíram essa
cruz com amor e Deus concede-nos sem-pre mais do que Lhe oferecemos.
Nesta mensagem, Maria, nossa Mãe, assegura-nos, mais
uma vez, Sua presença, e não somente a Sua, mas também
a presença de São Tiago e de toda a corte celestial.
Ela nos fala sobre a unidade entre a Igreja peregrina, que somos nós,
e a Igreja gloriosa, que representa todos aqueles que incessantemente louvam
a Deus. Isto é o que diz o Catecismo da Igreja Católica:
"Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente
com Cristo, consolidam com mais fir-meza na santidade toda a Igreja. Eles
não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando
os méritos que alcan-çaram na terra pelo único mediador
de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude
deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio" (CIC 956).
Contemplam a Deus, louvam-no, e não deixam de velar por aqueles
que deixaram na terra... A sua intercessão é o mais alto
serviço que prestam ao plano de Deus. Podemos e de-vemos pedir-lhes
que intercedam por nós e pelo mundo inteiro (CIC 2683). Santa Terezinha
do Menino Jesus disse: Viverei meu céu fazendo o bem na terra.
É graças à existência dos Santos e dos
Santos padroeiros, amigos de Deus, que amam os homens, que nossa vida tem
sentido, e esta terra não está perdida. Porque amam os homens,
necessitam sempre de Deus e, assim, tornam-se sagra-dos. Eles são
a ponte entre o Céu e a Terra. Nós pedimos aos santos que
nos ajudem a pedir a Deus o que não podemos obter por nós
mesmos. Eles velam por nós e nos levam a Deus, cuidam de nós,
protegem-nos, tornam-nos livres e curam-nos. Intercedem por nós
e estão sempre ao nosso lado. Santos e Santos padroeiros recomendam-nos
que sejamos bons uns para com os outros, que nos reconciliemos e nos perdoemos.
Tornamo-nos santos quando desejamos que nosso co-ração seja
amigo de Deus. Entrando em diálogo com Deus, por meio da oração,
permitimos que Deus entre em nossas vi-das e transforme-as, como Maria
nos ensina até agora durante tantos anos.
Santidade é o programa de nossa vida. Os santos foram pessoas
normais e saudáveis, porque eram amigos de Deus, fonte da vida.
Nossa Senhora pede novamente que rezemos para alcançarmos a alegria
e, mais precisamen-te, Deus, fonte da alegria. Nossa Mãe coloca
seus poderosos meios em nossa mãos. Todas as Suas aparições
aqui em Mediugórie, todas as Suas palavras e mensagens são
apenas meios que levam a esta meta, que é Deus. As aparições
de Nossa Senhora aqui não são um fim, mas um meio e um apelo.
Por que não acolhemos tudo que Deus nos dá por meio de nossa
Mãe? Ouçamos os apelos do seu Coração que nos
ama e que tem um lugar para cada um de nós.
Mediugórie, 27.7.2002. Fr. Liubo Kurtovic
Mediugórie:
Uma ponte para os
jovens
O jornalista Martin Thurner compara a juventude atual com a "ponte
de Avignon". Na antiga cidade francesa, que em tempos passados acolheu
os papas exilados, existe uma ponte ainda inacabada, porém muito
bonita. Por baixo desta ponte corre o rio Ródano. Sobre este rio
começaram, há muito tempo, a construção daquela
ponte. Sem dúvida, seus ar-cos até agora não foram
ligados. No centro ficou um vazio. Tentaram unir os arcos, porém
sem êxito. Ficou comprovado que os fundamentos foram mal feitos,
o que impede completar a junção dos arcos.
Desta maneira, o escritor vê os jovens. Ele considera que
os jovens de hoje não têm fundamentos concretos e necessi-tam
de um mediador para superar as dificuldades e seguir. É correta
a percepção deste jornalista ao afirmar que, na ver-dade,
precisamos ainda de um mediador. Necessitamos de um timoneiro que nos leve
à outra margem, que nos ajude a superar as dificuldades desta vida.
Necessitamos dos pais, dos mestres, dos amigos, dos sacerdotes...
