Mediugórie - Eco 204
Março de 2003 - Anunciação
Mensagem da Rainha da Paz, de 25.02.03:
Queridos filhos! Também hoje os convido a rezarem e a jejuarem pela paz. Como já disse, novamente lhes repito, filhinhos, somente com a oração e o jejum as guerras podem também ser evitadas. A paz é um dom precioso de Deus. Procurem-na, peçam e a receberão. Falem da paz e levem a paz em seus corações. Cuidem da paz como de uma flor que necessita de  água, ternura e luz. Sejam aqueles que levam a paz aos outros. Eu estou com vocês e intercedo por todos vocês. Obrigada por terem correspondido a  Meu apelo.
Oração e Jejum
para evitar a guerra
Às vésperas de uma guerra devastadora, enquanto parece fracassarem os esforços daqueles que no mundo buscam a paz, eis uma grande mensagem de esperança.
Maria, Rainha da Paz, vem e indica o caminho concreto, confiando-o a todos nós e, em particular, a quem crê em Sua presença em Mediugórie: os filhos cuidados com infinita paciência e com imenso amor.
Rezem e jejuem pela paz. Não é um caminho novo, pois Nossa Senhora já nos pediu isso muitas vezes. Hoje recorda-nos, sem repreensão, mas com materna urgência: Como já disse, novamente lhes repito, filhinhos, somente com a oração e o jejum as guerras podem também ser evitadas. Não há outro caminho, este é uma via ao alcance de todos.
O Papa também nos chama, com insistência, a mobilizar-nos pela paz. Pediu um ano inteiro de oração pela paz e pelas famílias, a partir de outubro do ano passado. Ofereceu-nos os mistérios da Luz para ampliar o horizonte do Rosário em toda a Vida terrena de Cristo Jesus. Agora chama-nos a dedicar a oração e o jejum da Quarta-Feira de Cinzas pela paz. Tomemos a sério estes convites. Eles são a única possibilidade de que dispomos para deter o ódio e evitar que o mundo se precipite na guerra.
Nossa responsabilidade é grande, maior do que podemos admitir ou compreender. A paz depende de nós, de mim, de você. Deixemos de colocar a responsabilidade sobre os outros. Bastam apenas dez justos para suster a mão do Senhor (Gn 18,32). Nós, você e eu, somos chamados, na primeira pessoa, e devemos dar contas a Deus da nossa eventual recusa. Respondamos: Eis-me aqui! Assumamos nossas responsabilidades com simplicidade, humildade, com sinceridade. Seja forte a nossa determinação, grande a nossa fé, unida à nossa esperança. A paz é um dom precioso de Deus, mas confiado aos homens de boa vontade (Lc. 2,14), isto é, àqueles que fazem Sua vontade. É dom deixado em herança aos discípulos de Jesus (Jo.14,27). Rezemos o Rosário, como foi sugerido pelo Papa, contemplando em Cristo nossa vida, encontrando nela Sua vida terrena, chave para percebermos e endereçarmos a Ele nossa vida com suas dores, dificuldades, seus sofrimentos. Agindo assim, saberemos dar conta das razões de nossa esperança (1Ped. 3,15).
Seja nossa oração escuta da Palavra com o coração aberto, seja invocação do Nome de Deus com lábios puros. Seja o nosso jejum abstinência do supérfluo, não só do alimento, mas também da injustiça, do abuso, do hedonismo que, em particular, nos países supostos ricos, unem-se para reduzir tudo, até as pessoas humanas, a objetos de consumo.
Com oração e jejum obter-se-á o dom da paz. Procurem-na, peçam e a receberão, assegura-nos Maria. Falem da paz e levem a paz em seus corações. Cuidem da paz como de uma flor que necessita de  água, ternura e luz.
Alcancemos de Deus e do Coração Imaculado de Maria estes cuidados que não estamos à altura de produzir e que são necessários para que a flor da paz não murche antes do tempo. Que o Sacrifício de Jesus Cristo não seja em vão. Cumpra-se a salvação, triunfe o Reino de Deus e não haja mais discórdia e divisão, porque será precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava diante do nosso Deus dia e noite (Ap. 12,10).
