Mediugórie - Eco 201
Dezembro de 2002 - Natal do Senhor
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.11.02:
Queridos filhos! Convido-os também hoje à conversão. Abram seus corações a Deus, filhinhos, por meio da Santa Confissão e preparem suas almas para que o Menino Jesus possa novamente nascer em seus corações. Permitam-Lhe transformá-los e conduzi-los pelo caminho da paz e da alegria. Filhinhos, decidam-se pela oração. De maneira particular agora, neste tempo de graça, em que seus corações anseiam pela oração. Eu estou perto de vocês e intercedo diante de Deus por todos vocês. Obrigada por terem correspondido a  Meu apelo.
Convido-os à Conversão
A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de cada pessoa, dirige também hoje sua palavra materna a quantos desejam ouvi-La, escutá-La. Ela nos diz: Convido-os à conversão, como tem feito nestes últimos 21 anos. As palavras de Nossa Senhora fazem eco às palavras de João Batista: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus” (Mt 3,2). Por meio de Maria, o tempo de graças chega a nós, tempo em que o Reino dos céus deseja habitar no coração dos homens. Por meio de Maria, o Salvador do mundo veio a nós. Ele deseja, também neste ano, nascer em nossos corações. Conver-são significa mudança de caminho, de direção, de mentalidade, de práticas e hábitos pecaminosos. É difícil, muito difícil mudar, mas é possível. Isso exige uma vigilância permanente e perseverança, combate constante, implicando quedas e soerguimentos. Jesus fala-nos sobre o caminho estreito, que conduz à vida. Ele deseja dizer-nos que, neste caminho, fica-remos cansados, vamos suar, cair e sangrar, mas felizes os que perseverarem até o fim. A vida é um combate. Diz um provérbio: “Quem não quer combater, é-lhe melhor não viver”. No Velho Testamento, o sofredor Jó nos fala: “A vida do ho-mem sobre a terra é uma luta” (Jó 7,1).
Maria, nossa Mãe, experimentou a mesma sorte de combate, renúncia e morte de si própria, permitindo, assim, Deus viver nEla. Sua glorificação no Céu mostra que Ela estava na estrada certa. No momento do encontro com Deus, por meio do anjo Gabriel, Ela não disse: “Entendi o que você me disse”, mas “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38). Podemos até não entender tudo, mas é importante que confiemos na Palavra de Deus, que confiemos nas palavras maternais dirigidas a nós nessa mensagem simples, onde, com o coração, tocamos o coração materno que pulsa por cada um de nós.
Conversão é obra de Deus, obra que se realiza em nós se O permitirmos. Não posso converter-me e muito menos con-verter os outros. O que posso fazer é desejá-la ardentemente, buscá-la, com todas as minhas faculdades, com todas as minhas forças e com todo o poder que Deus me deu e colocou à minha disposição. O problema não está no nosso distan-ciamento de Deus, mas em nossa negligência e em nossa falta de vontade de nos aproximar dEle, amá-Lo e conhecê-Lo. Deus se doa a quem O procura de todo o coração.
Nesta mensagem, Nossa Senhora nos relembra o sacramento da Santa Confissão, por meio da qual podemos abrir nos-sos corações e preparar nossas almas, de forma que Jesus possa aí nascer. Ainda hoje, Jesus quer e deseja nascer. Hoje, também, Ele está sedento de nós e do nosso tempo, de nossa oração, e, acima de tudo, de nossos corações para recebê-Lo. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, de forma alguma ela é a mesma, mas é transfigurada e renovada. É uma vida repleta de paz e de alegria que este mundo não pode dar.
A expectativa da chegada e do nascimento do Salvador do mundo e dos homens, o tempo do Advento, está diante de nós. Permitamos a Jesus entrar em nossas casas e em nossas famílias. Que as portas de nossa família e de nossa vida se abram para o Natal. Fiquemos em casa, dentro de nós mesmos, para encontrá-Lo e levá-Lo aos outros, como Maria.
Obrigado, Maria, por estar perto de nós. Obrigado por não parar de interceder e rezar conosco e por nós.
Frei Liubo Kurtovic, Med.26.11.02
Ai de mim, se não evangelizar!
Percorremos as aldeias de neófitos, que receberam os sacramentos cristãos há poucos anos. Esta região não é cultivada pelos portugueses, já que é muito estéril e pobre; e os cristãos indígenas, por falta de sacerdotes, nada sabem a não ser que são cristãos. Não há ninguém que celebre para eles as sagradas funções; ninguém que lhes ensine o Símbolo, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos da Lei de Deus.
