Mediugórie - Eco 200
Novembro de 2002 - Todos os Santos
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.10.02:
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.10.02:
Queridos filhos! Também hoje os convido à oração. Creiam, filhinhos, com a oração simples podem ser opera-dos milagres. Por meio de sua oração, abram seus corações a Deus e Ele opera milagres em sua vida. Vendo os frutos, o coração de vocês se enche de alegria e de gratidão a Deus por tudo quanto Ele faz na vida de vocês e, por meio de vocês, pelos outros. Rezem e creiam, filhinhos, Deus lhes concede graças e vocês não as percebem. Rezem e as verão. Que o dia de vocês seja pleno de oração e de agradecimento por tudo quanto Deus lhes con-cede. Obrigada por terem correspondido a Meu apelo.
Abram seus corações
Esta, como a maioria das mensagens de Nossa Senhora, começa também com um convite à oração. Neste momento, nada há mais importante ou necessário a ser falado. Nossa Senhora deseja que estejamos com Ela, plenos de alegria e de gratidão, por meio da oração. Ela não conhece outro caminho, a não ser o que nos recomendou com tanto fervor durante todos estes anos. Se existisse outra maneira, com certeza, no-lo teria dito. Ela é Mãe e ama  cada um dos filhos. Não se-remos iludidos se A ouvirmos e nEla nos refugiarmos. Por isso, também São Bernardo rezava: “Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado o vosso auxílio e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.
Muitos experimentaram e viveram concretamente a força e a eficácia da oração a Deus. A mais poderosa é a oração de agradecimento, que abre não apenas o coração de Deus, mas, sobretudo, as portas de nossos corações, por meio dos quais Deus pode e deseja entrar.
O que Nossa Senhora nos recomenda, coloca em nossas mãos e deseja também colocar em nossos corações, é a ora-ção. Talvez nos pareça simples e fraco instrumento que, segundo a lógica e o intelecto humano, não merece confiança para a obtenção de grandes resultados. Na verdade, somente quem é humilde pode compreender as palavras de Deus. As palavras de Nossa Senhora são também muito simples e não parecem sábias aos olhos do mundo. Por isso, São Paulo diz: “Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria do mundo? Já que o mundo, com sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem.  Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (I Cor 1,20.21.25).
Jesus, pelo Espírito Santo, exclama: “Pai, Senhor do Céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado (Lc   10,21). Na verdade, somente os pequenos reconhecem Deus e também a presença materna aqui em Mediugórie. Tam-bém compreendemos, pelo Evangelho, que Jesus não poderia ajudar os que vinham a Ele, cheios de si, repletos de orgu-lho. O próprio Deus não poderia encontrar aí espaço e oferecer a salvação a pessoas assim. Somente com a oração é possível criar um espaço para Deus; sem essa abertura, Ele não conseguiria entrar em nossas vidas.
Santa Teresa de Ávila costumava dizer: Deus está esperando nossa decisão, para tudo operar em nossa vida. Deus é paciente, espera-nos durante a vida inteira. Espera-nos somente com amor, para no-lo oferecer e com ele nos enriquecer. Está aguardando cada coração humano, e busca a oportunidade em que seja possível cada família recebê-Lo como um Hóspede querido e amigo, que Lhe abra as portas da casa, como o fez Zaqueu. Sua vida se transformou em vida plena, seu coração, agradecido, foi capaz de perdoar e compartilhar. Podemos fazer muito pouco somente com nossas forças humanas. Com elas é impossível chegar à santidade, perdoar, amar, compartilhar o tempo e o coração com os demais. Freqüentemente, em nossa vida, o problema não consiste em perdoar ou não alguém. O problema maior está no nosso “não” ao  perdão e
à liberdade daí resultantes ou, ainda, em não aceitar Deus e não perceber que Ele nos perdoou.