                            Nuccio Quattrocchi
UM DEUS QUE CHUPA DEDO
“Não sei se é agora, na Festa de Anunciação, ou seria melhor no tempo de Natal, apresentar-lhes uma reflexão rigorosamente científica, mas também cheia de poesia, de um sacerdote francês – Fr. Daniel Ange – sobre o nascimento de Jesus, Filho de Deus.
Venham ver a Deus que assumiu a condição humana para que os homens possam vê-Lo, tocá-Lo... Nós adquirimos essa possibilidade, é verdade, só dois mil anos depois da Anunciação. Naquele tempo nem Maria podia vê-lo. Não era conhecida, pois, a ultra-sonografia”.        Pe. Eugênio
Tomemos como ponto de partida a data de 25 de março. Nesse dia Deus entrou na história da humanidade. Ele vive ainda escondido debaixo do coração de Maria que, a partir daquele momento, tornou-se Mãe de Jesus, que é Deus. Vamos observá-Lo nas fotos de ultra-sonografia.
13 de abril - Ele tem 18 dias. Deus infinito tem dois milímetros – um pequeno grão de trigo! O coração de Deus começa a bater. O primeiro órgão que podemos ver é exatamente este músculo em miniatura. Ainda está aberto. A vida terrena de Deus começa com este pequeno, aberto coração, e terminará com esse mesmo coração aberto pela lança, e que estará aberto para nós por todo o sempre.
Quatro dias depois, aos 21 de abril, enxerga-se seus braços. Esses braços, algum dia serão abertos e formarão entre o céu e a terra o sinal permanente da Nova Aliança.
Aos 23 de abril, apenas dois dias depois, aparecem na foto suas pernas. Nelas Ele percorrerá toda a Galiléia e, depois, a Judéia.
25 de abril - Ele tem um mês. O minúsculo feto de Deus mede já um centímetro. É dez mil vezes maior do que o óvulo fecundado. Tal é agora o grande Deus, Deus de um centímetro.
Início de maio - Aparecem no seu rosto os olhos e a boca. Olhos, nos quais refletirá o céu; boca, que proclamará a eterna verdade. Tal é o nosso Deus!
15 de maio - Qüinquagésimo dia. Suas mãos parecem umas pequenas flores. Pode-se, porém, distinguir as linhas papilares, únicas no mundo. Essas mãos vão mais tarde trabalhar a madeira, tocar os doentes e crianças. Tal é nosso Deus.
31 de maio - No aparelho ultrasonográfico poderíamos ouvir o bater de seu pequeno Coração, que pulsa ritmicamente 65 vezes por minuto. Esse Coração ama e nunca mais deixará de amar. Algum dia Ele será traspassado pela lança... Deus é amor.
No início de junho começa a formar-se nEle o esqueleto e desenvolvem-se os músculos. Seguro em seu esconderijo, ligado com o cordão umbilical à sua Mãe, parece ficar em pé. Ele já tem três centímetros e pesa onze gramas: menos de uma folha de papel. Tal é o nosso Deus.
Observem que, dentro de dois meses, este ser em miniatura realizou um grande trabalho: formou todos seus órgãos. Resta ainda desenvolvê-los e terminar.
10 de junho - Esses pequeninos pontinhos nos pés, que aparecem na ultra-sonografia, são os dedinhos de nosso Deus.
Metade de junho - Quando Ele sente um carinhoso toque na testa, começa a virar a cabeça e mexer com as mãos. Você pode imaginar, um Deus procurando carinho?
Fim de junho - Dez centímetros e 45 gramas de peso. Ele tem as mãozinhas e as cordas vocais totalmente formadas. Também as minúsculas pálpebras. Estas permanecerão fechadas ainda por seis meses. Podemos ver também o sexo desta criança: será um menino. Menino Deus.