Desde que aqui cheguei, não parei um instante: visitando com freqüência as aldeias, lavando na água sagrada os meni-nos ainda não batizados. Assim, purifiquei grandíssimo número de crianças que, como se diz, não sabem absolutamente distinguir entre a direita e a esquerda. Estas crianças não me permitiam recitar o ofício divino, nem comer, nem dormir, enquanto não lhes ensinasse alguma oração; foi assim que comecei a perceber que delas é o reino dos céus.
À vista disto, como não podia, sem  culpa, recusar pedido tão santo, começando pelo testemunho do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinava-lhes o Símbolo dos Apóstolos, o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Observei que são muito inteligentes; se houvesse quem os instruísse nos preceitos cristãos, não duvido que seriam excelentes cristãos.
Nestas paragens, são muitíssimos aqueles que não se tornam cristãos, simplesmente por faltar quem os faça tais. Veio-me muitas vezes ao pensamento ir pelas academias da Europa, particularmente a de Paris, e por toda a parte gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade, clamando: “Oh! Como é enorme o número dos que, excluídos do céu, por vossa culpa se precipitam nos infernos!”
Quem dera que se dedicassem a esta obra com o mesmo interesse com que se dedicam às letras, para que pudessem prestar contas a Deus da ciência e dos talentos recebidos!
Na verdade, muitos deles, impressionados por esta idéia, entregando-se à meditação das realidades divinas, talvez estivessem mais preparados para ouvir o que Deus diria neles: abandonando as cobiças e interesses humanos, se fizessem atentos a um aceno ou vontade de Deus. De certo, diriam de coração: Eis-me aqui, Senhor; que devo fazer? (At 9,10; 22,10). Envia-me para onde for do teu agrado, até mesmo para a Índia.
Das Cartas de São Francisco Xavier a Santo Inácio – Séc. XVI
 
Haverá Natal este ano?
Há alguns anos, nasceu em Lüttich um menino sem braços.
Oito dias depois, o recém-nascido recebeu uma dose de barbitúricos. A dose foi muito forte e a criança morreu.
Falou-se muito desse acontecimento, de sua mãe, de sua família e da responsabilidade dos médicos. Pouco se falou dessa vítima inocente.
Faço-os conhecer esta história porque ela poderá servir de ajuda neste tempo que estamos vivendo – o Advento. Du-rante estas semanas, preparamo-nos para a alegre notícia que veio do Oriente – o Salvador do Mundo, Jesus Cristo, nas-ceu. Nós cristãos celebramos cada ano este acontecimento no Natal. Sem dúvida, essa celebração exige uma profunda preparação.
Por isso, Deus, por meio da Igreja, concede-nos um tempo de preparação do nosso interior. Precisamos aproveitá-lo. Todo o momento é um dom e uma ocasião para crescer na vida espiritual e humana. Se desperdiçarmos esse tempo de preparação, o momento da festa não produzirá o fruto esperado e não se refletirá em nós. Se não vivermos cada mo-mento de maneira consciente, como nos pede o Evangelho, como poderemos, então, ser testemunhas do nosso tempo e dos acontecimentos? Por isso, devemos viver conscientemente o tempo do Advento, com um espírito aberto às inspira-ções de Deus. Somente assim teremos direito de ir ao encontro do Natal com a esperança no nascimento de Jesus em nossos corações.
Para terminar, volto à imagem do início. A criança nasceu e morreu. É uma verdade que, infelizmente, acontece tam-bém em nossa vida espiritual. Jesus nasce no Natal, porém, precisamos perguntar: Ele permanece vivo em nós? Em muitos, parece, dorme ou morre incessantemente. Jesus deseja viver em todos continuamente. Ele deseja viver em todos, mas uma dose muito poderosa de mal, dependência, blasfêmia, luxúria, não permite que Ele cresça e viva.
Uma coisa é certa: também neste ano Ele baterá à porta de nossos corações. Dependerá de nós sua vida ou morte em nós. À pergunta, se acaso haverá Natal para nós, poderemos dar a resposta, individualmente!