Permitamos que Nossa Senhora nos leve a Seu Filho Jesus, para sermos felizes e agradecidos a Deus, reconhecê-Lo em nós e em cada pessoa que Ele colocou no caminho de nossa existência.     Frei Liubo Kurtovic
Notícias de Mediugórie
Terra dos Santos
Dá vontade de chamar assim o clima característico de Mediugórie. Nesse clima destaca-se, além da oração, algo que caracterizava os primeiros cristãos: amor fraterno e carinho. Croatas e Bósnios, Poloneses e Italianos, Alemães, In-gleses, não poucos Americanos, Coreanos, gente do Japão e da Argentina, Árabes e Brasileiros... Gente de todos os cantos do mundo. Ninguém passa ao lado do outro sem saudá-lo - já que não se sabe qual a língua deles - com sorri-so amigável e olhar carinhoso. É evidente que todos pertencemos a uma só família - a dos filhos de Deus - e estamos visitando nossa Mãe celestial. Em tudo domina paz e alegria.
 Esse clima de amor fraterno não se esgota em sorrisos. Os Suíços instalaram um Pronto Socorro gratuito servido por dois ou três médicos e uma ambulância. Americanos ergueram um imenso galpão de lona para quem não tem condições de pagar a estada em hotel. Uns ajudam aos outros. Na dura e cansativa subida ao Krizevac, quantas mãos se estendem para ajudar! Em Mediugórie ninguém é cristão só de palavras.
 Há pessoas idosas, e até crianças, que sobem o Krizevac descalças, sobre as agudas pedras e pedregulho. Querem economi-zar sapatos? Não! Fazem isso com espírito de sacrifício e por penitência,  de própria vontade.
Outro detalhe: o dia todo há padres - à tarde, mais de trinta! - atendendo con-fissões. Vários deles confessam em duas, três ou mais línguas... Os penitentes formam longas filas. Todos sérios, recolhidos, sem conversas, preparam-se ao encontro com Jesus misericordioso, buscando perdão e paz no coração. Sim, de Mediugórie - da terra da Rainha da Paz e dos santos - ninguém volta o mesmo. Eu também.           Pe. Eugênio
À luz do olhar da Virgem
O Papa João Paulo II sabe o quanto Nossa Senhora apóia nossos pedidos. Recentemente, na audiência da quarta-feira, 9 de outubro, mostrou até que ponto suas palavras se assemelham às da Rainha da Paz, dizendo: “Convido-vos, queridos jovens, a rezar todos os dias o terço. Encorajo-vos, queridos doentes, a que vos entregueis, com confiança nas mãos de Maria e A invoqueis, sem cessar, pelo santo terço. Exorto-vos, caros recém-casados, a que não negligencieis esta oração e meditação sobre os mistérios de Cristo, à luz do olhar da Virgem.”
Quem ama não teme!
Entrevista de Iélena a Ir. Emmanuel:
Pergunta: Iélena, quando você deixou de ter as locuções interiores?
Resposta: Em 1992, parti para os Estados Unidos, para estudar. As locuções começaram a ser irregulares e cessaram em 1994. Agora sinto que Nossa Senhora me guia. Não A sinto ausente, mas já não ouço as palavras precisas que me habituara a ouvir dEla.
P.: Lembra-se dos exercícios que Nossa Senhora lhe dava para o grupo de oração? Ela não lhes ensinou que se amas-sem uns aos outros?
R.: Sim! Frei Slavko gostava desses exercícios. Lembro-me de que Nossa Senhora nos pedia que rezássemos com a pessoa que menos amávamos, que não criássemos simpatias naturais no grupo de oração, mas que fundássemos as nos-sas relações no amor sobrenatural. Penso que o Espírito Santo pode realmente realizar isso. Conheço pessoas que eram muito aborrecidas e difíceis. Quando o Espírito Santo estava no meio de nós, conseguíamos amar aqueles com quem nos era difícil entender.
Há poucas pessoas que me incomodam, elas existem porque eu também sou humana. Mas incomodam-me quando não rezo, quer dizer, quando não conservo minha paz interior. Nunca alguém deveria nos fazer perder a paz! Se isso aconte-ce, é porque o nível de nossa oração está demasiado baixo e precisamos recarregar nossas baterias.