Fim de julho - Cada detalhe está bem formado: os dedinhos das mãos e dos pés, as unhas, as pálpebras, o cabelo, as orelhas.
Início de agosto - Ele ouve os sons que vêm de fora. Cresce o cabelo. Ele começa a se mexer, mas, no começo, muito pouco, quase impercebível. O Coração dEle bate agora muito rápido e os vasos sangüíneos, vistos debaixo da pele, rápida, mas ritmicamente, bombeiam o sangue. É o sangue de Deus. O mesmo que Ele irá derramar na Cruz.
Fim de agosto - Maria começa a sentir os movimentos da criança. Ele começa a engolir. Já tem 25 centímetros e pesa meio quilo.
(Hoje, na legislação brasileira, poder-se-ia abortá-Lo. Que bom, que Maria não o fez! A misteriosa gravidez com alguém que não é o noivo, seria suficiente para esse homicídio).
Fim de setembro - Envolvido em seus transparentes cobertores, Ele dorme de 16 a 20 horas por dia, ou chupa os dedinhos. Imagine: um Deus que chupa dedo!
Fim de outubro - Ele tem 31 centímetros e pesa um quilo. Despertam-se nEle os cinco sentidos: tato, olfato, paladar, audição e visão.
Novembro - Ele começa a Se transformar em um pequeno milagre de beleza. As rugas no rosto e no corpo desaparecem, a pele torna-se cor de rosa claro, a fina camada que a envolvia desaparece gradativamente, aperfeiçoam-se os pulmões... Em breve o crânio estará totalmente formado... Nosso Deus acaba de se formar.
Metade de dezembro - A cabeça dirige-se para baixo, as mãozinhas e pezinhos cruzam-se no ventre. É como se fosse uma posição antes de dar um mergulho. É assim, que Deus se prepara para abandonar o ventre materno.
Antes que isso aconteça, vejamos esse casal jovem no caminho para Belém. Perdidos em meio a tantos viajantes por causa do recenseamento proclamado por César Augusto, andam com muita cautela, descansando em curtos espaços do tempo. Maria atravessa as colinas daquela região.
Quem, olhando aquela jovem-Mãe, poderia adivinhar que Ela é o verdadeiro Templo de Jerusalém? Que Ela é a verdadeira Arca da Aliança? Que Ela é o Sacrário vivo e a primeira Casa de Deus? Talvez José pudesse entender um pouco desse grande mistério.
25 de dezembro - Finalmente nasceu Deus. Nasceu no caminho. A próxima parada será o Egito. Ele nasceu no caminho, pois sempre busca aqueles que não conhecem o caminho certo.
Maria e José procuravam, aflitos, alguma casa. Batiam em muitas portas, mas nenhuma se abria para eles. Há lugar para todos, menos para Deus!
Vem a reação da natureza: o reino dos minerais oferece-Lhe uma gruta, do firmamento vem uma estrela, do reino das plantas, um pouco de feno e o reino de animais manda um boi e um jumentinho...
E nós, homens de hoje, o que Lhe oferecemos? Oferecemos-Lhe nossos pecados. Muitos pecados. E Ele os aceita. Veio ao mundo para tomá-los sobre Si e apagá-los. Tal é o nosso Deus!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!
Luziânia, Festa de Anunciação, 2003.
