Mediugórie - Eco 202
Janeiro de 2003 - Sagrada Família
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.12.02:
Queridos filhos! Este é um tempo de grandes graças, mas também um tempo de grandes provações para todos aqueles que desejam seguir o caminho da paz. Por isso, filhinhos, convido-os novamente: rezem, rezem, rezem, não com palavras, mas com o coração. Vivam minhas mensagens e convertam-se. Estejam conscientes do dom que Deus me concedeu de estar com vocês, especialmente hoje quando tenho em meus braços o Menino Jesus, Rei da Paz. Desejo dar-lhes a paz, e vocês levem-na em seus corações e dêem-na aos outros, até que a paz de Deus reine no mundo. Obrigada por terem correspondido a  Meu apelo.
Grandes graças
e grandes provações
 A Bem-Aventurada Virgem Maria, também neste ano, dá à luz Jesus para nós. Conduz-nos a Ele e nô-Lo dá com o desejo e com o pedido de que O recebamos como Ela O recebeu. Deus Pai, em seu eterno amor e sabedoria, quando se completou a plenitude dos tempos, aproximou-se de Maria, por meio do anjo Gabriel, e perguntou-Lhe se queria ser a Mãe do divino Menino Jesus. Deus não obriga, não impõe, mas atrai e oferece sua salvação. Maria pronunciou seu “Sim” em nome da humanidade, em nome de todas as gerações, em nome de cada um de nós. Seu “Sim” segue ressoando até nossos dias. No Corpo e no Coração de Maria havia lugar para Deus. Deus se inclinou diante da criatura – Maria – pedindo Sua colaboração para o plano de salvação do homem. Deus não quis ser somente Deus. Também se fez homem. O Criador quis converter-se em criatura. Dessa forma, mostrou o valor do homem e sua capacidade de receber e aceitar o Salvador. São inconcebíveis e inescrutáveis os caminhos do amor de Deus pelo homem. Deus se faz pequeno, insignificante, abandonando-Se e dando-Se a nós. Deus sabe que o homem pode recebê-Lo em sua vida e por isso vem a ele.
 Nesta mensagem, Maria coloca no coração essas palavras: Este é um tempo de grandes graças, mas também um tempo de grandes provações. O Apóstolo São Tiago fala, em sua Carta, sobre a utilidade das provações: “Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência (Tg 1,2-3). A experiência da vida nos mostra que a graça vem acompanhada de provações. Isso também nos comprova a vida de Maria, que era plena de provações, padecimentos e dificuldades. Apesar de tudo, Ela cantava seu Magnificat, porque descobriu que Deus era o único tesouro. Nossa Senhora é a realização mais pura da fé. Durante toda sua vida, até o último instante, sua fé nunca vacilou. Ela jamais deixou de acreditar que a Palavra de Deus se cumpriria.
A fé pode ser exposta a uma provação difícil. O mundo em que vivemos, as situações, as injustiças, a experiência do mal e do sofrimento, parecem contradizer a Boa Nova e a encarnação de Deus. É necessário sempre e, de novo, recorrer aos testemunhos da fé. Um dos testemunhos mais puros e luminosos, o modelo que temos diante de nós, é Nossa Senhora, que Deus nos dá nestes dias e no nosso tempo. Ela não vem com o Coração e com as mãos vazias. Em Suas mãos traz o Salvador do mundo, o Rei da Paz. Assim se mostrou no primeiro dia das aparições. Nisto consiste todo o programa de suas mensagens, apelos e vindas. Trazer-nos Jesus e conduzir-nos a Ele. A Mãe não deixa de bater à porta de nossos corações como fizera às portas dos habitantes de Belém, para que acolhessem Jesus que Ela lhes levava no Coração. Até hoje não se cansa, mesmo encontrando muitas portas fechadas nas casas de famílias e nos corações. Também nesta Noite santa, Ela vem a nós com Jesus. Não fiquemos surdos nem cegos diante do dom do Céu que se abriu para acolher-nos e dar-nos calor em nossas noites e casas frias. Que ninguém, ao nosso lado, fique ao relento por causa de nossa distância e egoísmo.
 Obrigado, Mãe querida, pelo Salvador que nos ofereceis, que destes à luz para nós!