                           Frei Mario Knezovic
Notícias de Mediugórie
Os peregrinos do mês
No mês de novembro, visitaram Mediugórie grupos de peregrinos provenientes da Itália, França, África do Sul, Líbano, Malásia, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Áustria, Coréia, Brasil, Inglaterra, Irlanda, Eslovênia, Bélgi-ca, Suíça, Romênia, Indonésia, Canadá, Hungria, Polônia, Holanda, Espanha, Malta, El Salvador, Arábia Saudita, Argenti-na, Portugal, República Tcheca, Eslováquia, Índia, Iugoslávia, Filipinas, Croácia e Bósnia-Herzegovina.
A pedagogia de Maria
Durante o Festival Internacional da Juventude, em agosto de 2002, havia cerca de 260 sacerdotes em Mediugórie. Um deles era Frei Maasburg, sacerdote da Diocese de Viena, presentemente em Roma, ex-colaborador da “Radio Maria” a ní-vel internacional, que neste ano trabalha no processo de beatificação de Madre Teresa (único membro do grupo que não faz parte da Congregação).
Em 1982, quando o Papa João Paulo II consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, Frei Leo, juntamente com um bispo, celebrou, secretamente, a Santa Missa no Kremlin, em Moscou, realizando a mesma consagração no coração da União Soviética. Por muitos anos, ele acompanhou Madre Teresa em suas viagens e também esteve com ela por oca-sião da abertura de suas casas em diversos países. Frei Leo tem dirigido retiros para as irmãs de Madre Teresa pelo mun-do inteiro. Em 1998, quando Madre Teresa abriu suas primeiras casas em Moscou e na Armênia, Frei Leo foi seu diretor espiritual por muitos meses e, por isso, o primeiro sacerdote católico “oficial” na União Soviética. Transcrevemos, a seguir, sua entrevista concedida a Frei Mario Knezovic.
Pergunta: Frei Leo Maasburg, poderia dizer-nos algo sobre si e sobre sua vida?
Resposta: Sou austríaco, sacerdote da Diocese de Viena. Fui ordenado há 20 anos. Trabalhei apenas alguns anos em Viena. Depois disso, sou como um “cigano”! Primeiramente, Frei Werenfried van Straaten, que dirigia a organização “Igreja em Necessidade”, mandou-me pelo mundo inteiro trabalhar em diversos projetos da Igreja, como, por exemplo, a formação de seminaristas e similares. Depois disto, trabalhei por sete anos na “Rádio Maria”. Nestes sete anos, abrimos estações da Rádio em trinta países e, como “cigano”, ficava em casa somente um ou dois dias por mês. Depois disto, vi-ajei com Madre Teresa durante sete anos, pregando retiros para as irmãs, o que me fez viajar pelo mundo inteiro. Creio que a palavra “cigano” descreve-me melhor. Agora estou em Roma e trabalho na Congregação para a Causa dos Santos.
 P.: Quais são suas impressões sobre o trabalho de anunciar Cristo e Nossa Senhora pelos meios de comunicação?
R.: A experiência no rádio ensinou-me muitas coisas importantes. Por natureza, geralmente, a mídia tem um papel edu-cativo. Se os homens são responsáveis por seu destino, então o rádio é um dos pilares dessa responsabilidade. Parece, infelizmente, que em nosso tempo, a mídia, em vez de ser um instrumento para a educação, está se transformando em um instrumento de sedução. É por isso que os meios de comunicação católicos têm uma grande responsabilidade. Acho que o rádio tem um lugar privilegiado dentro dos meios de comunicação da Igreja. Vivemos em um tempo de consumis-mo, e o rádio distingue-se muito da televisão pelos seguintes motivos: a televisão produz imagem que está fora de nós e nós a “engolimos”. O rádio produz imagem dentro da pessoa, dentro de nossa imaginação...
P.: A Igreja de hoje sabe fazer uso dos meios de comunicação e nós estamos suficientemente abertos a esses meios de transmissão da Boa Nova?