Notícias de Mediugórie
Magníficas recordações
Guardamos magníficas recordações dos primeiros dias das aparições! Kathleen Martin (veja Eco 202) morou vários anos na casa da vidente Maria Pavlovic. Ela é uma testemunha privilegiada da paz que trouxe o grupo de oração que a Virgem começou e orientou em Mediugórie. Kathleen testemunha: “Recordo que, no início da guerra dos Balcãs, em 1991, os peregrinos vinham a Mediugórie apesar da guerra. Frei Slavko abriu-lhes uma casa que pertencia à paróquia, Domus Pacis, e convidou-os a passarem o tempo da permanência em Mediugórie juntos, em oração e jejum, isto é, durante cinco ou seis dias. Ele expunha o Santíssimo. Os peregrinos alojavam-se na casa e tinham água, chá quente e pão à vontade. Juntos, se colocavam diante de Jesus, no Santíssimo Sacramento do Altar, e pediam-Lhe que desse a paz. Era uma semana muito informal, devendo os peregrinos apenas ir para diante do Santíssimo e pedir a paz. Eles não eram desses “religiosos” que rezam dia e noite. Eram pessoas casadas, simples peregrinos de boa vontade à procura da conversão. Decidiram encontrar-se duas vezes por dia. Frei Slavko vinha falar-lhes um pouco das mensagens e eles ficavam livres para ir a Jesus, falar-Lhe e pedir-Lhe a paz. Era algo muito natural, nada tinha de extraordinário. Decidiram-se jejuar a pão e água. Alguns acharam difícil jejuar, outros não. Quanto mais rezavam, mais achavam fácil viver unidos durante aqueles dias. No último dia, Frei Slavko procurou a vidente Maria Pavlovic, que se encontrava em Mediugórie, e pediu-lhe: “Maria, hoje, em vez de você ter a aparição em sua casa, aceitaria juntar-te ao grupo? Sabe de uma coisa? Eles sacrificaram sua semana em Mediugórie. Ficaram juntos, jejuaram e rezaram pela paz. Você gostaria de vir e ter a aparição junto de nós?” Ela aceitou. Depois da aparição, disse que Nossa Senhora tinha dado a seguinte mensagem: “Meus queridíssimos filhos! Como Me seria fácil parar esta guerra, se pudesse encontrar mais pessoas que rezassem como vocês agora o fazem!” Isto passou-se no início da guerra, e nós sabemos que a guerra durou mais cinco anos!
O medo, hoje, espalha-se pelo mundo. Ora, o Senhor não deseja este medo. Esta agitação belicosa não é da vontade do Senhor. Deus quer que tenhamos um tempo de paz. Por isso, convido todos aqueles que já foram a Mediugórie que jejuem e rezem pela paz. O melhor jejum será jejuar a pão e água. Mas podemos também dizer uma manhã: “Mãe do Céu, em vez dos ovos, das minhas torradas, dos cereais habituais, vou comer apenas um pedaço de pão com uma xícara de chá, e vou oferecer este sacrifício pela paz! Onde quer que eu esteja, esforçar-me-ei por ser testemunha do amor. Não cometerei pecado hoje e procurarei estar mais vezes com Jesus. Farei tudo em espírito de oração.
Creio que, se todos nos esforçássemos para em tudo agir assim, os rumores de guerra e os medos que eles geram diminuiriam rapidamente.
Lembro-me de que a Virgem pedia, por vezes, ao grupo de oração uma semana de sacrifícios por uma intenção particular Sua ou pela realização de um plano especial de Deus. Então um deles renunciava à primeira xícara de café da manhã, Maria Pavlovic privava-se de bombons durante toda uma semana, um outro parava de fumar o primeiro cigarro do dia... e no fim da semana, a Virgem agradecia e, radiante de alegria, dizia que tinha conseguido! Esse plano particular tinha-se realizado!
Alguns dias depois do início das aparições, Ivan, Maria, as irmãs de Vicka e outros amigos, ao todo cerca de 16 pessoas, falavam deste presente que Deus lhes tinha dado: ter escolhido sua aldeia e ter dado a três ou quatro dentre eles a graça de verem a Virgem e poderem partilhar isso com a família! Moravam todos no mesmo pequeno vilarejo. Então pensaram: “Por que não dizermos a Deus que isto nos torna muito felizes? Por que não vamos ao alto da montanha duas vezes por semana, com nossos violões, cantar ao Senhor e rezar um rosário para Lhe agradecer por nos ter escolhido?” Foi o que fizeram. Aqueles adolescentes subiam a montanha, sentavam-se lá no alto e cantavam. Cantavam também canções tradicionais da região, e não apenas cânticos religiosos. Cantavam para agradecer ao Senhor. Juntos rezavam o Rosário. Conversavam lá em cima, sentados na colina. No terceiro ou quarto encontro, não sei bem, Maria e Ivan estavam lá e, durante a oração, apareceu-lhes de novo Nossa Senhora (Ela já lhes tinha aparecido às 18h40). Nossa Senhora disse-lhes que o Pai Celeste estava tão agradecido a eles, que iria permitir que Ela lhes aparecesse duas vezes por semana na Colina! Foi assim que começaram as aparições da noite ao grupo de oração. Começaram graças à abertura do coração destes jovens, a esta piscadela de amor entre suas almas e seu Pai do Céu.”