Fr. Liubo Kurtovic, Mediugórie, 26.12.02.
Notícias de Mediugórie
Aparição anual a Iákov Colo
 
Na última aparição diária, em 12 de setembro de 1998, Nossa Senhora disse a Iákov que ele continuaria tendo a aparição uma vez por ano, sempre no dia 25 de dezembro. Assim aconteceu também neste ano. Nossa Senhora veio com o Menino Jesus nos braços. A aparição teve início às 17h20 e durou 7 minutos. Nossa Senhora deu a seguinte mensagem:
Queridos filhos! Hoje, no dia do amor e da paz, com Jesus em meus braços, convido-os à oração pela paz. Filhinhos, sem Deus e sem oração vocês não podem ter paz. Por isso, filhinhos, abram seus corações para que neles nasça o Rei da Paz. Somente desta maneira, vocês podem testemunhar e levar a paz de Deus a este mundo sem paz. Eu estou com vocês e abençôo-os com minha bênção materna.
O Natal em Mediugórie
Os paroquianos e os fiéis das paróquias vizinhas prepararam-se com uma novena. Além do programa vespertino de oração da igreja, durante a novena rezou-se o Rosário na Colina das Aparições.
Durante o Advento, realizaram-se dois retiros de jejum e oração na casa de oração “Domus Pacis”. Participaram dos retiros cerca de 100 peregrinos croatas e austríacos. Com jejum e oração prepararam-se para o Natal e aproximarem-se do mistério do Deus nascido na Terra.
Durante as festividades do Natal, no Santuário da Rainha da Paz, reinou um clima de paz, de oração e de espírito comunitário entre os fiéis que chegaram de todas as partes do mundo. No dia do Natal, havia centenas de peregrinos estrangeiros. Na noite da vigília, milhares de fiéis participaram da Santa Missa vespertina. Na igreja, repleta de fiéis, a vigília de oração começou às 22h e terminou com a Missa do galo. A festa do Natal transcorreu em clima de verdadeira paz e alegria natalinas com todos reunidos em volta de sua Mãe.
No dia 17 de dezembro, a orquestra militar de Mostar e o grande coral da Paróquia da Rainha da Paz de Mediugórie realizaram seu concerto de Natal na igreja de Mediugórie. No dia 22 de dezembro, um coral de crianças de Dubrovnik, “As crianças de Dubrovnik cantam”, e “As pombinhas da paz”, o coral de crianças de Mediugórie, realizaram seu concerto do Natal, e, dessa maneira, desejaram um Feliz Natal a todos os fiéis e peregrinos de Mediugórie de todas as partes do mundo ali presentes.
Como nos anos anteriores, os jovens da comunidade “Cenáculo”, durante as comemorações do Natal, realizaram, em três ocasiões, uma encenação do presépio vivo. Por meio de uma expressão teatral e musical originais, mostraram aos fiéis reunidos que, na verdade, vivem o lema de sua comunidade, “Das trevas à luz”, e que é possível encontrar a saída do inferno da droga e das dependências na vida.
                                    Press Bulletin
Posso fazê-lo HOJE!
Há dias, em Mediugórie, encontrei Kathleen que me contou sua história. Embora trabalhasse na Suíça, vinha com freqüência a Mediugórie porque queria aprender a rezar. Quando o Santo Padre declarou 1987 como Ano Mariano, ela decidiu fazer tudo para corresponder ao apelo do Papa. Deixou o emprego e veio passar o ano com a Virgem em Mediugórie. Desejava esvaziar-se completamente de si própria para entrar de corpo e alma na escola de amor de Maria. Tinha visto que Nossa Senhora formava os jovens do grupo de oração de uma maneira maravilhosa e queria “pegar as migalhas que caíam de suas mesas”. Chegou a Mediugórie apenas com o porta-moedas e o passaporte. Colocou no banco da última fila da igreja a carteirinha com as moedas e rezou assim: “Jesus, sinto-me em casa! Quando se chega em casa, coloca-se bolsa na mesa e não se preocupa mais com ela. Por isso deixo-a aqui! Só tenho o tempo necessário para subir ao Krizevac e  retornar antes da Missa. Vós sabeis, Jesus, quanto à dormida. Para ser sincera, gostaria de ter uma cama, mas não é preciso. Vós decidireis...”