Nosso grupo de oração reunia-se uma hora e meia três vezes por semana, depois da escola ou do trabalho. Era verda-deiramente um estado de graça. Pergunto-me: como conseguíamos? Passávamos dias e noites rezando na montanha e, pela manhã, íamos à escola. Depois, tínhamos os trabalhos. Se não havia outra coisa a fazer, deixava-me cair e adorme-cia enquanto os outros partiam à minha frente para os campos de tabaco.
P.: Nas reuniões de oração, vocês faziam oração espontânea?
R.: Sim, Nossa Senhora dizia-nos que escutássemos uns aos outros nestas orações espontâneas. Devíamos rezar juntos como comunidade, e não pelo que nos viesse ao espírito de maneira arbitrária.
P.: Eu ficava fascinada por ver Nossa Senhora repetir, com tanta insistência, que Sua maior alegria era a unidade de seus corações quando, todos juntos, rezavam a Jesus. Quais são suas melhores recordações de infância e adolescência no seio do grupo?
R.: Recordo de que um dia Frei Slavko nos disse: “Eu sabia que Nossa Senhora os guiava, por causa do amor que via entre os membros do grupo de oração”. Era verdade. Nossas orações eram, às vezes, muito pessoais. Jamais ouvi al-guém fazer um comentário sobre as preces expressas no grupo de oração. Havia muito respeito e amor, porque tudo se baseava no amor sobrenatural. Naquela época, éramos jovens e Nossa Senhora quer os jovens, porque eles são mais abertos à graça! Os jovens não estão de pé atrás.
Ao envelhecer, começamos a calcular. Vemos isso no nosso bairro. Os adultos olham-se e pensam: “Ele vai cumpri-mentar-me e dar-me bom dia? Como vai me tratar, como vou tratá-lo?”, enquanto que as crianças correm de uma casa para a outra.
P.: Como se obtém o amor sobrenatural?
R.: É preciso ser um pouco louco pelo Evangelho! Basta deixar que o Espírito Santo nos transforme. Habitualmente, quando não há amor, há medo. Medo do outro, medo de que alguém nos faça mal ou se aproveite de nós. Pensamos: “Como vão receber-me? Que pensam de mim? Aceitar-me-ão?” Muitos jovens têm todo o tipo de dificuldades por causa disso. Eles têm necessidade de ser amados. Como procuram o amor humano, muitas vezes ficam desiludidos e solitários. Nós tivemos a grande oportunidade de fundar nossas amizades no amor sobrenatural. O Espírito Santo dá-nos tantas con-solações...! Como jovens, nós temos necessidade dessas consolações, porque somos muito frágeis! Sem as consolações do Espírito Santo, podemos sentir-nos muito sozinhos; e isso pode tornar-se uma fonte importante de dificuldades e de pe-cado.
P.: Você acha que Nossa Senhora já realizou e terminou Seu plano com vocês, no grupo de oração?
R.: Esta é uma pergunta muito difícil! Não penso que as coisas tenham terminado. Não faria qualquer sentido que Ela nos tivesse guiado durante tantos anos e tivesse acabado o Seu plano. Agora vejo o Seu plano realizar-se na vida pessoal dos membros. Continuo a ver as pessoas que faziam parte do grupo de oração. São bastante diferentes das que não fazi-am parte do grupo. Elas continuam subindo o Krizevac, a Colina das Aparições e continuam pessoalmente devotadas ao plano de Nossa Senhora. Penso que virá um tempo em que se necessitará mais dos leigos para a formação espiritual. De-vemos aprender a cumprir a nossa função de leigos na Igreja, acolhendo os dons espirituais e partilhando nossa fé.
Há aqui pessoas que vivem verdadeiramente as mensagens. Agora é importante trabalhar onde moram e partilhar sua fé. Eu gostaria também de vê-las trabalhando no mundo, porque o mundo precisa muito!      Ir. Emmanuel
Quem é digno de abrir o Livro
                      Frei Tomislav Vlasic’
Esta é uma pergunta com sabor de desafio, mas que pressupõe uma única resposta possível: é Aquele que foi imolado e resgatou para Deus, com o Seu Sangue, homens de todas as tribos, língua, povo e nação (Ap. 5,9).