Denis Nolan (Childrenofmedjugorje)
Decisão quatro anos depois
Após as primeiras aparições da Rainha da Paz em Mediugórie, teve início, no ano de 1983, um grupo de oração guiado pela Santíssima Virgem através do dom de locução interior de Iélena e de Mariana Vasili. O acompanhamento espiritual do grupo foi confiado pela própria Nossa Senhora a Frei Tomislav Vlasic, então responsável pela paróquia de Mediugórie. Nossa Senhora pedia aos membros do grupo que não fizessem nenhuma escolha, durante o período de quatro anos, acerca do futuro da própria vida, mas que rezassem para preparar os corações a fim de acolherem o que Deus lhes iria propor.
No Verão de 96, surge uma nova fase do caminho, com uma maior clareza do chamamento para uma nova Comunidade.
Em Mediugórie, Nossa Senhora convida-nos constantemente a entrar no Mistério, em cujo centro se encontra o Altar. A Mãe reúne seus filhos a fim de que eles se aproximem deste Altar, ou seja, do Mistério da Salvação.
Aqui evidenciam-se os dois pilares sobre os quais está fundado este chamamento: Maria e Eucaristia.
Os membros da Comunidade Kraljica Mira (Rainha da Paz)  comunicam-se com Jesus por meio de Maria. Eles são chamados a oferecer a própria vida «como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus» (Rm 12,1).
Como Jesus subiu voluntariamente à Cruz para salvar o mundo, assim as pessoas que sentem o chamado à oferta devem valorizar toda a ocasião de sofrimento, permanecendo em oração contínua e numa incessante adoração ao Pai em favor de todos os homens.
Este não é um chamamento ao sofrimento, mas ao amor. Essas pessoas, imoladas num caminho que se revela e se realiza gradualmente, oferecem a própria vida ao Pai, em união com os anjos.
Este é o traço evidente de toda a história da salvação, assim como na experiência das aparições de Nossa Senhora em Mediugórie.
Deus leva adiante seu plano de salvação, servindo-se das pessoas que respondem a seu apelo, enquanto nós somos apenas instrumentos em Suas mãos. As pessoas mudam e passam, mas o Espírito de Deus permanece para sempre, guiando e realizando todos os projetos do Pai.
Caminho do abandono
A Rainha da Paz não aparece em Mediugórie para comunicar ao mundo revelações inéditas, nem para mostrar sinais prodigiosos ou anunciar sensacionais novidades teológicas, mas para conduzir-nos, muito concretamente - como aconteceu ao discípulo predileto confiado-Lhe aos pés da Cruz - para «vermos com nossos olhos, para contemplar e para tocar» (1Jo. 1-2) com os sentidos da alma o «Verbo da vida», que «estava no Pai». O Verbo que se fez visível a nós em Jesus de Nazaré, Filho do Altíssimo, que Ela gerou para o mundo «na plenitude dos tempos», e que ainda hoje deseja ardentemente regenerar as almas de Seus filhos. Sim! Porque só a partir da contemplação do Rosto do Filho, sofredor e glorificado, a partir da experiência do inefável Mistério de Cristo - que com total liberdade e filial confiança Se abandonou ao amor terno do Pai no Seu caminho pascal de humilhação e de glória – será possível acolher o rio da vida nova e da brilhante Luz divina que irrompe no mundo em Cristo Jesus, crucificado pelos homens, mas eternamente glorificado por Deus.