Apesar da chuva, Kathleen estava determinada a dormir na Colina das Aparições. Primeiro, subiu ao Krizevac e voltou à igreja a tempo da Santa Missa vespertina. Depois, pôs-se a caminho Colina das Aparições.
No caminho, ouviu que uma voz a chamava. Era Maria Pavlovic. A vidente, que a vira na Missa, interrogava-se sobre quem seria aquela moça. Uma vizinha da vidente Maria Pavlovic, Draga, estava presente e pôde traduzir. Maria convidou Kathleen para entrar em sua casa e apresentou-a a sua família (mãe, pai, irmão e irmã). Depois, entrando em seu quarto, Maria Pavlovic disse: “Esta é minha cama” e , mostrando a outra cama do quarto, disse: “essa é a sua!”. Kathleen replicou: “Essa é a cama de sua irmã, Milka!” “Não, respondeu Maria, ela parte esta noite para os Estados Unidos”. Foi assim que Kathleen teve um leito, ao lado de Maria Pavlovic. Partilhou aquele quarto durante sete anos!
Ouvi esta história pela primeira vez em 1987 e lembro-me de ter sentido inveja. Mesmo agora, quinze anos mais tarde, ouvindo a história da boca da própria Kathleen, senti um pouquinho de inveja e interroguei-me: “Que fazia eu em 1987, de tão importante, que me impediu corresponder plenamente ao apelo de Nossa Senhora (e do Santo Padre) de me doar sem reservas? Estaria presa a algo que me impedia um completo abandono como o fez Kathleen? Aí veio-me este pensamento: posso fazê-lo HOJE!            Denis Nolan
 
As Doze Estrelas da Igreja
A milhares de jovens reunidos em Mediugórie, Padre Daniel Angel traçou um percurso, que arriscamos dizer «astronômico», para definir as particularidades da Igreja: as doze estrelas luminosas que coroam Maria, Mãe e Rainha da Igreja.
O Santo Padre, em Toronto, disse aos jovens uma frase muito simples: «Se amais a Jesus, amais a Igreja». Peçamos a Maria que nos ajude a ver e a amar a Igreja tal como Ela a vê e a ama. Falarei da Igreja formada por doze estrelas.
A primeira estrela é a Igreja eterna, a Igreja na sua totalidade. A Igreja é eterna porque tem o seu início no Coração da Santíssima Trindade, através de todos os séculos e de toda a história. Ela é constituída por três galáxias interligadas. A primeira, a galáxia do Céu, é a mais numerosa: a maior parte da Igreja está, de fato, no Céu. Todas as vezes que a Mãe do Céu vem nos visitar na Terra, mostra-nos a existência do Céu e o nosso futuro, a nossa imortalidade.
Entre a Igreja do Céu e a da Terra há outra pequena galáxia que chamamos Purgatório. O Amor de Deus é tão grande, que, se no momento da morte nosso coração não estiver  ainda como o de uma criança, com o Purgatório o Senhor dá-nos a maravilhosa oportunidade de nos tornarmos puros como as crianças.
Na Terra vive-se o tempo da fé, no Purgatório o tempo da esperança gozosa e no Céu não se vive nada mais do que o amor. Entre estas galáxias há uma incessante comunicação  de amor e de vida.
Segunda estrela. Jesus nunca está só. Ele não pode existir sem Sua Igreja. Em Abraão vemos a Igreja nos seus primórdios. Antes do nascimento de Jesus na Terra, já existia a Igreja. Aqui encontrava-se Maria, Igreja que acolheu Deus que veio aos homens. E assim foi também com relação a José, João, Isabel, Zacarias, os pastores, os Magos... Jesus estava também rodeado por Sua Igreja quando iniciou Sua vida missionária. De fato, disse a Natanael, a Pedro e a João: «Segui-Me!»
A Igreja é o berço da Palavra de Deus, tal como Maria é o berço de Deus na Terra. É a Igreja que nos transmite tudo de Jesus e que nos dá Sua presença. Não apenas fala dEle, mas nô-Lo oferece na Eucaristia. Não haveria Eucaristia sem a Igreja. Todas as vezes que evangelizamos, não anunciamos uma mensagem ou uma teoria, mas damos aos outros a Pessoa de Deus, enquanto Seus embaixadores.