O homem nada pode fazer sozinho. Por isso, necessitamos, de forma especial,
de Jesus Cristo, de Nossa Senhora, Medianeira das Graças, que nos
conduz a Jesus. Devemos tomar a resolução de nos colocarmos
nos caminhos de nosso Deus que disse ao Apóstolo São Tomé
e a nós: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida." Se podemos
encontrá-Lo, quem nos pode impedir? De que ter medo? Por que cair
no desespero e ouvir o lado negativo da vida? Abrace Jesus e construa,
com Ele, seu futuro. Abra-Lhe a porta para que entre em seu interior. Seja
uma ponte de Sua graça, amor e bondade. Que, por meio de você,
flua o rio da graça do Se-nhor.
Muitas vezes, em Mediugórie, temos a oportunidade de escutar
os jovens que conseguiram chegar à outra margem. Sim, muitos abandonaram
os falsos fundamentos em que apoiavam sua vida, tomaram outra estrada e
conseguiram ven-cer. Compreenderam que, sobre fundamentos falsos, não
se pode construir um futuro melhor. Aqui os jovens sentem que alguém
os toma pela mão e os leva de uma vida sem sentido a uma vida plena.
Aqui sentem que podem ser reconhecidos com criaturas queridas - pessoas
com plena dignidade. Em Mediugórie, os jovens chegam a ser
alguém graças à experi-ência do Deus vivo. Sob
a proteção de Nossa Senhora, os jovens chegam a ser alguém.
Os jovens descobrem que sua esperança está em Nossa Senhora,
em Jesus. Esses jovens são inflamados pelo fogo divino da fé,
da esperança e do amor. E, naturalmente, tudo se transforma, a prisão
e a dependência podem ser superadas. É uma situação
séria que vi-vemos neste tempo inseguro. Não é fácil
hoje ter êxito na vida. Sente-se a crise em todos os lugares. Os
jovens cami-nham errantes e buscam. Muitos não têm mais sequer
o desejo de continuar vivendo. Não têm decisão, iniciativa.
Criticam os pais, professores, amigos, os sacerdotes... Os jovens, às
vezes, sentem-se como um incômodo para nós no caminho da felicidade.
Algo semelhante, queridos amigos, experimentou o profeta Elias no Antigo
Testamento. A Sagrada Escritura mostra como Deus enviou um anjo para que,
em seu estado lastimoso e desesperador, alimentasse-o com pão, a
fim de recobrar suas forças e servir de alimento para a vida. Deus
intervém em nossos pedidos e deseja dar uma resposta a nos-sos questionamentos.
Por isso, Nossa Senhora é uma resposta do Céu a todas as
nossas dúvidas e buscas. Os jovens têm percebido isso e, assim,
vêm com alegria a Mediugórie. Frei Mario Knezovic
Notícias de Mediugórie
Mistérios Gloriosos
na Colina
Por ocasião do 21º Aniversário das Aparições
da Rainha da Paz, em Mediugórie, os paroquianos colocaram, na Colina
das Aparições, cinco painéis de bronze, representando
os Mistérios Gloriosos do Santo Rosário. Esses painéis
foram dis-postos entre o local das aparições e a Cruz Azul.
O autor é o escultor italiano Carmelo Puzzolo, cujos painéis
dos Mistérios Gozosos e Dolorosos do Santo Rosário na Colina
das Aparições e os painéis da Via Sacra no Monte Krizevac
têm, durante anos, motivado os peregrinos à oração.
Santos no Novo Auditório
No 21º Aniversário das Aparições, por
iniciativa de benfeitores e amigos de Mediugórie, que desejaram
permanecer anônimos, foram colocadas no Novo Auditório as
imagens de Santa Teresinha de Lisieux e de São Pio de Pietrelcina.
A imagem de Santa Teresinha veio de Lisieux e foi esculpida especialmente
para Mediugórie. A imagem de São Pio de Pietrelcina é
obra de Carmelo Puzzolo, cujos painéis e imagens adornam os lugares
de oração de Mediugórie.