São João, em sua visão profética, antecipa não só Aquele que virá no fim dos tempos, mas também o que já se cumpre por meio da obra sacerdotal de Jesus Cristo. Também nós, «povo de profetas e sacerdotes», somos chamados a unir-nos ao sacrifício do Cordeiro, para participarmos na Sua obra de salvação e sermos dignos de contemplar, através dos olhos da fé, as maravilhas escritas na vida de cada pessoa. Para isso devemos seguir o Cordeiro por onde quer que Ele vá.
O Cordeiro mostra-nos o caminho que leva ao Pai da Luz, aonde todos devemos regressar. Entrar na vida da Santíssima Trindade não é, como freqüentemente se pensa, um misticismo, mas simplesmente entrar na vida: vivê-la e manifestá-la. Todos somos convidados a entrar na vida, mas somos também convidados a sair, ou seja, a manifestar a vida aos outros, não com uma superficialidade, nem através de regras humanas, mas manifestando a Luz, a Vida em Deus. Deste modo, colaboramos a fim de que se realize Suas promessas.
Mas, como estão longe de nossa alma as seguintes palavras do Evangelho: «Não temais!», «Não vos preocupeis!», «Procurai, antes de tudo, o Reino de Deus!», «Amai os vossos inimigos»... Como estamos longe... E permaneceremos longe enquanto não entrarmos na dimensão da Vida de Deus Uno e Trino. Só quando Deus habitar em nós, e nós, nEle, todas as promessas terão cumprimento, precisamente como aconteceu a Moisés. A ele foi dada uma graça específica para desempenhar sua missão, enquanto que a nós é-nos pedido realizá-la através da simplicidade de nossa vida.
Somos convidados a entrar na Vida, para transmitir a Vida e alimentar o mundo. Somos chamados a entrar na Luz para transmiti-la aos outros. Somos chamados a ser um povo onde Deus possa habitar... Nada de novo para os cristãos, mas é sempre um passo adiante até à realização da salvação. Nesta perspectiva, é fundamental ter em consideração dois pontos importantes: primeiro, a consciência de que a passagem através do Cordeiro é sempre um percurso obrigatório. Ninguém pode eximir-se a esta «lei» e ninguém ficará em pé, se não mergulhar no Amor sacrificado, naquele amor que aceita morrer para si mesmo, para ser purificado até produzir fruto.
Em segundo lugar, é necessário que o caminho se torne cada vez mais comunitário, comunhão com o Cordeiro no Amor Sacrificado, comunhão com os irmãos. Somos chamados a formar o povo de Deus. O individualismo, de fato, afasta-nos do Cordeiro. Ele deseja atrair-nos a Si, conduzir-nos ao Pai, para que nos envie, quando for nossa vez, como anjos, que se fazem pastores de almas. O valor da vida espiritual mede-se com o amor divino que transmitimos a nosso próximo.
O Cordeiro precede-nos neste caminho e oferece-Se. Não devemos nos preocupar em como fazer as coisas. É pre-ciso, apenas, segui-Lo e caminhar juntos com os habitantes do Céu: junto com os Anjos, com os Arcanjos, com os Márti-res, com os Apóstolos, precisamente como está escrito no Apocalipse. Toda a Igreja Celeste se une ao Cordeiro para abrir-nos a passagem. Dessa forma, somos convidados a fazer o mesmo pelos outros.
Não se pode entrar em comunhão com o Pai, no Espírito Santo, se não nos identificarmos com o Amor Sacrifi-cado. O Sacrifício aqui re-querido não é um sacrifício patológico, mas uma passagem onde morre toda a patologia, toda a astúcia, toda a esperteza.
Não se pode participar na Vida de Deus Uno e Trino, senão no amor sacrificado na paz, naquela comunhão que há entre o Filho e o Pai no Espírito Santo. Fora desta relação, tudo é superficial e incompleto.