Terceira estrela: Jesus identifica-se com Sua Igreja. No caminho de Damasco, quando Saulo pergunta: «quem és tu, Senhor?», Ele não disse: «Sou Jesus dos cristãos que tu persegues», mas apenas: «Sou Jesus que tu persegues». E todas as perseguições contra a Igreja que acontecem em qualquer parte do mundo atacam Jesus na Sua Igreja. A Igreja continua fazendo, no tempo e no espaço, o que Jesus fez durante 33 anos na Palestina: liberta os prisioneiros, cura os enfermos e abre o Céu aos moribundos.
Quarta estrela: A Igreja não é somente o Corpo de Jesus, mas, ao mesmo tempo, é também a esposa.
É uma esposa que pode até ser infiel, mas o Esposo nunca a abandonará. A união de Jesus com Sua Igreja é uma união nupcial, mística e fisiológica, porque Jesus une-se a Sua Igreja dando Seu Corpo na Eucaristia.
Quinta estrela: A Santa Igreja dos pecadores nunca separa santidade e pecado. A Igreja dá toda a santidade de Deus, sobretudo por meio dos Sacramentos. Graças a eles os pecadores podem tornar-se santos. Esta santidade de Deus é-nos transmitida por pobres pecadores. Consciente disto, o Santo Padre, durante o Jubileu, pediu perdão por todas as infidelidades da Igreja nos últimos dois mil anos, um gesto que exprime toda a santidade da Igreja que ele representa.
Sexta estrela: A Igreja que mostra o seu lado mais belo. Em todas as partes, ao longo dos séculos, os primeiros hospitais, os primeiros leprosários, orfanatos, casas de acolhimento de idosos ou doentes da Aids, foram fundados por discípulos de Jesus. Onde há sofrimento, a Igreja está presente.
A Igreja, com os seus Santos, marcou a história, salvou a cultura humana, porque em todos os lugares sempre defendeu o homem do próprio homem.
Sétima estrela: A Igreja renova-se continuamente numa eterna primavera.
A Jornada Mundial da Juventude é precisamente a manifestação da eterna juventude da Igreja. Qual líder político ou religioso seria capaz de reunir centenas de milhares de jovens vindos de todo o mundo, senão o nosso Papa, João Paulo II? E, contudo, o Santo Padre não reúne os jovens em torno da sua pessoa, mas reúne os embaixadores da juventude de todo o mundo à volta de Deus na Eucaristia.
Oitava estrela: A Igreja vive a harmonia entre o esqueleto e o resto do corpo. O esqueleto é o que o próprio Jesus constituiu: os Bispos, os Sacerdotes, os Sacramentos, etc... O sangue que corre nas suas veias é, pelo contrário, tudo o que o Espírito Santo desperta na vida da Igreja: como a santidade, as obras de caridade, as comunidades religiosas, especialmente todas as novas comunidades, recém-fundadas. Não se pode separar o que Jesus deu do que dá o Espírito Santo: Elas são as duas mãos do Pai com as quais Deus construiu o Corpo da Igreja.
Nona estrela: A unidade da Igreja. O sonho de Deus é que todos seus filhos sejam um. O primeiro milênio foi marcado por uma Igreja indivisa em si mesma. O segundo milênio, recém-terminado, foi, pelo contrário, um tempo de grandes fraturas na Igreja. Neste terceiro milênio, Deus dará novamente à Igreja, ao Seu Corpo, a sua original unidade. Será muito mais bela do que no início, porque, nesta última fase, cada Igreja local aprofundou em alguns aspectos que, unidos uns aos outros, transmitirão uma plenitude extraordinária. A unidade cria-se à volta do coração da Igreja, a Eucaristia.
Décima estrela: A Igreja Missionária. Como vamos guardar para nós todo este tesouro de novidades, de beleza, de Luz? A Igreja cura-nos do pecado e elimina muitos sofrimentos. Se todos vivessem com Jesus o Evangelho, não haveria mais guerras, não haveria Aids, divórcios, nem crianças abandonadas...