Press Bulletin
Vê-La é sentir-se
no céu
Entrevista dada por Ivan, em
26.06.02
Inicialmente, desejo de coração, cumprimentar todos
vocês e, nesse pequeno espaço de tempo, falar sobre as mensa-gens
de Nossa Senhora nesses 21 anos. Seria necessário muito mais tempo
para falar sobre todas elas, por isso, vou di-zer-lhes só o essencial
das mensagens recebidas.
No começo, em 1981, as aparições foram para
mim uma grande surpresa. Com meus 16 anos, nunca pensei que isso pudesse
acontecer. Jamais ouvira, nem de meus pais nem dos sacerdotes, qualquer
referência sobre aparições. Antes, eu era um cristão
que freqüentava a Missa, rezava, mas sempre de forma apressada para,
em seguida, ir fazer outra coisa, dedicando à oração
o menor tempo possível. Por isso, não quero que olhem
para mim como um santo ou como um ho-mem perfeito. Sou uma pessoa comum,
com desejo de ser melhor a cada dia, pois o fato de ver Nossa Senhora não
si-gnifica imediata conversão.
Minha conversão, assim como a de todas as pessoas, é
um processo que dura toda a vida. Para isso é preciso rezar. Nesse
processo, temos que nos abrir ao Espírito Santo, a cada dia, e eliminar
o pecado de nossa vida.
Devo dizer-lhes que, mesmo depois de 21 anos, ainda pergunto: Por
que eu? Será que não havia alguém melhor do que eu?
Será que vou corresponder? Certa vez, Nossa Senhora me respondeu:
"Querido filho, eu não escolho os melho-res". Há 21 anos,
Ela me escolheu como um instrumento em Suas mãos e nas mãos
de Deus. Para mim, e para minha família, é uma alegria imensa
o fato de estar por todo esse tempo numa escola de amor, de oração
e paz. Este é um grande presente e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade
para com Deus e para com os homens. Estou consci-ente desta responsabilidade.
Sei que o Senhor me deu muito, mas, sei também, que Ele espera muito.
Não é fácil ver diariamente Nossa Senhora
durante 5min, 10min, meia hora, e, depois, voltar à vida quotidiana.
Verda-deiramente, estar com Nossa Senhora é ver-se envolvido pela
luz do céu, é sentir-se no céu. Muitas vezes, depois
da apa-rição, são necessárias duas ou três
horas de recolhimento para voltar à realidade terrena.
Há 21 anos que a Mãe fala de Paz, Conversão,
Oração, Penitência, Jejum, Esperança.
Em 1981, nos primeiros dias, Nossa Senhora se apresentou como Rainha
da Paz. Suas primeiras palavras para o mun-do foram: Queridos filhos, eu
vim porque meu Filho Me pediu. Queridos filhos: paz, paz, paz. Queridos
filhos, é preciso haver paz entre Deus e os homens e entre todos
os homens. Queridos filhos, a humanidade se encontra em perigo de autodestruição.
São palavras que até hoje têm uma expressão
atual. Nossa Senhora vem como Rainha da Paz, somente Ela sabe o quanto
a paz é necessária. A Mãe vem para nos conduzir pelo
caminho da paz, um novo caminho, afastando-nos da es-trada do pecado. É
Seu desejo levar-nos todos pela mão ao encontro de seu Filho. Assim,
Ela nos diz:
Queridos filhos, se não há paz no coração
do homem, se não há paz na família, como pode haver
paz no mun-do? Por isso, queridos filhos, não falem de paz, comecem
a vivê-la, porque a paz é um dom. Abram seus cora-ções.
Não falem de oração, mas coloquem-na em prática.
No mundo já há muitas palavras, é preciso começar
a vi-ver a oração e a paz.