Por isso, a Santíssima Virgem Maria põe no centro de Sua Mensagem a fundamental passagem espiritual ao abandono, condição essencial e necessária para entrar em comunhão com a Vida do Pai. Esta é, de fato, a oferta agradável a Deus, «que não deseja nada de vocês, senão que se abandonem a Ele» (25.05.89). Este é o único caminho espiritual que nos envolve plenamente na oferta pascal de Cristo, que destrói radicalmente, mediante a obediência da fé, o veneno do pecado original dissimuladamente alojado nas fibras mais profundas e secretas do nosso coração, filho da rebelião e da culpável desconfiança da paternal providência de Deus.
Daqui nasce a raiz venenosa, origem de todo o pecado e de todo o «luto e opressão» que atormenta a humanidade e toda a criação, gerando continuamente nos corações dos homens incuráveis feridas espirituais e lancinantes inquietudes existenciais, desesperos e abismos de trevas nas almas, males dos quais Maria quer, hoje, definitivamente libertar Seus filhos, por mistério da graça que brota do Coração de Deus, «rico em misericórdia».
O percurso da graça que a Santíssima Virgem nos propõe passa pela via do abandono incondicional a Deus, através de Seu Coração Imaculado, que exprime a mesma fé de Abraão, que lhe «foi imputada em conta de justiça» (Rm 4,3) e pela qual, não por acaso, teve, historicamente, início a obra da salvação do mundo.
O caminho do abandono espiritual leva-nos, seguramente, a encontrar a árvore da vida e a luz dos novos céus e da nova terra, mas terá que passar por um radical despojamento interior e por uma renúncia a toda dependência a diversos ídolos que atrapalham os corações dos homens do nosso tempo, dos quais parte uma multidão de tramas de apegos ilusórios e de falsas seguranças mundanas que ofuscam a fé e abrem perigosos espaços a ações do pai da mentira. «Queridos filhos! Convido-os a abandonarem-se a Deus. Neste tempo desejo, de modo especial, que vocês renunciem a tudo aquilo a que estão apegados e que prejudica sua vida espiritual» (25.02.1990).
O autêntico despojamento espiritual não pode realizar-se sem uma radical decisão por Deus, sem um “sim” incondicional oferecido ao Pai, por meio do Coração Imaculado de Maria. Esse “sim” deve ser continuamente renovado com Ela e por meio dEla, na concretização da vida pessoal quotidiana, especialmente nas pequenas e grandes provas que o Senhor, sabiamente, coloca em nosso caminho para fazer-nos crescer no abandono e tornar-nos, progressivamente, verdadeiros instrumentos de Seu Amor sacrificado, para a salvação do mundo. Somente assim nos tornaremos sempre mais participantes da plena vitória da Imaculada sobre todas as insídias do príncipe da trevas. «Por isso, filhinhos, decidam-se completamente por Deus e não permitam que satanás penetre em suas vidas através das coisas que prejudicam vocês e sua vida espiritual» (idem).
Esta decisão incondicional por Deus é, contudo, fruto de uma luz de graça dada pelo Alto, que não pode nascer sem uma oração perseverante e profunda do coração, que se exprime num contato vivo e incessante da alma com o mistério da presença da vida de Deus em nós e no universo, em nossa história pessoal e na comunhão com os irmãos. «Filhinhos, Deus Se oferece  em plenitude, e vocês poderão descobri-Lo e conhecê-Lo somente por meio da oração» (idem).
Deste modo, começaremos a perceber, cada vez mais nitidamente, os sinais da incansável resposta de Deus, os valores da plenitude da vida nova, portadora da «grande alegria e da Paz que somente Deus dá» (25.03.1989).
       Giuseppe Ferraro (Eco de Maria)
Arma contra o maligno
Mais do que nunca, vivo a recordação da carta Apostólica «Rosarium Virginis Mariae» com que João Paulo II, no dia 16 de outubro passado, encorajava de novo os cristãos a recorrer a esta oração, tão ardentemente recomendada por todos os últimos Pontífices e pelas últimas aparições marianas. Para tornar mais completa a prece que Paulo VI definiu como «compêndio de todo o Evangelho», o Papa acrescentou os «mistérios da Luz»: cinco mistérios relativos à vida pública de Jesus.