Sabemos que Jesus é a única resposta a todas as expectativas do homem. Como eu posso viver a intimidade com Ele sem fazer tudo para dá-Lo e revelá-Lo aos outros? Isto é o que me levou ao deserto quando era eremita: não podia suportar a idéia de que os jovens pudessem se suicidar, enquanto eu levava em mim a vida do próprio Deus. Vejo que também Mediugórie, desde há mais de vinte e um anos, é uma verdadeira escola de evangelização para o mundo. A própria Virgem chama-nos freqüentemente, com palavras fortes assim: «Testemunhem a alegria de Deus com sua vida», «Quero que, por meio de vocês, o mundo inteiro conheça o Deus da alegria. Sejam todos o reflexo de Jesus, sejam a Luz que resplandece nas trevas».
Décima primeira estrela: A Igreja é o único lugar na Terra onde a vida e o amor estão protegidos. Saímos de um século de guerras contínuas do homem contra o homem, e como se isto não bastasse, milhares e milhares de crianças foram assassinadas antes de nascer. Satanás não suporta tudo o que é fraco, pequeno, pobre, porque todas as crianças nos fazem lembrar Jesus menino no seio de Maria; cada pessoa que sofre faz lembrar o Homem da Cruz.
Também toda a propaganda da eutanásia foi extraída textualmente da ideologia de Hitler, de 1932. Satanás revolta-se porque recusou ajoelhar-se diante do recém-nascido e dizer-Lhe: «Tu és o meu Criador». A Igreja está implicada neste grande combate entre a vida e a morte. E a Igreja, como uma mãe, defende seus pequenos. Encontramos milhares de jovens que lutam pela vida. O Espírito Santo suscita em todas as gerações muitos jovens capazes de consagrarem-se, de viverem na pureza até ao matrimônio, capazes de confiar a Maria sua própria afetividade, jovens não só católicos, mas também protestantes, ortodoxos, hebreus.
Décima segunda estrela: A Igreja é vitoriosa. Neste grande combate para salvar a vida e o amor, a Igreja é já vitoriosa. Já não precisa crer na Ressurreição de Jesus, porque já viu Jesus Ressuscitado na Sua Igreja. Viu que nenhuma perseguição, por terrível que seja, poderá encerrar por muito tempo a Igreja nas catacumbas, porque nenhuma pedra poderá ter Jesus fechado no Sepulcro mais do que algumas horas. Amém!
Olhe para o Krizevac!
No início, quatro frades franciscanos do mosteiro de Humac, Frei Ianko Búbalo, Frei Vinko Dragicevíc, Frei Stanko Vasíli e eu próprio, íamos todos os dias a Mediugórie para auxiliar nas confissões. No dia 22 de outubro de 1981, quatro meses depois da primeira aparição, não seria diferente dos outros dias. Chegamos a Mediugórie pelas quatro horas da tarde e, imediatamente depois de ter estacionado o carro diante da igreja, Frei Zrínco Cuvalo pediu-me para ficar um momento em seu gabinete, antes das confissões. Muitas pessoas vinham ter com ele. Quis falar-me. Quando estava em seu escritório, sem nada pensar no momento, olhei por uma janela para a Montanha do Krizevac e reparei que não estava lá a cruz. No lugar da cruz, erguia-se uma coluna branca e luminosa. Rapidamente, esta coluna branca e luminosa transformou-se em estátua de contornos femininos. Chamei imediatamente Frei Tomislav Vlasic para que viesse ao escritório e disse-lhe: "Olhe para o Krizevac!". Ele olhou por um momento e foi buscar o binóculo para que todos pudéssemos ver melhor e distinguir aquela anormal aparição. Os Freis Ianko e Stanko juntaram-se a nós. Revezamo-nos para ver com o binóculo, Frei Tomíslav, Frei Ianko, Frei Stanko e eu. Tivemos o binóculo duas vezes nas mãos.
Eu estava emocionado. Estava lá, a imagem de uma mulher, com as mãos estendidas, olhando para a Igreja paroquial. Vi simplesmente Sua forma.  Não podia distinguir os olhos, a boca e os cabelos... De tempos em tempos, parecia que a silhueta se inclinava para a direita e para a esquerda.  Esta aparição durou aproximadamente meia hora.