A humanidade necessita de paz. Nossa Senhora nos diz: Hoje a humanidade
está espiritualmente doente. Como Mãe, Ela vem e nos traz
o remédio. Como Mãe, deseja curar nossas feridas. Com amor,
ternura e humildade deseja, a todo o momento, consolar, encorajar e ajudar
a humanidade inteira. Assim, Ela nos diz: Queridos filhos, Eu estou com
vocês e desejo ajudá-los, mas é preciso também
a ajuda de vocês. Por isso, queridos filhos, decidam-se pelo bem,
lutem contra o mal, contra o pecado. Isso sempre repete Nossa Senhora,
sem se cansar. Ela nos diz: Durante 21 anos repeti as mesmas mensagens
e não me cansei. Como Mãe, Ela nos ensina que a mãe
tem que repetir sempre para que os filhos não se esqueçam.
Vocês, mães, muitas vezes falam a seus filhos, repetem, ensinam
e não se cansam. Assim acontece também com nossa Mãe
do Céu. Ela está sempre a nos lembrar. Ensina-nos, educa-nos,
mostra-nos o que há de positivo. Ela não veio trazer o medo
ou criticar a humanidade. Como Mãe, Ela traz esperança para
essa huma-nidade cansada, para a família, para a Igreja, para a
juventude. Por isso, Nossa Senhora nos diz: Se vocês forem fortes,
a Igreja será forte, será uma Igreja viva.
E continua Nossa Senhora:
Queridos filhos, a humanidade tem futuro, mas coloquem Deus em
suas vidas e em suas famílias. Mantenham com o Senhor um novo diálogo
de amor. Em sua passagem pela vida, sejam como peregrinos.
Nossa Senhora, de um modo especial, convida a humanidade à
oração: na família, na comunidade, nos grupos de ora-ção.
Ela nos diz que a Missa deve ser o centro de nossa vida espiritual. Nossa
Senhora disse, não só a mim, mas a três videntes: Se
tiverem de escolher entre estar Comigo e a Missa, escolham a Santa Missa.
Ir à Missa é caminhar ao encon-tro de Jesus.
Nossa Senhora também nos diz para não nos esquecermos
da Confissão mensal, da veneração da Santa Cruz, da
ora-ção em família, da leitura do Evangelho em família,
de perdoar, amar e ajudar o próximo.
Nossa Senhora nos leva em seu Coração e intercede
por nós junto a seu Filho. Assim nos fala: Se vocês soubessem
o quanto os amo, chorariam de alegria. Todas as mensagens que Nossa Senhora
transmite por meio de nós são destina-das à humanidade
inteira. Não existe mensagem particular. Quando ela diz "Queridos
filhos" está se referindo às pesso-as do mundo inteiro, a
toda a humanidade. Todos somos filhos Seus. Ela é nossa Mãe
e precisamos dEla.
Nossa Senhora não nos pede o impossível, mas que
abramos a porta do nosso coração. Ela não fica feliz
quando procu-ramos defeitos nos outros e os criticamos. Seu desejo é
que rezemos pelos outros, para sua transformação espiritual.
Mil, mil vezes repete: "Rezem, rezem, rezem". Sejamos como Ela, que sempre
intercede por nós e nunca se cansa.
Nossa Senhora procura mudar o nosso modo de rezar. Devemos substituir
o ato mecânico pela oração com o coração.
Rezar com amor, de amor e por amor. Que a oração seja um
encontro com Jesus, somente assim nos virá a paz. Nossa Senhora
sabe que não somos perfeitos, mas mesmo assim continuamos sendo
Seus filhos. O importante para o Senhor e para Nossa Senhora é que
toda a oração venha do coração.
Na escola de oração não há feriado
nem férias. Todos os dias devemos ir à escola de oração.
Estas palavras são Suas: Queridos filhos, se vocês desejam
rezar melhor, rezem mais". Esta é uma decisão vital. Não
devemos dizer que não temos tempo para a oração. É
Nossa Senhora Quem responde: Queridos filhos, não digam que não
têm tempo. O problema não está no tempo, mas na falta
de amor. Quando amamos, sempre encontramos tempo. Quando não amamos,
encontramos uma desculpa.
Eu posso dizer que, depois de 21 anos, Nossa Senhora deseja resgatar-nos
dessa morte espiritual.
Hoje, durante a aparição, vou recomendar vocês
e suas intenções, os sacerdotes e os doentes.