 R.: Penso que Jesus foi muito corajoso quando confiou sua missão aos homens! Como sempre, alguns são mais fiéis, outros, menos. Creio que o mesmo acontece com a Igreja em matéria do uso dos meios de comunicação. Se acreditamos que há realmente uma batalha entre o Reino de Deus e o reino de satanás, que todos nós estamos envolvidos nessa ba-talha, então compreenderemos que os meios de comunicação, o poder, o dinheiro e a publicidade são hoje armas nessa luta. Estamos todos sujeitos a essas tentações. Alguns perdem, outros ganham. É importante que a Igreja busque a vitória, que não se comprometa com o mundo. Darei a você um simples exemplo: hoje, estações de rádio e de televisão estão sendo financiadas, quase que exclusivamente, ou por publicidade ou apoio político, e estes são, precisamente, duas tenta-ções! Se a Igreja abandona-se nas mãos da publicidade ou do poder político, a evangelização vai evaporar. Você não vai poder tocar o coração com a Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, vender meias! Os meios de comunicação são, certa-mente, um dom de Deus para a evangelização. Formulamos votos para que a Igreja faça bom uso deles!
P.: O senhor está agora trabalhando na preparação da beatificação de Madre Teresa. Pode nos dizer algo sobre esse assunto?
R.: Como você sabe, o Santo Padre liberou este processo do tempo de espera que, regularmente, leva cinco anos. O processo diocesano foi aberto imediatamente na Índia e, no final do último verão, foi transferido para Roma. Na primeira semana depois da Páscoa, o grupo de colaboradores da Congregação para a Causa dos Santos entregou a documentação de 83.000 páginas contendo os testemunhos (“Positio”) à Congregação para a Causa dos Santos. Constam do processo os relatos da vida da Serva de Deus, sua vida, suas virtudes... Agora, estamos esperando o reconhecimento do milagre. Um grupo de teólogos responsáveis pelo estudo do processo já o examinou e aceitaram a “Positio”. A equipe de médicos que devia investigar o milagre já o reconheceu. O reconhecimento dos resultados está agora nas mãos do Colégio de Carde-ais. É o Papa quem, depois disso, pode fixar a data da beatificação. (NB: No dia 1º de outubro de 2002, a Igreja reconhe-ceu o milagre e Madre Teresa pode ser beatificada na primavera de 2003).
P.: Frei Leo, o senhor vem freqüentemente a Mediugórie. Qual é sua posição com relação a Mediugórie e a devoção que se desenvolve aqui?
 R.: Vim a Mediugórie pela primeira vez em 1983. Acho que já vim aqui sete ou oito vezes. Cada visita é sempre uma grande graça. Ouvi centenas de testemunhos de pessoas que encontraram a conversão e a fé em Mediugórie. Como sa-cerdote, o que mais me impressiona é que, aqui, você não tem problema por falta de confissões! Em Viena, em algumas paróquias, atendemos a uma ou duas confissões por mês, e aqui, o sacerdote precisa ser cauteloso para não começar a atender confissões muito cedo de manhã, porque não poderá sair do confessionário antes do anoitecer! A graça é palpável e visível até para o cego.
P.: Qual é a sua opinião pessoal a respeito das aparições de Nossa Senhora aqui em Mediugórie? O senhor pensa que podemos dizer hoje: “Nossa Senhora está presente aqui”?
 R.: Eu não vi Nossa Senhora, mas tenho sentido aqui uma real e excepcional concentração de graças. Conheço dois dos videntes e posso dizer que tive ótimas impressões deles, com relação a sua normalidade e seu sério desejo de santidade.
P.: Pode-se sentir os frutos em Mediugórie. Como podem estes frutos ser úteis para a Igreja universal e para o cristia-nismo?
R.: Estou convencido de que cada graça concedida por Deus é sempre nova. A colaboração entre Madre Teresa e a graça de Mediugórie é visível. Muitas irmãs de Madre Teresa receberam sua vocação em Mediugórie. Padres que foram tocados em Mediugórie ou receberam sua vocação em Mediugórie estão próximos à espiritualidade das irmãs de Madre Teresa.
 P.: O senhor participou do Festival Internacional dos Jovens aqui em Mediugórie. Nossa Senhora conduz-nos a Cristo, e o Papa também faz isso incessantemente. Os sacerdotes estão trabalhando suficientemente para levar Cristo aos jovens que estão sedentos da real verdade?
R.: Não. Creio que nós não fazemos o suficiente, porque nunca se faz demais. Meu desejo é que cresçamos em tudo quanto o amor exige. Acredito que, um dia, veremos todas as possibilidades que Deus nos ofereceu por meio de diversas fontes de graça, e creio que nossa tristeza, ou, noutras palavras, nosso purgatório, será realmente ver tudo quanto pude-mos fazer e não o realizamos!