Eu sentia emoção e uma impressão muito especial de alegria. Um pensamento me veio ao coração: «É uma recompensa da Santíssima Virgem, depois de quatro longos e esgotantes meses atendendo confissões em Mediugórie».
Muitos peregrinos que estavam na igreja, e à volta dela, viram a aparição. Todos os que estavam presentes, estavam de joelhos, rezando, cantando e exultando de alegria, com os olhos resplandecentes, olhando para o Krizevac.
Estou pronto para confirmar a verdade deste testemunho, até sob juramento, em qualquer momento.
                                Frei Luka Susac
Nada podia deter-me!
Frei Tomislav Vlasic é, podemos dizê-lo, o porta-voz da Virgem e dos videntes de Mediugórie. É um sacerdote muito comprometido com a liturgia. Ele chegou a Mediugórie, pela primeira vez, no dia de S. Pedro. Iákov foi o primeiro vidente com quem falou. Eis o que ele contou dessa conversa:
«Falou-me simples e abertamente, e não era, de forma alguma, complicado. Fiquei convicto de que aquela criança vivia uma experiência muito especial. Eu não era capaz de chegar a qualquer conclusão sobre a natureza do fenômeno. Em seguida, falei com Miriana. Fiz-lhe algumas perguntas. Estava um pouco inquieta, porque acabava de sair dum interrogatório.      Ela me disse que a tinham colocado num necrotério e, depois, com doentes mentais. Perguntei-lhe se voltaria de novo à Colina. Disse-me que estava em dúvida: "Provavelmente não voltarei lá, porque, se eles me levarem duas vezes ao necrotério, terei uma crise nervosa". Falo sobre este detalhe porque, no mesmo dia, Miriana voltou à Colina e, quando lhe perguntei por que é que tinha voltado, visto ter demonstrado antes estar com dúvidas, estar com medo e que talvez não voltasse, ela respondeu: "Quando chegou a hora de ir para a Colina, ninguém seria capaz de deter-me. Simplesmente, já não havia dúvida, se devia ir ou não!»
Frei Tomislav, falando sobre a aglomeração na Colina, no momento das aparições, disse que ali se rezava, mas sem grande unidade e sem organização particular. «Senti a necessidade de levar as pessoas para a igreja, para lá rezar e ajudá-las a compreender. Depois fui à casa de Marinko Ivankovíc, onde encontrei cinco dos jovens.  Falei com eles e minha impressão foi de que estavam bem. Não notei que estivessem preocupados com coisa alguma ou sob influência de drogas. Suas reações eram normais».      Frei Tomislav Vlasic
Como se tornar santo
Padre Karl Walner, cisterciense austríaco, em sua participação no Festival dos Jovens em Mediugórie, falou, de modo um pouco irônico, mas facilmente compreensível, daquilo que hoje o Papa confia aos jovens como missão: Ser Santo no Terceiro Milênio.
«O tema é muito extenso - começou o jovem monge - mas desejo, mesmo assim, tentar dizer-lhes o que fazer para ser santo.
Quero explicar um pouco o termo santo. Hoje todos querem a mesma coisa, isto é, ser belos. A beleza exterior tem desenvolvido uma verdadeira e própria indústria, transformando-se num grande ideal, mas também num grande engano.
Agradar-me-ia que todos se tornassem belos, não somente por fora, mas também por dentro. A Igreja chama todos a esta beleza. Ser santo significa irradiar a própria beleza interior.
Um dia, antes da minha ordenação sacerdotal, encontrei a mulher mais bela do mundo: Madre Teresa de Calcutá. Fui tocado, sobretudo, pelo seu rosto profundamente sulcado pelas rugas. Contudo, ela irradiava uma força especial, uma força que lhe vinha de sua união com Deus.
É agradável a Deus conceder-nos um lugar onde nos tornamos mais belos e onde nossos corações são purificados: a Confissão. Seus pecados não O entristecem, mesmo que lhes pareça serem sempre os mesmos. Procurem novamente o confessionário e permitam que Deus opere em vocês. Não existiu santo no mundo que um dia pudesse dizer: «Eis, agora sou tão santo que não preciso me confessar”. Pelo contrário, quanto mais a pessoa estiver próxima de Deus, tanto mais sente o peso dos pequenos pecados.