Eu vejo Nossa Senhora da forma como agora vejo vocês. Eu
posso tocá-La. Depois de 21 anos, sinto-se completamente à
vontade com Ela. Sua beleza é indiscritível. Seu traje é
cinza com um véu branco. Nossa Senhora tem olhos azuis, ca-belos
pretos, face rosada. Sobre a cabeça há uma coroa de estrelas
e seus pés apoiam-se numa nuvem de cor cinza.
Certa vez, perguntamos por que Ela era tão linda. Sorrindo,
respondeu: Porque eu amo. Amem e serão belos. Isto eu recomendo
a mim e a vocês.
Minha esperança é de que todos nós, toda a
humanidade, possamos responder positivamente. Que a vinda de vocês
a Mediugórie seja o início de sua transformação
espiritual. Continuem essa busca em suas casas, em suas famílias
e em suas comunidades. Tomemos a decisão de melhorarmos. Abandonemo-nos
ao abraço de nossa Mãe, pelo bem, pela paz. Escolhamos Deus.
Assim Seja!
Anotações de Katarina Verbanac
A alegria vence o cansaço
Era ainda seminarista quando ouvi falar de Mediugórie, pela
primeira vez. Hoje, sacerdote, e no final dos estudos em Roma, tive a graça
de acompanhar um grupo de peregrinos. Pessoalmente, fui tocado pelo fervor
com que milhares de pessoas presentes naquela terra abençoada rezavam
e celebravam os sacramentos: particularmente a Eucaristia e a Re-conciliação.
Deixando o juízo sobre a autenticidade das aparições
para quem tem competência na matéria, guardarei para
sempre a recordação da Via Sacra feita pelas trilhas sinuosos
que conduzem ao cimo do Krizevac.
Foi uma subida dura e longa, mas, ao mesmo tempo, muito bela, onde
pude viver diversas passagens que, como uma página do Evangelho,
me deram pontos para meditação.
Na noite precedente à nossa subida para a Via Sacra, uma
religiosa aconselhou-nos a partir antes da aurora. Obedien-tíssimo,
fui surpreendido pela presença de muitos grupos de peregrinos que
nos haviam precedido, sendo que alguns de-les já estavam até
mesmo descendo o monte. Durante a subida, tínhamos que esperar que
os grupos da frente se deslo-cassem de uma para outra Estação,
para depois avançarmos nós.
Sabemos que o nascimento e a morte são acontecimentos naturais
da vida. Na vida cristã, quando recebemos o Batis-mo, o sacramento
do Matrimônio ou da Consagração, há sempre quem
nos precede e quem nos segue. Não somos os primeiros nem os últimos.
Devemos então respeitar os mais velhos na fé, assim como
os que vêm depois de nós. Na Igreja ninguém pode considerar-se
só. O Senhor está sempre acolhendo. Que cada um se esforce
e responda no mo-mento que Ele chamar.
Ó Maria, filha de Israel e Mãe da Igreja, ensina-nos
a viver o hoje da nossa fé, sabendo assimilar a história
da Igreja e preparando o futuro.
Impressionou-me a diversidade de peregrinos e de grupos que subiam
e desciam! Eram diversos quanto à língua, raça, idade,
extrato social, cultura, formação intelectual..., mas estavam
igualmente unidos, muito unidos. Todos em oração no mesmo
caminho, em marcha até à única meta: a cruz do Krizevac.
Todos, tanto individualmente como em grupos, cuida-vam da presença
dos outros. Uma maravilha! A subida era harmoniosa.
Como seria diferente o rosto do mundo, se cada homem tomasse mais
consciência da sua pertença na única grande fa-mília,
o povo do Deus! Teríamos paz e harmonia se cada um amasse o outro
tal como é, com suas particularidades, gran-dezas, e limitações!
Que a ninguém agrade a vida atormentada. Minha vida será
bela somente quando a do meu próximo também o for.
Ó Maria, filha da nossa raça e eleita de Deus, ensinai-nos
a amar-nos como irmãos e irmãs de uma mesma família
e a procurar o bem para os outros.