 P.: Quando o senhor vem a Mediugórie, provavelmente tem suas expectativas e, quando volta para casa, porta consigo os frutos. Quando o senhor retorna ao serviço, o que permanece depois da peregrinação a Mediugórie?
 R.: Não conheço a experiência de outros sacerdotes, de outros peregrinos, mas venho a Mediugórie como se viesse para casa, uma ou duas vezes ao ano, esperando que mamãe lave minhas roupas e remende minhas meias. Ela sempre o faz. Freqüentemente acontecia que, quando eu já estava longe, na viagem, encontrava na bagagem um pacote de casta-nhas ou de chocolate. Creio que Mediugórie significa isso para mim hoje. Embora possa acontecer que alguém nada sinta aqui, mais tarde descobrirá os presentes. Nossa Senhora se parece com todas as outras mães.
 P.: O senhor pode sentir Mediugórie de perto. O que poderia dizer aos peregrinos que vêm aqui?
R.: Aprendi uma coisa de Madre Teresa: não é importante o que esperamos e o que desejamos. A única coisa impor-tante é confiar-se à direção de Jesus e de Maria. Certamente há pessoas que vêm com grandes problemas, porém o maior problema é sempre a falta de santidade! Trazemos conosco pessoas que se confiam às nossas orações, mas não deve-mos limitar o Senhor e Nossa Senhora aos dons que Eles nos dão. Isso é, com certeza, precisamente uma das caracterís-ticas de Mediugórie, porque, quando se vai a Lourdes, espera-se uma cura física ou espiritual. Quando você vai a Mediu-górie, deseja que Nossa Senhora o aproxime de Jesus. Gosto de comparar Lourdes, Fátima e Mediugórie: isto é, de fato, a pedagogia de Nossa Senhora. Em Lourdes, o símbolo é a água, que significa purificação e Batismo, a Imaculada. Em Fá-tima, a missão é orientada para os outros: rezar, crer, sacrificar-se pelos outros. Em Mediugórie, tudo está centrado na Eu-caristia e na Santa Confissão como preparação ao Banquete Eucarístico. Acredito que esta é a pedagogia de Nossa Se-nhora.
Um milagre atrás do outro
“Não duvido da autenticidade de Mediugórie. Estive aqui três vezes e, aos sacerdotes que me perguntam, respondo: vão e sentem-se no confessionário. Verão um milagre atrás do outro... por intercessão de Maria e pela força de Deus. Foi-nos dito: “Pelos frutos o reconhecerão”. O coração e a alma das mensagens de Mediugórie são, seguramente, a Eucaristia e o Sacramento da Reconciliação.
 Não existe qualquer dúvida de que isto é obra de Deus. Como já disse: não se pode deixar de acreditar depois de se passar algum tempo no confessionário. Também os sinais e os milagres são um dom da misericórdia de Deus, porém, para os sacerdotes, o maior de todos os milagres é poder ver as pessoas em torno do altar de Deus. Já estive em muitos santuários, permaneci muito tempo em Guadalupe, estive oito vezes em Fátima e em Lourdes. É a mesma Nossa Senho-ra, a mesma mensagem, porém aqui em Mediugórie está a palavra atual da Virgem para o mundo. No mundo existe muita angústia e sofrimento. Nossa Senhora está conosco o tempo todo, porém está de uma maneira especial conosco em Me-diugórie.”
 À pergunta: “Está sabendo que no mundo nasceram milhares de grupos de oração impulsionados pelas mensagens de Nossa Senhora de Mediugórie...? Isto é sinal de que a Igreja reconhece a palavra de Deus nas palavras de Nossa Senho-ra»? Respondeu Dom Pearce:
“Nós temos um grupo de oração na catedral em Providência, onde moro atualmente. Chamam-nos “a pequena Igreja do Apóstolo São Tiago”. O grupo se reúne todas as tardes para a Adoração do Santíssimo Sacramento do Altar, a bênção e a Santa Missa.
Muitos retornaram a Deus depois dos acontecimentos de 11 de setembro do ano passado, porém penso necessitarmos muito mais de que todos voltem verdadeiramente a Deus. Rezamos para que isso aconteça com a esperança de que nos convertamos ao Senhor antes que ocorram outras tragédias que nos obriguem a aprender a lição. Não obstante, também isso é obra da misericórdia de Deus. Sabemos muito bem que Deus, em seu amor misericordioso, em sua providência, fará tudo para que nenhum dos filhos se perca completamente, e é isso que verdadeiramente conta.