Sabemos muito bem que Padre Pio chamava o terço de “arma”. Arma de extraordinário poder contra Satanás. Um dia, meu colega exorcista ouviu o demônio dizer: «Cada Ave Maria é como uma paulada em minha cabeça; se os cristãos conhecessem o poder do Rosário, seria o meu fim».
Mas qual é o segredo que dá tanta eficácia a esta oração? É que o Rosário é oração e meditação. Oração voltada ao Pai, à Santíssima Virgem e à Santíssima Trindade. Ela é uma meditação cristocêntrica. De fato, como o Santo Padre expôs na Carta Apostólica citada, o Rosário é oração contemplativa: recorda-se Cristo com Maria, aprende-se Cristo por Maria, conforma-se e suplica-se a Cristo com Maria, anuncia-se Cristo com Maria.
Hoje, mais do que nunca, há necessidade de rezar e meditar. Antes de tudo, rezar, porque os homens se esqueceram de Deus e, sem Ele, estão à beira de um enorme abismo. Esta é a razão da contínua insistência de Nossa Senhora em todas Suas mensagens de Mediugórie com relação à oração. Sem a ajuda de Deus, entrega-se a satanás a partida vencida. Há necessidade de meditação, porque, se esquecermos as grandes verdades cristãs, as almas ficam no vazio, um vazio que o inimigo sabe muito bem como preencher: a difusão de superstições, ocultismo, magia, satanismo e os mais diversos tipos de seduções.
O homem de hoje tem, mais do que nunca, necessidade de parar, de silenciar e de refletir. No mundo em que vivemos, temos necessidade do silêncio orante. Diante dos perigos de uma guerra, acreditamos no poder da oração e estamos convictos de que o Rosário é mais forte do que uma bomba atômica. É verdade, é uma oração que exige esforço, que exige tempo e dedicação. Nós, pelo contrário, estamos habituados a fazer as coisas às pressas, especialmente com relação a Deus.
O Rosário talvez nos alerte sobre o risco de que Jesus falou a Marta, irmã de Lázaro: «Afadigas-te com muitas coisas, mas uma só te é necessária». Também nós corremos o mesmo perigo: afadigamo-nos e preocupamo-nos com tantas coisas, às vezes até mesmo prejudiciais à nossa alma, e esquecemos de que a única coisa necessária é viver com Deus. Que a Rainha da Paz nos faça abrir os olhos antes que seja tarde de mais.
Qual é hoje o mais evidente perigo para a sociedade? É a desagregação da família. O ritmo da vida atual tem despedaçado a unidade familiar. Os membros da família permanecem juntos apenas por pouco tempo e nem sequer se falam por causa da televisão. Onde estão as famílias que, à noite, rezavam o Rosário? Já Pio XII insistia nisto: «Se rezarem o Rosário todos unidos, saborearão a paz na família, terão a concórdia das almas em suas casas».
«Satanás quer a guerra» disse um dia Nossa Senhora em Mediugórie. Pois bem, o Rosário é a arma capaz de dar paz à sociedade, ao mundo inteiro, porque é uma oração e meditação capaz de transformar os corações e de vencer o inimigo do homem.
É tempo de Quaresma, tempo de reflexão sobre o caminho que Jesus percorreu para chegar à sua total doação, para entrar na vida nova, a Ressurreição.
  Pe.Gabriele Amorth (Eco de Maria)
Exame de consciência sobre a Liturgia
Na Quarta-feira, dia 26 de fevereiro, o Papa João Paulo II pediu que se fizesse um exame de consciência sobre a beleza e a dignidade com que as comunidades católicas celebram a Liturgia, particularmente os cantos e a música.
“É necessário descobrir e viver constantemente a beleza da oração e da Liturgia. Neste sentido, a comunidade cristã deve fazer um exame de consciência para que devolva cada vez mais à Liturgia a beleza da música e do canto.