Precisava subir, passo a passo, até ao cimo, dispensando
sempre alguns minutos para escuta, meditação e oração,
di-ante de cada Estação. Todos os membros do grupo podiam,
livremente, depois da leitura, exprimir uma reflexão, uma in-tenção
ou uma oração. Deste modo, a contemplação das
Estações da Via Sacra, assim como a escuta da Palavra de
Deus e das Mensagens da Santíssima Virgem Maria tornaram-se mais
ricas, mais belas, conduzindo a uma oração mais profunda.
Ninguém se sentia só.
Não faltavam intervenções que traziam à
memória a identidade de cada um. Os minutos decorridos diante das
Estações tornaram-se ocasiões de partilha de nossas
vidas e dos diferentes pontos de vista. Eram momentos de recíproca
interces-são. Todos voltados para Aquele que, para nos salvar, veio
partilhar a nossa condição.
É verdade que a fé é adesão pessoal,
mas, quando é declarada, aumenta e frutifica na comunidade. A amizade
en-quanto tal multiplica a alegria e favorece a partilha do sofrimento,
mas, ainda mais, quando ela tem suas raízes numa fé
comum.
Ó Maria, Vós que meditastes na Paixão do Vosso
Filho no meio dos Apóstolos, ensinai-nos a escutar os nossos irmãos
e irmãs e a libertar-nos dos nossos egoísmos.
Inicia-se a Via Sacra ao longo do Krizevac com muito entusiasmo
e determinação. O trilheiro é tal que as escorregadelas
e quedas não são raras. O corpo é submetido a grande
esforço e é fácil esgotar depressa as energias. A
fadiga, a sede e a fome não faltam... Os mais fracos são,
muitas vezes, tentados a arrependerem-se por terem iniciado tão
árdua empresa.
Podem chegar também a nós as quedas e a sede. As
três quedas de Jesus no caminho do Calvário são significativas
para a nossa vida. A vida cristã exige força e coragem, fé
e perseverança, mas também humildade e misericórdia.
Ó Maria, Mãe dos humildes, tomai nossas fadigas,
nossas penas e nossas fraquezas. Confiai-as a Vosso Filho, o humil-de Servo
que tomou sobre Si os nossos fardos.
Na décima Estação, cruzamos com um grupo de
jovens que transportavam aos ombros uma jovem deficiente. A jovem saudou-nos
com um grande sorriso. Logo pensei na cena evangélica do paralítico
apresentado a Jesus, descido pelo te-lhado da casa.
A jovem estava feliz por estar no Krizevac e ali ter encontrado
Deus. Mas ela só, sem a ajuda dos amigos, não poderia fazer
aquela escalada. Se a subida com as mãos vazias já é
difícil para um homem normal, imagino quanto mais duro foi para
aqueles que, por turnos, transportavam aquela maca, sobre a qual estava
estendida aquela irmã em Cristo.
Quando se ama, aceita-se o sofrimento pela vida e a felicidade
da pessoa amada. Jesus deu-nos o maior exemplo. «Ninguém tem
maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos»
(Jo. 15,13). Amar é ter alguém por quem se morre!
Ó Maria, Vós que chorastes aos pés da Cruz,
ensinai-nos a aceitar o sofrimento por amor, a fim de que nossos irmãos
tenham vida.
Uma bela cena no nosso caminho foi ver o subir e o descer das crianças.
Elas saltitavam, traquinas, sorridentes, ino-centes. Mais do que os adultos,
facilmente caminhavam por sobre as pedras. Os idosos caminhavam de mão
na mão, sentando-se para repousarem um pouco. Os pequenos faziam
ressoar aos nossos ouvidos as palavras de Jesus a chamá-los para
o Seu Reino.
De quem se crê grande, de quem se sente pesado, mais dura
é a subida para o «Carmelo»
Mãe do Príncipe e pequena Serva, ensinai-nos a desfazer-nos
dos nossos prestígios e dignidade para caminhar alegre-mente e serenos
«no caminho estreito».