Gostaria de dizer a todos: venham a este lugar com a mente aberta, em oração, confiem sua viagem a Nossa Senhora. Venham, e o Senhor fará o resto.”
Dom George Pearce, Arcebispo emérito das ilhas Fiyi, setembro de 2002.
Oásis de Deus
 
 “Estive em Mediugórie em 1987. Naquela época tudo era mais simples do que agora, porém o Espírito ainda está neste lugar e a presença de Nossa Senhora é total. Por toda a parte percebe-se a graça maravilhosa de Deus que atua na vida das pessoas. Encontrei pessoas que aqui vieram constrangidas por problemas de drogas, álcool. Encontrei pessoas em situações trágicas e existenciais. Deus Se revela e Se manifesta. Um sacerdote me contou que estava cansado de confes-sar, que tinha deixado o confessionário e queria sair, mas as pessoas fizeram-no voltar! O grande número de confissões é sinal indicador suficiente da presença de Deus neste lugar. Incrível. Para mim isso é Mediugórie. As aparições de Nossa Senhora não são para mim um problema. É uma questão de fé. Não podemos obrigar ninguém a acreditar nem a ser de-voto. O mais que podemos fazer é testemunhar com o próprio exemplo. Essa é a liberdade que Deus dá a todos nós. Ele espera que respondamos com fé e amor.
 A mensagem fundamental de Mediugórie é totalmente sólida. Estamos no final do ano 2002, porém as pessoas estão ainda constituídas de corpo e alma e todos carregamos a marcas do pecado original. Nossas necessidades são as mes-mas que existiam no tempo dos Apóstolos e em todos os tempos. Somos filhos de Deus e nossas necessidades são tão grandes quanto as necessidades de cada geração.
 Por isso, a mensagem deve ser a mesma! Não podemos viver sem Deus. Isso é a maravilha de Mediugórie. É um oásis de Deus, é a vida da Igreja tal como deveria ser. A vida do sacerdote consiste em fazer com que as pessoas voltem a Deus, as pessoas que se perderam, porque pensavam que a fé não era importante. Agradecemos a Deus por nos dar este lugar. Já estive em outros lugares, porém Mediugórie é uma luz que resplandece no tempo atual.”
Dom Pearse Lacey, bispo emérito de Toronto, Canadá, em outubro de 2002
 Frei Iozo
Frei Iozo Zovko é membro atuante de nossa Ordem. Ele foi pároco de Mediugórie quando se iniciaram as aparições de Nossa Senhora em 1981. Naquele tempo, o regime comunista governava nosso país. Como pároco de Mediugórie, Frei Iozo foi preso pelo regime comunista. Depois de solto, ele continuou divulgando as mensagens da Rainha da Paz.
Em nossa Ordem, Frei Iozo é conhecido como um sacerdote carismático que sofreu pela fé e ainda continua sofrendo. Ele passa longas horas em oração, aconselhando e pregando. A maior parte do tempo ele passa na igreja, até 10 horas por dia.
Os que se opõem às aparições da Virgem Santíssima em Mediugórie estão sempre acusando Frei Iozo, procurando im-pedir sua missão. Os que aceitam Mediugórie, no entanto, consideram-no um sacerdote dedicado. Por isso pedem suas orações e convidam-no a pregar retiros. Encontramos, entre aqueles que o convidam, muitos sacerdotes e bispos. Frei Io-zo mostra-se incansável em sua missão.
Trechos de uma carta de Fr. Slavko Soldo OFM, Provincial Franciscano da Província da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria na Herzegovina.           Press Bulletin / Mediugórie
 
Preparem-se para a Missa
Rezem ao Espírito Santo. No início da novena da Imaculada, em 1983, Iélena Vasili veio ao escritório paroquial dizer que Nossa Senhora desejava que se rezasse ao Espírito Santo antes da Missa. Aceitamos e acolhemos o convite, empenhando-nos na oração, pensando que o convite fosse somente durante a Novena, e assim o fizemos.
No dia 12 de janeiro de 1984, Iélena chegou novamente trazendo nova Mensagem da Rainha da Paz: «Por que deixa-ram de rezar ao Espírito Santo? Pedi-lhes para rezar sempre e, em todos os períodos do ano, para que o Espírito Santo Se derrame sobre todos vocês. Recomecem então a rezar!» Obedecemos e, todas as tardes, antes de Missa, começamos a cantar um hino ao Espírito Santo.