Portanto, se confessarmos nossos pecados, eles não constituirão mais um obstáculo no caminho para Deus, mas serão meio para seguir adiante.
Três conselhos para se tornar santo. Primeiro: ser teimoso; depois, prepotente e, por fim, impertinente.
Naturalmente entende-se, em primeiro lugar, uma santa teimosia. Esta qualidade é útil até no amor. Creio que, à primeira vista,  não existe amor, mas apenas namoro, ou seja, um fogo no coração que arde de entusiasmo. É já uma coisa boa enamorar-se, mas é indispensável que, crescendo, se torne amor. Tudo isso requer tempo, empenho e uma luta quotidiana. Em poucas palavras: perseverança.
Assim acontecerá na nossa relação com Deus. Na parábola do semeador, Jesus diz que se a semente cair num terreno pouco profundo, logo murcha. Vocês devem saber então que Mediugórie começa depois de Mediugórie. Aqui vocês estão cheios de entusiasmo, mas, quando estiverem em suas casas, devem, com teimosia, realizar o que Nossa Senhora lhes pede.
Todos os santos eram teimosos. No Antigo Testamento, lê-se como o Patriarca Jacó - pai de Israel - lutou toda a noite com o Anjo do Senhor. De manhã, o Anjo tentou partir, mas Jacó deteve-O, dizendo: «Não te deixo, até que me abençoes!». Quando me tornei sacerdote, esta Palavra foi-me muito útil, porque, para ser sacerdote, precisa-se ser verdadeiramente teimoso! No caminho, passa-se através de inumeráveis cruzes, pequenas e grandes e, pensa-se freqüentemente que Deus nos abandonou completamente. É este o momento para dizer: «não te deixo, até que me abençoes!».
Não só corajosos, mas até prepotentes. Somos chamados a ser verdadeiramente entusiastas de Deus e a ter uma tal força interior, a ponto de refleti-la também no exterior. Por que nós cristãos vivemos uma espécie de complexo de inferioridade? Por que somos tão covardes quando devemos testemunhar nossa fé?
Devemos ser reconhecidos a nosso Papa João Paulo II que dá à Igreja tantos beatos e santos. Neles podemos ver claramente que também eram pessoas de carne e osso, com muitos pecados e fraquezas. Apesar disso, foram muito grandes na sua coragem ao testemunhar a fé. Devemos ter a mesma coragem de S. Francisco quando soube restituir a seu próprio pai tudo que possuía, a coragem de Santo Cura d’Ars que fazia penitência no lugar dos que a ele se confessavam, a coragem de Maximiliano Kolbe que ofereceu sua vida por um pai de família.
Viver a santa impertinência. Quando encontramos pessoas que vivem segundo os modelos que o mundo propõe, perguntamo-nos se realmente somos normais: vamos à Igreja, quando quase ninguém vai; rezamos, quando os outros consideram coisa vã; esforçamo-nos em perdoar e ser humildes, quando os outros seguem em frente de modo egoísta. Parece-nos estarmos no erro, pois o mundo nos mostra como tudo é normal sem Deus. Mas isto é errado!
Precisamos rezar para obtermos a graça de não nos envergonharmos de mostrar a nossa fé. Temos medo de parecermos doidos? Mas não pode acontecer melhor! Jesus disse a Seus discípulos: «Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem».
Em minha vida, vi sempre como a corajosa confissão da fé tem o poder de transformar os outros e de quebrar as falsas idéias que o homem pode ser feliz sem Deus. Quem está convicto disto engana-se a si mesmo. Agora é o momento de fazer funcionar a nossa «santa impertinência» para mostrar-lhes o caminho, como alcançar a verdadeira felicidade.
As vestes do imperador. Muitos conhecem a fábula daquele imperador, de tal modo vaidoso, que ordenou, por ocasião especial, um traje que pudesse fazer com que todos ficassem impressionados. O alfaiate, de má fé, propôs-lhe um traje confeccionado com um tecido particular, que se apresentaria invisível aos olhos das pessoas tolas.
Na verdade, o traje nunca existiu e, na ilusão de envergar tecidos extraordinários (e na certeza de se julgar inteligente), o imperador acabou por apresentar-se aos seus súditos somente com roupas íntimas. Ninguém tinha a coragem de dizer coisa alguma para não arriscar-se a parecer louco, preferindo convencer-se de que o rei estava realmente vestido.