De mãos dadas, aproximávamo-nos da última
Estação. O cansaço aumentava, mas éramos transportados
pela alegria de que logo chegaríamos. Conhecer a razão do
próprio suor dá coragem. Desde o início da Via Sacra,
as pessoas que já estavam descendo, ao passarem por nós,
encorajavam-nos com seu olhar fraterno a seguir adiante. Não raro,
víamos ca-sais que estendiam as mãos para se ajudarem a vencer
os pontos mais escarpados.
Nossa vida cristã é uma travessia do deserto para
a terra prometida. O desejo de habitar na casa do Senhor dá-nos
ale-gria e paz, por muito que seja duro o caminho. É aqui que os
testemunhos dos santos nos dão grande conforto, daqueles que, antes
de nós, seguiram e serviram o Senhor. A direção espiritual,
o testemunho de vida e a partilha de experiências são necessários
no caminho em que nos encontramos.
Ó Maria, Nossa Senhora pela fé e pela esperança
partilhada, ensinai-nos a aprofundar as Vossas numerosas aparições
para haver ainda motivos de esperança e de seguir adiante.
Eis-nos aqui no alto. Foram necessárias três
horas para chegarmos ao topo. A base da grande Cruz branca está
cheia dos nomes de quem passou por aqui e dos que chegaram aqui trazidos
no coração dos peregrinos. Foi-me dito que estes nomes estão
aqui escritos mais do que com simples letras.
Também no Céu, nossa verdadeira Pátria, estão
escritos os nossos nomes. Deus, que conhece cada um de nós pelo
nome, espera-nos, pensa em nós e vela sobre nós. Ele sabe
o número dos nossos cabelos. Todos os que nos precederam, os santos,
pensam em nós, intercedem por nós e protegem-nos. Onde quer
que nos encontremos e o que quer que faça-mos, devemos vivê-los
em função do Céu.
Ó Maria, coroada de flores do Céu, ensinai-nos a
ter nosso olhar sempre voltado para a realidade lá de cima.
Chegados ao topo do Krizevac, sentimos o desejo de permanecer ali
o mais possível. Sentíamo-nos bem naquele lugar. Diante de
nós, estendia-se um belo panorama de Mediugórie, a cidade
mariana. Cantávamos. Exultávamos de alegria. Mas... era preciso
descer. Precisávamos deixar a montanha e voltar para casa... assumir
a vida de todos os dias. É ali, no dia a dia, que devemos viver,
viver as maravilhas do nosso encontro com o Senhor, sob o olhar de Maria.
Muitas pessoas rezam no Krizevac e muitas vivem no mundo. A oração
de Jesus preenche a vontade do Pai, a salvação do mundo.
A profundidade e a verdade da nossa oração obtém-se
somente por meio da nossa adesão ao projeto de salvação,
de Deus.
Ó Maria, Rainha da Paz, ensinai-nos a dizer sim ao Senhor
todos os dias da nossa vida, a fim de que venha o Reino de Deus!
Pe. Jean-Basile M. Khoto (Eco de Maria)
Uma coisa é certa:
Padre Angelo mudou!
No princípio de julho, o Retiro dos Padres reuniu quase
500 sacerdotes em Mediugórie! Foram muitos os que disseram ter sido
o programa de alto nível. Padre Angelo de Pompa deu este testemunho:
"Venho de uma pequena paróquia perto de Vancouver, no Canadá.
No ano passado, meus paroquianos decidiram ofere-cer-me um presente de
aniversário. Tentei adivinhar o que seria. Com efeito, eles tinham
comprado um bilhete para Me-diugórie e anunciaram-no na Missa um
mês antes da partida. Eu fiquei irritado porque anunciaram a todos
que estavam me oferecendo esse presente! Fiquei enfurecido! Esperava ouvir:
‘Vamos mandá-lo para o Hawai!’ Ou para qualquer outro lugar. E interrogava-me:
‘Por que para Mediugórie? Que vou fazer lá?’ Não porque
não acreditasse nas aparições, mas porque não
tinham ainda sido reconhecidas. Ora, o vôo estava de tal maneira
marcado que nada poderia ser alterado.