Este é um convite a sermos cristãos completos, maduros. Não é um ensinamento novo, mas apenas uma dinâmica nova, como era para São Francisco quando, no monte Alverne, recebeu os estigmas. As regras estão escritas no Evan-gelho. Não as regras religiosas que constrangem, ameaçam, aterrorizam, mas leis que fazem nascer alegria e dão vida. Nossos sacrifícios servem apenas para entrar no Amor Sacrificado e sermos com Ele a única oferta, perfeita e agradável a Deus. Isto não significa que logo devamos ser perfeitos, mas que nos empenhemos em reconhecer o caminho e nos con-frontemos, procurando cada dia a Luz e a Graça.
A meta a ser atingida é a realização da vontade de Deus, não o alcance de uma religiosidade qualquer, mas o ingres-so na Vida de Deus, que é a vida plena para o homem. Então, toda a humanidade será atraída por meio desta vida.
A passagem é Maria, é o Cordeiro sacrificado, é oferta em holocausto que é queimada pelo Espírito Santo. Estamos, por-tanto, chegando a compreender que a oferta não é uma dor, nem algo de patológico, mas significa queimar a nossa es-cravidão, destruir as cadeias para nos elevarmos a Deus.
É tempo de viver a vida e de revivê-la. Devemos correr velozmente... não podemos entreter-nos, nem nos distrairmos com os eventos que encontramos. O único «evento» que conta é Jesus Cristo. Devemos desejar entrar nEle, a fim de que Jesus opere em nós e por meio de nós. Por isso, é necessário sermos simples como as crianças e ignorar os valores dos «grandes» que dirigem o mundo. Quem se julga grande, e não se une a Jesus Cristo, está destinado a ser inimigo do Rei-no dos Céus, e nunca será capaz de acolher a plenitude da Vida.   (da Revista Eucaristia Vivente)
E o futuro de Mediugórie?
«Nada posso dizer sobre o futuro de Mediugórie na Igreja. Mas vejo a presença de Mediugórie na Igreja, como uma espécie de segurança, de amor, de uma unidade que está sendo construída entre nós e que é verdadeiramente necessária para a Igreja.
Se é perguntado a um sacerdote se deseja formar um grupo de oração em sua paróquia, ele responde que não pode. Mas as pessoas gostam que os sacerdotes peregrinem com eles. Os primeiros apóstolos desta causa, que re-zaram com a vidente Maria Pavlovic, são um exemplo para nós.
Quando, em nossas reuniões, rezamos com gente consagrada ao Coração de Jesus e de Maria, ou quando acon-tece que os sacerdotes rezam conosco, ficamos felizes. É uma força para todos nós.
Não precisamos de grandes palestras, embora, às vezes, nos sirvam. O importante é o espírito de oração, e este é o espírito de Mediugórie. Somos todos irmãos. Os sacerdotes têm o seu serviço particular, mas esta unidade, da qual temos necessidade uns dos outros, é realmente o que me parece faltar na Igreja moderna. Jesus e Maria que-rem que tenhamos mais amor e mais perdão. Precisamente como testemunha o Santo Padre: Vai e pede perdão. Para mim, pessoalmente, o Papa atual é um grande exemplo que quero seguir na minha vida.
Por isso, temos que passar, inevitavelmente, através de Jesus Cristo, Cordeiro imolado, porque só esta passagem nos garante a entrada na plenitude da vida e da missão pessoal e comunitária. Oferecer a vida a Jesus é passagem obrigatória para qualquer um de nós, como foi para os Apóstolos, para os Santos e Mártires de todos os tempos. O caminho de doação total ao Pai foi aberto uma vez para sempre pelo sacrifício do Cordeiro. A nós toca somente se-guir Suas pegadas.
Como o Cordeiro e com o Cordeiro, devemos também nós passar através da morte para nós mesmos, para alcan-çarmos a plenitude da Luz Divina. «...oferece sua vida em sacrifício expiatório, e terá uma posteridade duradoura... livrará sua alma dos tormentos, verá a Luz e será saciado de contentamento» (Is 53,10-11).
Devemos confiar sempre, seja qual for a prova, porque o peso maior do nosso caminho já o levou Jesus por nós e Ele mesmo nos precede levando sua Cruz, para preparar-nos o caminho.