A ilusão durou até que uma criança exclamou a verdade, dando assim coragem também aos outros para reconhecerem que estavam enganados.
Também nós vivemos hoje num mundo feito de geniais enganos. A vida sem Deus, sem oração, sem sacramentos propõe-se-nos bela e atraente, mas, na realidade, é uma mentira. Devemos então ser suficientemente impertinentes, como aquela criança da fábula, e dizer ao mundo: «Também vocês caminham nus! Venham, creiam em Jesus e em Maria e encontrarão a felicidade».  Eco de Maria
Notícias da Comunidade
Natal das Crianças
Todos os anos, benfeitores e amigos de Mediugórie promovem uma festa natalina para as crianças que freqüentam a Comunidade Servos da Rainha. Este ano, no dia 21 de dezembro, mais de 1000 crianças participaram da festa. Além do lanche, refrigerante, doces, bombons e sorvete, todas ganharam brinquedo. Promotores desse evento: Aléssia e Eugênio Bontempo, Maria Aparecida e Paulo F. Xavier, Maria Soledade Chaves, Aparecida e João Paganini, M. Ângela Silveira Matos Silva, Rute Kalvon, Cláudia Furtado T. Silva, Marilena Rodrigues de Souza e funcionários dos Correios que, além de promoverem muitas brincadeiras para as crianças, trouxeram-lhes muita alegria com o tradicional Papai Noel distribuindo balinhas e doces. Além destes, houve outros colaboradores que não relacionamos aqui por falta de espaço. Deus lhes pague por sua generosidade.
Ano Novo na Comunidade
Como em Mediugórie, houve vigília de oração e adoração eucarística na noite do dia 31, seguida da Santa Missa, com a consagração exatamente à meia-noite. Assim, pudemos entrar no Ano Novo adorando a Jesus que chegava na Eucaristia. Celebrou a Santa Missa Pe. Pedro (Ks. Piotr Stepie?), recém-chegado da Polônia. Ele, fervoroso devoto da Rainha da Paz, já esteve em Mediugórie cinco vezes e agora, sempre que pode, vem rezar conosco o Rosário e celebrar a Santa Missa.
Agradecimentos
Retribuímos, de coração, os votos de Feliz Natal e de Boas Festas recebidos por cartas e cartões dos amigos e leitores do Eco no Brasil e no exterior. Que a ternura do menino Jesus sempre os acompanhe.
Queremos expressar também, em nome de Nossa Senhora, Rainha da Paz, nossos agradecimentos a todos quantos têm contribuído com suas orações e ajuda financeira para a manutenção da edição mensal do Eco de Mediugórie, possibilitando, assim, a continuidade da divulgação das mensagens da Rainha da Paz.
Por último, não podemos deixar de manifestar a nossa profunda gratidão aos benfeitores da Comunidade Servos da Rainha que, como as mãos estendidas de Nossa Senhora para os mais necessitados, custeiam as despesas com professoras para o atendimento escolar gratuito a mais de 400 crianças (Jardim I, II, III e reforço escolar para a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries). Se você desejar participar também desta obra da Rainha da Paz, solicite-nos um carnê para contribuições espontâneas.
 
Peregrinações 2003
Maio: França, Espanha e Portugal (Lourdes, Medalha Milagrosa, Lisieux, Cura d’Ars, Burgos, São Tiago de Compostela, Lisboa, Fátima (13 de maio). Saída: 02.05.03. Volta: 16.05.03.
Vagas limitadas. Se você ainda não recebeu o programa completo, solicite-o. Tel. (61)624-5511.
Como contribuir para o Eco
 
A partir de agora, as contribuições para o Eco de Mediugórie poderão ser deposita-das também nas agências dos Correios que possuam Banco Postal, Ag. 241-0 Conta 600.002-9, bem como nas agências Bradesco e seus caixas eletrônicos BDN, na mesma conta.
As contribuições podem também continuar sendo feitas no Banco do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha, ou enviadas por meio de cheque nominal e cruzado, a favor de Servos da Rainha, em carta registrada.
As contribuições efetuadas devem ser informadas para anotação no cadastro.