Descemos em Split e, mal entramos na camioneta, o guia começou
a rezar o Rosário. Depois, fez-nos ouvir uma fita cassete. Eu estava
cada vez mais nervoso: ‘Temos aqui em baixo este magnífico mar Adriático
e eles nem mesmo param para nos deixar ver a água! No final, quando
nos aproximávamos de Mediugórie e fazíamos a curva
junto aos Correios, de repente, enquanto eu interiormente fulminava, um
imenso sentimento de paz me invadiu. Só o posso descrever de manei-ra
física. Senti alguma coisa, uma paz, que partia do alto da minha
cabeça e descia sobre o pescoço, os ombros, e sempre muito
docemente, até aos meus pés. Experimentava uma tal paz que
logo que esta experiência terminou, pensei: ‘Hawai? Nada importa!’
Senti também uma presença especial. Senti que Maria estava
lá. Não posso expressar isso de outro modo. Era um sentimento
espiritual e uma presença que se juntava ao meu sentimento de paz.
E quando chegou o momento da partida, eu queria ficar!
Pergunta: Padre, o que foi que mais o convenceu das aparições
aqui?
Resposta: Foi a experiência da paz na alma que senti. Porque,
antes de vir a Mediugórie, na minha Paróquia, a mais pequenina
coisa me irritava. Estava fatigado e havia tensão no ar; sim, tudo
me deixava nervoso. Quando regressei, es-sas mesmas pequenas coisas passaram
a não me afetar mais do que a água nas penas de um pato!
Falei um pouco sobre a Paróquia de Mediugórie aos meus paroquianos
e disse-lhes: ‘Está bem! Mandaram-me a Mediugórie, agora
chegou o tempo da minha vingança! Eis o que vamos fazer. Expliquei-lhes
o programa das três horas de oração da tarde e disse-lhes
que, de tempos a tempos, não todas as tardes, faríamos o
mesmo. E eles aplaudiram! Ficaram contentes por ouvir isto. Este foi o
fruto visível, além da minha vida pessoal. Porque, em Mediugórie,
pedi a um padre que desejava fazer uma "Confissão Geral". Sempre
acreditei que meus pecados estavam perdoados, mas disse ao padre: ‘Que
fazer de tudo o que se agarrou a mim como maus hábitos? Então
o padre rezou por minha cura e libertação, o que me desembaraçou
de to-dos esses pequenos demônios que se agarravam ainda a mim...
Tenho 71 anos e, no ano passado, não consegui subir a Colina
das Aparições; só fiz a terça parte. Este ano
subi as duas montanhas (ainda tenho os pés magoados) e isto já
diz muito! No próximo ano, tentarei subir as duas no mesmo dia!
P.: Padre, o que diria a quem não aceita Mediugórie?
R.: Pois bem... ‘Não tenham preconceitos! Devem fazer a
própria experiência!’ E aos que crêem, diria: ‘Não
utilizem as palavras do mundo para serem convincentes’. ‘Vivam-nas!’
Temos um jornal local onde as pessoas das paróquias escrevem
artigos de acordo com uma escala. Quando regressei, era a minha vez de
escrever. Eu disse: ‘Não tenho nada pronto! Acabo de chegar de Mediugórie!’
A encarregada do jornal disse-me: ‘Chegou de onde?’ ‘De Mediugórie’,
respondi. Ela insistiu: ‘Onde é isso?’ Expliquei-lhe então
o essencial sobre Mediugórie e ela perguntou: ‘Gostaria de escrever
uma página inteira sobre isso?’ Então escrevi sobre minha
experiência e no fim dizia: ‘Penso ter deixado um cantinho do Céu
para voltar à terra, aqui’. Ela concluiu o artigo escrevendo: "Uma
coi-sa é certa, padre Angelo mudou!’
Ir. Emmanuel (Childrenofmedjugorje)
Peregrinação
SETEMBRO de 2002
Exaltação
da Santa Cruz
Mediugórie (10 dias):
12/Set - 21/Set
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