Pessoalmente, não encontrei ne-nhum sentido para dar à minha vida além do holocausto a Deus, e quanto mais me empenho na vida da oferta, mais descubro horizontes novos de plenitude e de felicidade. Mais me abandono, através da oferta, à ação de Deus, mais compreendo que nosso destino é o de oferecer-nos a Deus, de dissolver-nos na Sua Luz, naquela Luz da qual viemos ao mundo e através da qual caminhamos. Aqui está a nossa integridade e a nossa dignidade de seres humanos. Aqui está a nossa identidade e a nossa verdadeira liberdade.
A vida no mundo, no tempo e no espaço, é apenas um campo para lavrar, a vinha a cuidar para o Reino dos Céus, o trampolim de balanço para a eternidade «Vós, de fato, estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus» (Col.3,3).
Quem se oferece incondicional-mente a Deus, ultrapassa já, sobre a terra, os condicionamentos e as limitações da vida, e saboreia as dimensões desconhecidas dos novos Céus e da nova Terra, lá onde nos espera nosso Deus, e onde nos guia o Cordeiro que em nós realiza tudo quanto prometeu: «Quem perder a vida por minha causa encontrá-la-á» (Mt. 10,39).
Irmã Stefânia Caterina, entrevista a Dragica Cepar (Eco de Maria)
CARTA APOSTÓLICA
Rosarium Virginis Mariae
Do sumo Pontífice João Paulo II ao Episcopado, ao Clero e aos Fiéis sobre o Rosário, Vaticano, 16 de outubro de 2002. (Alguns trechos selecionados do Documento).
 
O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é ora-ção amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espi-ritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original.
O Rosário, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão freqüenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na ex-periência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebes-se das mesmas mãos da Mãe do Redentor.
O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto.
«O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Mara-vilhosa na simplicidade e na pro-fundidade... Sobre o fundo das palavras da “Ave Maria” passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo.
Ao mesmo tempo, nosso coração pode incluir nestas dezenas do Rosário todos os fatos que formam a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade. Acon-tecimentos pessoais e do próximo, e de modo particular daqueles que nos são mais familiares e que mais estimamos. Assim, a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana».
Outubro 2002 - Outubro 2003:
Ano do Rosário
Desejo que esta oração seja espe-cialmente proposta e valorizada nas várias comunidades cristãs durante o ano. Pro-clamo, portanto, o período que vai de outubro deste ano até outubro de 2003: Ano do Rosário.
Esta oração não se opõe à Liturgia, mas serve-lhe de apoio, visto que introduz nela e dá-lhe continuidade, permitindo vi-vê-la com plena parti-cipação interior e recolhendo seus frutos na vida quotidiana... um culto orientado ao centro cristoló-gico da fé cristã, de forma que, «honrando a Mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho»!
Porém, o motivo mais importante para propor com insistência a prática do Rosário reside no fato de este constituir um meio validíssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão.. própria peda-gogia da santidade: «Há necessidade dum Cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração»... É extre-mamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem «autênticas escolas de oração».
O Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã.
Ele corresponde, de certo modo, à «oração do coração» ou «oração de Jesus», germinada no húmus do Oriente cristão.
O Rosário foi, por diversas vezes, proposto pelos meus Predecessores, e mesmo por mim, como oração pela paz... Descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério dAquele que «é a nossa paz»... Portanto, não se pode recitar o Rosário sem se sentir chamado a um preciso compromisso de serviço à paz, especialmente na terra de Jesus, tão atormentada ainda, e tão querida ao coração cristão.
O relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral mais ampla da família, propõe-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastantes desta crise da nossa época.
Uma inserção oportuna - De tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário aponta só alguns. Tal seleção foi ditada pela estruturação originária desta oração, que adotou o número 150 como o dos Salmos.
É nos anos da vida pública que o mistério de Cristo se mostra de forma especial como mistério de luz: «Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo» (Jo 9, 5).