O Espírito Santo é o Espírito que Deus prometeu e enviou aos Apóstolos, à Igreja e, por meio dEle, renova a Terra. É o Espírito que, no início, pairava sobre as águas e que trouxe paz e ordem. É o Espírito de Deus que Ressuscitou dos mor-tos, que curou doentes, que aqueceu a quantos tinham frio e agora concede os próprios dons em abundância a quantos Lho pedem.
De modo particular, trata-se do Espírito que nos pode conduzir ao mistério eucarístico da presença de Cristo. Sem o Espírito o homem nada pode. É oportuno também invocá-Lo em todas as situações e necessidades e, sobretudo, quando nos preparamos para o encontro com Cristo, no sacrifício da Santa Missa.
Ofereça-se com Jesus sobre o Altar - Nossa Senhora é a Mãe da Palavra de Deus, Aquela que primeiro se ofereceu na fé. Depois, Jesus Se encarnou e se fez homem no Seu Coração puríssimo, que a graça de Deus tinha preservado do pecado e pleno de Misericórdia. Ela, portanto, enquanto Mãe, foi feita a primeira «vítima» e Seu primeiro «tabernáculo», o Santuário de Jesus, para Sua presença divina entre os homens.
Portanto, Sua única missão e desejo é ainda hoje o de ensinar-nos a dizer SIM e a tornar-nos «vítima viva para agradecer a Deus». Ela ensina-nos, de modo materno, como celebrar a Santa Missa. Maria não fala da Missa de maneira teológica, nem usa imagens bíblicas, nem tampouco aponta para prescrições litúrgicas. Nossa Senhora deseja simples-mente que nós «vivamos» e «experimentemos» a Eucaristia; «Queridos filhos, convido-os a uma oração mais ativa e à freqüência à Missa. Desejo que cada uma de suas Missas seja experiência de Deus (16.5.85)... E reforçou ainda mais em 3 de abril de 1986: «Queridos filhos, convido-os a viverem a Santa Missa. Muitos de vocês experimentaram sua beleza, mas existem aqueles que não vêm (à Missa) voluntariamente. Eu os escolhi, queridos filhos, e Jesus, na Santa Missa, dá a vocês as Suas graças. Por isso, vivam conscientemente a Santa Missa e sua vinda (para assisti-la) seja plena de alegria. Venham com amor e acolham, em vocês, a Santa Missa».
Tornem-se Eucaristia para os outros - Depois de termos participado da Santa Missa com o coração, estamos prepa-rados para viver no Espírito e para lutar contra as obras da carne. Nesta luta pela vida obtêm-se vitórias e experimentam-se derrotas, cometem-se pecados e recebem-se feridas. O amor e a cura das feridas são reais e eficientes. Assim, apro-ximemo-nos da Missa que Jesus celebra para nós, e saiamos renovados e preparados.
Podemos até dizer que no momento em que Jesus celebra a Santa Missa para nós, inicia-se a nossa Missa, o nosso sacrifício pelos outros. Isto cresce graças ao sacrifício de Cristo. Nossa vida, também, pode ser uma Missa, uma Eucaristia para os outros, que nos realiza, nos une... Estamos unidos a Cristo, numa verdadeira unidade de vida. Torna-mo-nos sacrifício vivo, para a glória ao Pai. Tornamo-nos Sua presença no mundo, continuando a obra da redenção, de-pois de sermos nós mesmos os frutos desta redenção.
Por isso, a vida cristã é uma vida essencialmente eucarística, pode-se dizer que é uma vida de amor que se dá vo-luntária e alegremente aos outros. Deste modo, a Eucaristia torna-se fonte de paz. De fato, todo o caminho de paz é tam-bém caminho eucarístico. Quanto mais desinteressado for o amor demonstrado aos outros, tanto mais facilmente se con-seguirá a paz com Deus e com os homens.
Do livro «Celebrem a Missa com o coração», de Frei Slavko.
 
Peregrinações 2003
Maio: França, Espanha e Portugal (Lourdes, Medalha Milagrosa, Lisieux, Cura d’Ars, Burgos, São Tiago de Compostela, Lisboa, Fátima (13 de maio). Saída: 02.05.03. Volta: 16.05.03.
Vagas limitadas. Se você ainda não recebeu o programa completo, solicite-o. Tel. (61)624-5511
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