A Liturgia une os dois santuários, o templo terreno e o Céu infinito, Deus e o homem, o tempo e a eternidade. Durante a oração, realizamos uma espécie de ascensão à Luz divina e, ao mesmo tempo, experimentamos uma descensão de Deus que se adapta ao nosso limite para escutar-nos, falar-nos, encontrar-nos e salvar-nos. É necessário purificar o culto das deformações, das formas descuidadas de expressão, da música e textos mal preparados e pouco adequados à grandeza do ato que se celebra.
O Papa não se esqueceu de citar  Santo Agostinho: «A música mais elevada é a que brota de nossos corações». É justamente esta harmonia que Deus deseja ouvir em nossas liturgias”.                        Web da Zenit
Mistérios da dor
Os Evangelhos dão grande relevo aos mistérios da dor de Cristo. A piedade cristã, desde sempre, especialmente na Quaresma, através do exercício da Via Sacra, deteve-se em cada um dos momentos da Paixão, intuindo que aqui está o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação. O Rosário escolhe alguns momentos da Paixão, induzindo o orante a fixar neles o olhar do coração e a revivê-los. O itinerário meditativo abre-se com o Getsêmani, onde Cristo vive um momento de particular angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne seria tentada a revoltar-se. Ali Cristo põe-Se no lugar de todas as tentações da humanidade, e diante de todos os seus pecados, para dizer ao Pai: «Não se faça a minha vontade, mas a Vossa» (Lc 22, 42). Este seu “sim” muda o “não” dos pais do Éden. E o quanto Lhe deverá custar esta adesão à vontade do Pai emerge dos mistérios seguintes, nos quais, com a flagelação, a coroação de espinhos, a subida ao Calvário, a morte na cruz, Ele é lançado no maior desprezo: Eis o homem!
Neste desprezo, revela-se não somente o amor de Deus, mas o mesmo sentido do homem. Eis o homem. Quem quiser conhecer o homem deve saber reconhecer seu sentido, sua raiz e seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por amor «até à morte, e morte de cruz» (Fil 2, 8). Os mistérios da dor levam o crente a reviver a morte de Jesus, pondo-se aos pés da cruz junto de Maria, para com Ela penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e sentir toda sua força regeneradora.
(Da  Carta Apostólica Rosário da Virgem Maria, de João Paulo II, 16.10.2002).
 
Peregrinações 2003
Paris, Medalha Milagrosa, Lisieux, Mediugórie (7 dias).
Saída: 07.07.03. Volta: 19.07.03.
Vagas limitadas. Mais informações por carta ou pelo telefone:
 (61) 624-5511.
Como contribuir para o Eco
 
As contribuições para o Eco de Mediugórie podem ser feitas no Banco do Brasil, Ag. 0452-9, conta 403.964-5, em nome de Servos da Rainha, ou enviadas por meio de cheque nominal e cruzado, a favor de Servos da Rainha, em carta registrada.
Poderão também ser deposita-das nas agências dos Correios que possuam Banco Postal, Ag. 241-0 Conta 600.002-9, bem como nas agências Bradesco e seus caixas eletrônicos BDN, na mesma conta.
As contribuições efetuadas devem ser informadas para anotação no cadastro.
Convite
A Comunidade Servos da Rainha, fruto da acolhida das mensagens da Rainha da Paz, em Mediugórie, convida moças, de 18 a 25 anos de idade, que, na observância dos conselhos evangélicos (pobreza, obediência e castidade), tenham sincero desejo de se consagrarem a Deus, por meio da oração, do trabalho, do serviço aos mais necessitados e do amor à Eucaristia. Moças que, com muita esperança e entusiasmo, busquem, na generosidade gratuita e sem medo, uma forma mais perfeita de vida no seguimento de Cristo, sob a maternal orientação de Maria, Rainha da Paz. Se você estiver interessada em conhecer esta obra da Rainha da Paz, escreva-nos. Coragem!