Para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente “compêndio do Evangelho”, é conveniente que, depois de re-cordar a Encarnação e a vida oculta de Cristo (mistérios da alegria), e antes de se deter nos sofrimentos da paixão (misté-rios da dor), e no triunfo da ressurreição (mistérios da glória), a meditação se concentre também sobre alguns momentos particularmente significativos da vida pública (mistérios da luz). Esta inserção de novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema tradicional desta oração, visa fazê-la viver com renovado interesse na espiritualidade cris-tã, como verdadeira introdução na profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de glória.
Mistérios da luz
Passando da infância e da vida de Nazaré à vida pública de Jesus, a contemplação leva-nos aos mistérios que se podem chamar, por especial título, “mistérios da luz”. Na verdade, todo o mistério de Cristo é luz. Ele é a «luz do mundo» (Jo 8, 12). Mas esta dimensão emerge particularmente nos anos da vida pública, quando Ele anuncia o evangelho do Reino. Querendo indicar à comunidade cristã cinco momentos significativos – mistérios luminosos – desta fase da vida de Cristo, considero que se podem justamente individuar: 1o no seu Batismo no Jordão, 2o na sua auto-revelação nas bodas de Caná, 3o no seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, 4o na sua Transfiguração e, enfim, 5o na instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.
Cada um destes mistérios é reve-lação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus. Primeiramente é misté-rio de luz o Batismo no Jordão. Aqui, enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que Se faz pecado por nós (2Cor 5, 21), o céu abre-se e a voz do Pai proclama-O Filho dileto (Mt 3, 17), ao mesmo tempo que o Espírito vem sobre Ele para investi-Lo na missão que O espera. Mistério de luz é o início dos sinais em Caná (Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os crentes. Mistério de luz é a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão (Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a Ele se dirige com humilde confiança (Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48), início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá exercendo até ao fim do mundo, especialmente através do sacramento da Reconciliação confiado à sua Igreja (Jo 20, 22-23). Mistério de luz por excelência é a Transfiguração que, segundo a tradição, se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no rosto de Cristo, en-quanto o Pai O acredita aos Apóstolos extasiados para que O «escutem» (Lc 9, 35) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espí-rito Santo. Mistério de luz é, enfim, a instituição da Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando «até ao extremo» o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação Se oferecerá em sacrifício.
Nestes mistérios, à exceção de Caná, a presença de Maria fica em segundo plano. Os Evangelhos mencionam apenas al-guma presença ocasional dEla no tempo da pregação de Jesus (Mc 3, 31-35; Jo 2, 12) e nada dizem de uma even-tual presença no Cenáculo durante a instituição da Eucaristia. Mas, a função que desempenha em Caná acompanha, de algum modo, todo o caminho de Cristo. A revelação, que no Batismo do Jordão é oferecida diretamente pelo Pai e confir-mada pelo Batista, está na sua boca em Caná, e torna-se a grande advertência materna que Ela dirige à Igreja de todos os tempos: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Advertência esta que introduz bem as palavras e os sinais de Cristo durante a vida pública, constituindo o fundo mariano de todos os “mistérios da luz”.
Peregrinações 2003
Maio: França, Espanha e Portugal (Lourdes, Medalha Milagrosa, Lisieux, Cura d’Ars, Burgos, São Tiago de Compostela, Lisboa, Fátima (13 de maio). Saída: 02.05.03. Volta: 16.05.03.
Diretor espiritual: Pe. Simão Sieczka, pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima (Jardim Céu Azul)
Encontro sobre Mediugórie
Nestes dias, de 14 a 17 de novembro, está acontecendo na Comunidade Servos da Rainha, um encontro sobre Mediugórie, aberto a todos que desejam aprofundar, no recolhimento e na oração, o caminho interior na escola de Maria.
Banco Postal
 
A partir de agora, as contribuições para o Eco de Mediugórie poderão ser deposita-das também nas agências dos Correios que possuam Banco Postal, Ag. 241-0 Conta 600.002-9, bem como nas agências Bradesco e seus caixas eletrônicos BDN, na mesma conta.
As contribuições podem também continuar sendo feitas no Banco do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha, ou enviadas por meio de cheque nominal e cruzado, a favor de Servos da Rainha, em carta registrada.
As contribuições efetuadas devem ser informadas para anotação no cadastro.